PI0205481 PROCESSO DE SEPARAÇÃO DE SÓLIDOS FINOS E SEU USO EM ARGAMASSAS PARA CONSTRUÇÃO CIVIL
Depósito: 23/12/2002
Destaque: licenciado para empresa Argamil
Inventor: José Carlos da Rocha / Eduardo A. Carvalho / Carlos Cesar Peiter / Antonio Rodrigues de Campos / Antonio Odilon da Silva
Titular: Centro de Tecnologia Mineral - CETEM (BR/RJ) / Instituto Nacional de Tecnologia - INT (BR/RJ)
Em abril de 2009, um marco foi alcançado na política de inovação tecnológica brasileira: pela primeira vez, um servidor público de uma unidade de pesquisa do Ministério da Ciência e Tecnologia receberia diretamente royalties pela venda de uma tecnologia a uma empresa privada. O beneficiário foi o pesquisador José Carlos da Rocha, do Instituto Nacional de Tecnologia (INT/MCT), que, em parceria com o Centro de Tecnologia Mineral (Cetem/MCT), patenteou um processo de aproveitamento de resíduos de rochas ornamentais para produção de argamassa, tecnologia transferida para a empresa Argamil S.A. Esse direito ao royalty foi viabilizado pela Lei de Inovação, que determina a divisão dos ganhos: um terço para o inventor e dois terços para a instituição, reinvestidos em pesquisa.
Para o pesquisador, mais significativo que a gratificação financeira foi ver a aplicação prática de seu invento, considerando-o parte de suas atribuições como tecnologista. A incorporação dos royalties à folha de pagamento simboliza a valorização governamental da inovação e do inventor. Essa conquista foi possível devido ao ambiente jurídico propício criado pela Lei de Inovação e à atuação dos Núcleos de Inovação Tecnológica (NITs), que dão suporte às negociações. O INT, que criou seu próprio NIT, tem se empenhado em todo o processo de inovação, da prospecção à gestão tecnológica.
A tecnologia em questão resolve um grave problema ambiental: o descarte do pó fino gerado no corte de rochas ornamentais, que antes poluía solos e mananciais. Desenvolvido e transferido em junho de 2008, o processo permite a retenção e reutilização desse resíduo como matéria-prima para argamassa. A parceria envolveu ainda o governo do estado do Rio de Janeiro e a prefeitura de Santo Antônio de Pádua (RJ), onde a fábrica da Argamil foi instalada. O Cetem foi responsável por desenvolver um sistema de circuito fechado para a água utilizada na serragem, drasticamente reduzindo seu consumo e evitando o lançamento de efluentes.
Com a agua resolvida, o desafio seguinte era a destinação do pó residual que se acumulava. O INT então realizou um estudo de P&D que identificou três aplicações viáveis: cerâmica vermelha, artefatos de borracha de uso não estrutural e argamassa industrial. Diante das oportunidades regionais, a sugestão técnica do INT foi a implantação de uma fábrica de argamassas, por ser este o produto com maior capacidade de absorção do resíduo. O pesquisador José Carlos da Rocha enfatiza que a crescente restrição legal sobre destinação de resíduos abre um campo fértil para atuação das instituições de pesquisa, desenvolvimento e inovação, criando soluções tecnológicas que transformam passivos ambientais em produtos de valor econômico.
Referências:
https://agencia.fapesp.br/po-de-rocha-reciclavel/1298
https://www.linkedin.com/in/jos%C3%A9-carlos-da-rocha-37aa8b98/overlay/photo/

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