segunda-feira, 8 de setembro de 2025

#77 UFRJ 102014014163 LUMINOL SEM USO DE RADIAÇÃO ULTRAVIOLETA

102014014163 PROCESSO DE SÍNTESE DO LUMINOL, KIT PARA A DETECÇÃO DE RESÍDUOS DE SANGUE OCULTO E SEUS USOS

Depósito: 11/06/2014

Destaque: Acordo com Belcher Pharmaceuticals

Inventor: CLAUDIO CERQUEIRA LOPES; ROSANGELA SABBATINI CAPELLA LOPES; LETÍCIA GOMES FERREIRA

Titular: UFRJ (BR/RJ)




O luminol nacional é feito de maneira diferente do que é fabricado nos Estados Unidos. Lá, o produto é submetido a altas pressões e temperaturas. Aqui no Brasil, a produção é quase artesanal, com a utilização do nióbio, um metal abundante no país. E isso reduz o custo em 90%. Enquanto o luminol importado custa R$ 3 mil, o nacional sai por R$ 300. A grande diferença em relação ao luminol importado é que o produto americano precisa de radiação ultravioleta para localizar os vestígios de sangue. Então, depois e aplicar o luminol, os técnicos usam um equipamento para varrer e encontrar o sangue. O luminol brasileiro não precisa disso. Basta apenas que o ambiente esteja escuro. Outra vantagem é que o luminol nacional não destrói o DNA existente na mancha de sangue. A sensibilidade do luminol brasileiro é da proporção de um em 1 bilhão. Isso significa que ele é capaz de revelar uma partícula de sangue dispersa entre 999 milhões de outras partículas, como as de água. A substância importada, por sua vez, atinge no máximo a relação de um em 1 milhão. Outra vantagem da versão nacional é seu baixo custo. O processo de síntese desenvolvido dispensa as condições de alta temperatura e pressão usados no sistema convencional, além de utilizar componentes disponíveis no país.

Cláudio Cerqueira Lopes é docente do Instituto de Química da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Coordenador do Laboratório de Síntese e Análise de Produtos Estratégicos (LASAPE). Possui Graduação em Farmácia (1977) e Farmácia Industrial (1978) todos pela Faculdade de Farmácia da UFRJ, Mestrado- NPPN, (1983) e Doutorado – Instituto de Química (1989) todos em Química e pela UFRJ e pós-doutorado pela University of California Berkeley- EUA (1989-1991), Síntese Orgânica.

O luminol carioca é uma invenção da UFRJ que transformou a investigação criminal no Brasil e agora pode avançar para a saúde pública. Desenvolvido em 2002 pelo professor Cláudio Cerqueira Lopes e sua equipe no Laboratório de Síntese e Análise de Produtos Estratégicos (Lasape/IQ-UFRJ), com apoio da Faperj, o produto foi patenteado em 2021. Sua principal inovação está na estabilidade química: enquanto fórmulas internacionais perdem a eficácia em poucas horas, a versão da UFRJ permanece ativa por até seis meses, garantindo maior precisão na detecção de sangue. Essa característica fez do luminol brasileiro uma referência internacional no setor forense, utilizado pela Polícia Civil do Rio em milhares de casos, inclusive em investigações emblemáticas como a Chacina da Baixada (2005) e o caso Staheli (2004).

O invento, porém, ganhou uma nova perspectiva: seu uso em ambientes hospitalares para prevenir infecções hospitalares, que provocam cerca de 100 mil mortes anuais no Brasil. O reagente pode revelar vestígios invisíveis em equipamentos como bombas de hemodiálise ou salas cirúrgicas, assegurando higienização adequada. Devido a essa aplicação, a Belcher Pharmaceuticals, dos EUA, negocia um contrato de licenciamento de dez anos, com previsão de investir R$ 4,5 milhões e realizar estudos em hospitais brasileiros antes da distribuição internacional. A parceria permitirá produzir o luminol em escala industrial, já que a UFRJ fabrica apenas 30 litros por mês, volume suficiente apenas para a Polícia Civil. Assim, uma molécula simples criada no Brasil tornou-se um produto estratégico: primeiro para a elucidação de crimes, agora como aliada contra infecções hospitalares, unindo ciência, inovação e impacto social.


Resumo: 102014014163 A presente invenção trata-se de um processo de síntese do luminol. Na formulação dos dois kits o reagente luminol foi associado a aditivos intensificadores da luminescência, fornecendo nestas condições uma grande sensibilidade na detecção de sangue oculto. O kit utilizado na detecção forense de resíduos de sangue oculto envolvendo o uso de dois borrifadores, em condições de escuridão total, foi associado a um teste imunocromatrográfico específico para o sangue humano. Um outro kit possibilita a detecção de sangue oculto em superfícies contaminadas na luz visível ou sem condições de escuridão total, associado a utilização de um luminômetro portátil, sendo dessa maneira uma ferramenta adequada para evitar a contaminação por microorganismos patogênicos em unidades hospitalares, odontológicas e frigoríficas, e ainda para ser usado na área forense em cenas de crimes contra a vida em ambientes externos.

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