N. 1 MAQUINISMO PARA FAZER SUBIR AGUA
Depósito: 12/12/1705
Destaque: primeira patente no território brasileiro
Inventor: Bartolomeu de Gusmão
Titular: Bartolomeu de Gusmão

Bartolomeu Lourenço de Gusmão (Santos, dezembro de 1685 — Toledo, 18 de novembro de 1724), cognominado o padre voador, foi um sacerdote secular, cientista e inventor nascido no Brasil, considerado o primeiro cientista do continente americano, onde foi autor da primeira patente de invenção. É conhecido como o pioneiro da aviação moderna, por ter inventado o primeiro aeróstato operacional. Poliglota e erudito, registrou várias outras invenções, atuou na diplomacia e na criptografia e destacou-se no estudo da história, matemática e mecânica. Bartolomeu de Gusmão no colégio em Belém da Cachoeira irá desenvolver seu invento de bomba dágua que elevava a as águas do açude loca ao segundo piso do colégio. Na época de colônia patentes concedidas em Portugal poderiam ter aplicabilidade no Brasil, tal como a concedida ao jesuíta Bartolomeu Lourenço de Gusmão para “um maquinismo para fazer subir a água a toda distância que se quiser levar”.
O privilégio de invenção foi expedido pelo Senado da Câmara da Bahia em 12 de dezembro de 1705 tendo sido ratificado pela Provisão real do monarca D. João V em 23 de março de 1707, sendo considerada a primeiro privilégio de invenção aplicado no Brasil , contudo a patente não esclarece maiores detalhes do invento, embora Milton Vargas entenda que se pode inferir que o invento exigia conhecimentos de hidráulica e mecânica diante do registro de Alexandre de Gusmão do real funcionamento do invento ao ser capaz de elevar a água a 100 metros de altura. Bartolomeu nasceu em Santos e cursou com o irmão mais novo, o futuro diplomata e secretário do rei português D. João V, Alexandre de Gusmão, o seminário jesuíta de Belém da Cachoeira, na Bahia, onde se tornou noviço. Ordenado, mudou-se para Lisboa em 1701, onde realizou estudos de matemática e física mecânica e onde pode entrar em contato com a ciência dos jesuítas e oratorianos este últimos com ênfase na experimentação. Destacou-se como pregador religioso e recebeu do rei Dom João V o cargo de capelão da Casa Real. Dedicou-se, a partir de então, a seus inventos. De volta a Salvador, construiu uma bomba elevatória para abastecer o colégio dos padres com a água do rio Paraguaçu, capaz de elevar a água em cerca de 100 metros, um feito considerável para a época. Foi essa sua primeira invenção a qual obteve patente em 12 de dezembro de 1705.

Resumo: CESSÃO DE PRIVILÉGIO CONCEDIDO A BARTOLOMEU LOURENÇO DE GUSMÃO PELO SENADO DA BAIA PARA O “MAQUINISMO PARA FAZER SUBIR AGUA...”
Salvador, 12 de dezembro de 1705
"Ele com muito particular estudo e experiencia que fez, deu no segredo de fazer subir a agua toda a distancia e altura a que se quizer levar e que com effeito a fez o supplicante subir no seminario de Belém, quatrocentos e sessenta palmos, como mostra por uma certidão... passada pelo muito reverendo padre Alexandre de Gusmão reitor do dito seminário, e que com o mesmo invento se poderá fazer moer os engenhos de beira mar, com a agua delle, e a este respeito todos os engenhos que tiverem tanque, fonte ou rio, ainda que esteja em parte muito inferior, e pelo conseguinte trazer aguas para chafarizes e fontes para utilidade e conveniencia do serviço dos povos e grandeza desta cidade.
E assim respeitando tão util proposta pedia que descobrindo o supplicante o segredo do dito invento e ensinando-o para que se possa usar delle o não podesse fazer nenhuma pessoa, nem lograr a sua utilidade, sem pagar ao supplicante quatrocentos mil réis por cada engenho ou obra que fizer na forma sobre dita, visto dever-se-lhe remunerar o trabalho de seus estudos: o que visto por este senado e considerando não resultar nenhum prejuízo em se admitir a dita proposta, ainda quando não resulte o effeito que promette, e que tendo effeito é muito util a todo este estado, e por vir a dita proposta autorisada e approvada pela certidão de que atraz se fez menção, concedemos licença ao supplicante para dar á execução o sobredito invento, com as condições que propõe e pede em sua petição, e nenhuma pessoa de qualquer qualidade e condição que seja poderá por si, nem por outrem usar do dito invento sem pagar ao supplicante o donativo que pede; premio tão merecido ao seu trabalho etc."
Vereadores: Pereira de Vasconcellos, Palhares, França, Aranha."
Instituto dos Arquivos Nacionais da Torre do Tombo (Portugal).
Chancelaria de D. João V-Ofícios e mercês, livro 28, folha 112.
Referências:
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