PI0003237 MÁQUINA UNIVERSAL DE RECONDICONAR CARTUCHOS PARA IMPRESSORAS JATO DE TINTA
Depósito: 03/06/2000
Destaque: prêmio FINEP Inovação Tecnológica 2000
Inventor: Luciano Piquet da Cruz
Titular: Luciano Piquet da Cruz (BR/RN)

O engenheiro Luciano Piquet, primo do piloto Nelson Piquet, enfrentou em João Pessoa a falta de cartucho para sua impressora HP 500 e dessa dificuldade surgiu a ideia que mudaria o mercado de recondicionamento. Ele projetou e patenteou a Ink3000, máquina inovadora que utiliza sistema a vácuo para recarregar cartuchos sem risco de vazamentos. Comercializada pela Paraí Informática, a invenção ganhou mercado nacional e internacional, alcançando Estados Unidos e Europa. A tecnologia garante qualidade idêntica ao original, pois conserva a pressão interna, evita bolhas de ar e permite lavagem prévia do cartucho, eliminando resíduos de tinta ressecada. Diferente de outros equipamentos, a Ink3000 foi construída com peças simples e de fácil aquisição, como bombas, válvulas e mangueiras. O custo médio do recondicionamento gira em torno de R$ 4, mas o diferencial está na qualidade final. O sistema a vácuo retira o ar antes da recarga e injeta a tinta de forma precisa, evitando falhas. Em apenas dois minutos o cliente recebe o cartucho recondicionado, testado e garantido. Piquet utilizou conhecimentos de hidráulica, eletrônica e resistência adquiridos em sua formação em Engenharia Civil pela UFPB. Desde 1997 vinha tentando aprimorar métodos artesanais de recarga, insatisfeito com técnicas como o uso de seringa, que causavam falhas. Após várias tentativas, chegou à versão definitiva, a LNK-3000. A solução deu tão certo que quiosques foram instalados em shoppings de João Pessoa, oferecendo recarga imediata de cartuchos HP, Canon, Xerox e Lexmark. A tecnologia começou a se expandir para outras cidades como Rio de Janeiro e São Paulo, onde várias empresas já adotaram a Ink3000. Para os cartuchos coloridos, Piquet desenvolveu a Ink3000 Color, com porte industrial e uso da gravidade junto ao vácuo para impedir mistura de cores. Ele garante que, ao contrário dos métodos comuns que provocam borrões e até danos aos cabeçotes, o sistema a vácuo elimina qualquer risco de vazamento, assegurando resultados confiáveis e duradouros.
Os fabricantes de impressoras lucram principalmente com a venda de cartuchos, que em muitos casos chegam a custar quase o preço de uma impressora nova. Nesse contexto, os cartuchos remanufaturados ganham espaço como alternativa mais barata. Eles são cartuchos originais recarregados com nova tinta, sem vínculo com as grandes fabricantes. Estas condenam o uso, alegando perda de qualidade e risco de danos ao equipamento, além de exclusão da garantia se detectado o uso de remanufaturados. Mesmo assim, o fator econômico pesa: um cartucho reciclado pode custar metade do original, e para varejistas a economia chega a 90%. O processo é legal desde que seja feita a recarga de cartuchos originais e informada a condição de recondicionado, diferente dos falsificados que imitam originais, geralmente vindos de contrabando e de péssima qualidade. Fabricantes e empresas de recondicionamento combatem juntos a falsificação, por meio de entidades como a ABRECI. Há inúmeras empresas especializadas, mas também usuários que recarregam em casa com refis. Contudo, o processo exige cuidado, já que falhas como borrões, manchas e vazamentos são comuns. O maior problema é o vazamento sutil, capaz de danificar cabeçotes ou circuitos, levando muitas vezes à troca da impressora. Isso ocorre porque a recarga é feita por injeção de tinta com agulha, o que pode gerar bolhas de ar e alterar a pressão interna do cartucho, provocando respingos durante a impressão. A situação é ainda mais complexa nos cartuchos coloridos, que possuem esponjas internas para evitar mistura de cores; um recondicionamento mal feito pode gerar impressões borradas ou deformadas. Máquinas industriais de recondicionamento são amplamente usadas, mas variam em qualidade, embora compartilhem a mesma técnica de injetar tinta, com todos os riscos envolvidos no processo.
Em 1999, o engenheiro Luciano Piquet iniciou em sua garagem o desenvolvimento de uma máquina artesanal para reciclagem de cartuchos, usando como base um filtro de água mineral. Divulgada no site “Cadê?”, a invenção atraiu interessados rapidamente. O primeiro modelo reciclava apenas cartuchos pretos e em um ano vendeu 200 unidades. Em seguida, foi lançada a INK 3000, que lavava e recarregava cartuchos pretos e coloridos de várias marcas por meio de sistema a vácuo, diferenciando-se das técnicas tradicionais de injeção. A internet foi fundamental para a divulgação e vendas, e em quatro anos a empresa Par@í cresceu para uma fábrica de 2.500 m² com 55 funcionários, mais de 1.200 máquinas vendidas no Brasil e exportação para 48 países. O negócio começou no quintal, depois passou para uma casa adaptada e finalmente para galpões em Cabedelo, chegando a três unidades, uma delas dedicada à produção de clips para cartuchos. As máquinas de Piquet revolucionaram o setor ao oferecer uma alternativa acessível às máquinas caras existentes. Foram vendidas 2.500 máquinas, responsáveis pela reciclagem de 9 milhões de cartuchos, economizando ao Brasil cerca de 207 milhões de dólares em importações. Esse processo também evitou que milhões de cartuchos fossem descartados, reduzindo impacto ambiental, já que cada cartucho leva cerca de 50 anos para se decompor e utiliza 5 litros de petróleo em sua produção. Além do impacto econômico e ambiental, estima-se a geração de 10 mil empregos diretos em todo o país. A Par@í também criou um programa social que troca cartuchos vazios de empresas públicas por litros de leite para comunidades carentes, totalizando mais de 150 mil litros doados em cinco anos. O projeto uniu inovação tecnológica, ganhos ambientais, impacto social e expansão industrial.

A Parai Informática, detentora da patente de enchimento a vácuo de cartuchos a jato de tinta no Brasil, foi premiada pela criação dos sistemas de reciclagem INK 3000 com o Troféu Inovação Tecnológica 2000/NE – categoria processo – em concurso realizado pela Financiadora de Estudos e Projetos – FINEP, órgão vinculado ao Ministério da Ciência e Tecnologia/Governo Federal, com o apoio da Confederação Nacional da Indústria e Gazeta Mercantil. O “Prêmio de Inovação Tecnológica” traduz a importância do tema para o desenvolvimento do País. Várias revistas e jornais especializados avaliaram a qualidade dos produtos da Paraí com publicações que mostram que a partir de nossa empresa a reciclagem no País tomou outro rumo. O Estado de São Paulo, por exemplo, diz: "Empresa paraibana restaura a qualidade dos cartuchos reciclados". A Wired News dos Estados Unidos reconhece que "um engenheiro brasileiro inventou uma diferente maneira de encher cartuchos". Em junho passado, a Paraí foi a única empresa do Brasil na área de tecnologia a participar da comitiva do presidente Lula aos países de Portugal e Espanha, a convite do Itamaraty. A Xerox do Brasil utiliza máquinas da Paraí em processos produtivos em sua fábrica de Manaus. A Paraí ganhou diversos prêmios de qualidade e tecnologia e expôs em mais de 20 feiras em 8 países. No ano passado, a Paraí foi premiada na Feira Mundial de Reciclagem em Las Vegas-USA como a segunda melhor empresa do mundo como instrumento de marketing, com a máquina INK Express.
Referências: PI0003237 Refere-se a presente patente de invenção a uma máquina universal FIG.1, capaz de recondicionar todos os tipos de cartuchos de tintas, preto ou colorido, por processo a vácuo. Confeccionada em aço inox escovado, chapa 18, composta de bomba de vácuo, compressor pequeno, registro de passagens em aço inox, mangueiras de silicone com paredes de 2 mm, recipientes para depósito de tinta e água destilada (2), cilindro mestre (3) confeccionado em canos de aço inox nas extremidades e um tubo de vidro inserido aos canos de inox, com capacidade para 45 ml, plataforma de resina de vidro (4) FIG.1 e FIG.2 e cilindro de vidro (13) com capacidade de 1,3 Its, o qual armazenará o vácuo produzido pela bomba, os resíduos de tinta e produtos químicos, cuja intensidade é controlada por um vacuômetro (14).
Referências:
https://web.archive.org/web/20030323055104/http://ink3000.com.br/
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