PI0600814 COMPOSIÇÃO PARA PROTEÇÃO DE SUPERFÍCIES DE AÇO CONTRA CORROSÃO
Depósito: 18/06/1974
Destaque: usada na obra de pavimentação Natal-Extremoz
Inventor: Milson Dantas
Titular: Milson Dantas (BR/RN)
Um dos inventos mais antigos do Estado do Rio Grande do Norte é também o segundo mais lucrativo de todo o país. Trata-se do método Bripar de pavimentação, criado em 1958 pelo engenheiro civil potiguar Milson Dantas, 80 anos, ex-combatente da Segunda Guerra. Hoje em dia, o método é usado no mundo inteiro. Antes do Bripar, só existiam dois tipos de pavimentação: com concreto de asfalto e de cimento. Mesmo seguindo todas as normas e especificações técnicas, o engenheiro Milson Dantas percebeu que o pavimento não suportava mais a carga dos veículos que passaram a trafegar pela cidade. "Percebi que a tecnologia de paralelepípedo estava ultrapassada", disse o inventor.
Essa constatação serviu de ponto de partida para que o engenheiro desenvolvesse uma solução para o problema. Milson Dantas procurava compactar os paralelepípedos para que suportassem pelo menos 10 toneladas. "Estava concretando a placa do aeroporto Augusto Severo com brita. Então pensei em utilizar esse rejuntamento para os paralelepípedos". Milson Dantas diz que desde criança possui espírito inventivo. Além do Bripar, o engenheiro inventou e patenteou um catavento horizontal, que ele prefere guardar a sete chaves. Milson Dantas diz ter sofrido para preservar os direitos autorais do Bripar e, por isso, resolveu manter guardadas as outras invenções. "Por inveja, muitas pessoas quiseram me tomar o Bripar. Pensei até em desistir de brigar pelo método. Hoje só guardo a mágoa de não ser reconhecido na minha cidade. Se fosse americano, alemão, ou até mesmo paulista, tudo seria diferente.
O pavimento Bripar (Brita + Paralelepípedo) deve ser entendido como as lajes monolíticas rígidas aos esforços tangenciais e semiflexíveis, provenientes da associação da brita graduada com o paralelepípedo, compactado mecanicamente. O paralelepípedo e a brita são materiais de uso comum, mas que nunca haviam sido associados para constituírem pavimento em que se usa o asfalto como elemento catalisador, isto é, fazendo parte do pavimento, assegurando a longevidade, pelas três propriedades que lhes são comuns: é aglutinante unindo as britas entre si e ao paralelepípedo, é impermeabilizante, garantindo a estabilidade da base, não permitindo a entrada de água e nem a desconcentração dos materiais e finalmente é plástico o suficiente para permitir, em pequenos movimentos à adaptação do pavimento, mantendo as principais características já observadas.
Em 1942 Milson Dantas, estudante ginasial foi contratado como officeboy do primeiro laboratório de análises físicas de material do solo instalado no Brasil em Parnamirim Rio Grande do Norte, para análise de materiais que iam compor as bases e pavimentos das pistas e da estrada, ligando Natal a Parnamirim a serem pavimentadas com macadame asfáltico. Formado pela UFPE em 1953 Milson constatou a inviabilidade dos revestimentos a paralelepípedos tradicionais face aos rejuntes fraturáveis e ao tipo de compactação batida (esforço descontínuo), sem apoio de uma base matemática de sustentação. Na busca de uma solução de uma compactação rolada sem saltos de paralelos, sem fraturas e afundamentos, Milson após um dia de trabalho supervisando a concretagem de uma laje do aeroporto de Natal relata como chegou à solução: "Despertei do sono visualizando os paralelos envolvidos por brita que lhe davam ancoragem de tal modo que um compactador rolando sobre a superfície que o único movimento que permitiria aos mesmos seria vertical. O Bripar estava descoberto"
Milson teve dificuldades em implementar sua invenção, com tentativas iniciadas desde 1958. Em 1974 como chefe do Distrito Rodoviário da cidade de Natal, omitindo da própria direção do DER, Milson conseguir converter a obra de pavimentação Natal-Extremoz a ser executada em piçarra para pavimentação com tecnologia Bripar. O corpo técnico do DER ao tomar conhecimento do fato, quis paralisar a obra, alegando que se tratava de "uma miragem do louco Milson Dantas". A verba destinada a tal obra era advinda do convênio com o Banco Mundial/DER. Em consequência do ocorrido enviaram a Natal um engenheiro inspetor do Banco Mundial chamado Dr. Buchacho, o qual aprovou a mudança tecnológica de pavimentação, dando o seu aval a continuidade da obra. Estava consagrado o Bripar.
A patente PI7404984 descreve um processo inovador de pavimentação e repavimentação mista, denominado BRIPAR, que associa brita seca graduada a paralelepípedos, unidos e impermeabilizados por cimento ou emulsão asfáltica aplicada manualmente. O método busca unir as vantagens do paralelepípedo — material resistente e quase indestrutível — ao conforto do asfalto, resultando em um pavimento semirrígido, com alta durabilidade, estabilidade mecânica e menor custo. A compactação mecânica elimina recalques diferenciais e permite uma superfície plana, resistente a esforços tangenciais e verticais. Entre as vantagens destacam-se maior vida útil em comparação ao asfalto convencional, menor consumo de derivados de petróleo, adaptação a solos arenosos sem necessidade de sub-bases complexas, menor aquecimento da superfície, melhor iluminação noturna devido à reflexão da luz e ausência de odores típicos do asfalto. Além disso, o método valoriza a produção local, pois utiliza pedra da região, paralelepípedos feitos por mão de obra não especializada e baixo uso de insumos externos, gerando empregos e reduzindo custos. O processo também reaproveita pavimentos antigos de paralelepípedo, evitando gastos desnecessários com capeamentos asfálticos periódicos, além de contribuir para a preservação ambiental. Em termos econômicos, o custo do BRIPAR é substancialmente inferior ao do recapeamento asfáltico, com uso de apenas 2,5 kg de asfalto por metro quadrado, garantindo durabilidade mínima de 20 anos. A invenção, portanto, propõe uma solução técnica, social e ambientalmente vantajosa, oferecendo pavimento de alta qualidade, econômico, confortável e sustentável.
Resumo: PI7404984 refere-se a processo de pavimentação e repavimentação mista brita seca-paralelepípedo-asfalto caracterizada pela associação da brita seca graduada com o paralelepípedo, que após a compactação mecãnica com rolo compressor e costuramento das junções com cimento asfáltico ou emulsão asfáltica, por irrigação manual vem a constituir o pavimento misto.
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