PI0800192 - : SISTEMA E MÉTODO DE IDENTIFICAÇÃO E DE AQUECIMENTO DE COMBUSTÍVEL
Depósito: 29/01/2008
Destaque: prêmio mundial de inovação realizado pela Bosh
Inventor: FERNANDO LEPSCH; MARCOS MELO ARAUJO; HILTON RAFAEL SPILER; CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA MELO; HANS HUGO EICHEL, JR.
A Robert Bosh tem longa tradição no desenvolvimento da tecnologia de bicombustíveis. As pesquisas sobre motores flex começaram nos EUA nos anos 80, quando o governo incentivou o uso de combustíveis alternativos como metanol e etanol. Nos Estados Unidos, uma lei de 1988, denominada Ato dos Combustíveis Automotivos Alternativos, estimulou o desenvolvimento dessa tecnologia, que possibilitou o uso de misturas de álcool-gasolina, até o limite de 85% de álcool. Tal limite foi estabelecido com o propósito de facilitar a partida do motor em condições extremas de frio, comuns em diversas regiões daquele país. Nos anos 90, surgiram os primeiros carros de série capazes de rodar com gasolina pura ou até 85% de álcool, mas a tecnologia ficou restrita a frotas cativas. No Brasil, o problema do álcool era a falta de credibilidade, pois, apesar do Pró-Álcool, crises de abastecimento geraram insegurança e quase extinguiram a produção de carros a álcool. A solução vislumbrada foi criar motores que também aceitassem gasolina. A Bosch iniciou pesquisas em 1991, resolvendo dúvidas sobre a mistura álcool/gasolina e publicando resultados que serviram a outros fabricantes. Em 1994, o protótipo Ômega flex da GM rodou 100 mil km, provando a viabilidade técnica, mas ainda faltava viabilidade comercial. No fim dos anos 90, consumidores improvisavam conversões e “rabo de galo” para economizar, o que prejudicava motores. O ponto de virada foi em 2002, quando o governo reduziu o IPI dos carros flex, permitindo às montadoras amortizar investimentos e adotar a tecnologia oferecida por fornecedores como a Bosch. A equipe brasileira da Bosch liderou o desenvolvimento, transformando o país em centro mundial de competência da empresa para o álcool, com engenheiros exportando conhecimento. Posteriormente, a Bosch criou o sistema tri-fuel, unindo gasolina, álcool e gás natural. Apesar disso, os investimentos em P&D da Bosch no Brasil giram em torno de 4% do faturamento, abaixo da média global de 7%, mas ainda elevados para padrões nacionais.
Comparando-se com a matriz na Alemanha a subsidiária da Bosh em Campinas desenvolve apenas 1% das patentes produzidas pela multinacional alemã. Ainda assim, a subsidiária, que conta com 500 pesquisadores, em sua unidade para tecnologias de combustíveis alternativos tornou-se referência mundial graças a criação de peças e softwares que permitiram o surgimento do motor Flex Fuel em 1994, tecnologia hoje utilizada em 90% dos veículos produzidos no país. A invenção foi lançada com sucesso na Europa em 2004. Na Suécia cerca de 25% dos carros vendidos utilizam a tecnologia flex. Com iso a unidade de combustíveis alternativos da empresa tornou-se líder em número de pesquisadores e patentes na América Latina. Em março de 2009 foi criado o Flex Start que dispensa o famoso tanquinho de gasolina que até então era necessário para dar partida no motor Flex. O projeto rendeu aos pesquisadores da unidade brasileira sete pedidos de patente de invenção e de modelos de utilidade, bem como o prêmio mundial de inovação realizado pela Bosh, a primeira vez em que este prêmio ficou fora da Alemanha.
O sistema que ficou conhecido comercialmente como Flex Start resolve o problema das partidas a frio em veículos flex fuel abastecidos com etanol puro (E100), mesmo em temperaturas abaixo de 15 °C, sem necessidade de usar gasolina auxiliar (como ocorre nos sistemas convencionais com tanquinho). O princípio é: há um aquecimento elétrico do etanol antes da injeção, controlado por sensores que identificam o tipo de combustível no tanque; com o etanol já aquecido, a combustão ocorre de forma eficiente mesmo em clima frio; elimina-se, assim, a exigência de um reservatório de gasolina para partidas a frio.

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