quarta-feira, 17 de setembro de 2025

#126 n. 3039 MÁQUINA DE BENEFICIAR CAFÉ, SELETOR ENGELBERG

N.3039 MÁQUINA DE BENEFICIAR CAFÉ, SELETOR ENGELBERG

Depósito: 21/09/1901

Destaque: comercializado pelo Engelberg Huller Co

Inventor: Evaristo Conrado Engelberg 

Titular:  Evaristo Conrado Engelberg (BR/SP)



A máquina do mecânico brasileiro Evaristo Conrado Engelberg nascido em Piracicaba em 1853 e falecido em na mesma cidade em 1932, bastante eficiente, foi inventada em São Paulo em 1880. Compreendendo que o mercado mundial para essa máquina era muito grande e que poucas possibilidades haveria de produzi-la em quantidade no Brasil ou distribui-la do Brasil, Engelerg e seus sócios venderam os direitos mundiais em 1888 a um grupo de norte americanos que fundaram uma companhia para fabricá-la. Localizada em Syracuse, Nova York, com o nome de Engelberg, essa firma foi extremamente bem sucedida, vendendo a máquina nas áreas produturas de café de todo o mundo.




Conquanto o acordo original com o grupo norte americano pareça ter excluído os direitos de venda no Brasil, por volta de 1904, a máquina de beneficiar estava sendo importada par São Paulo por F. Upton and Company com auda de alguns dos financiadores de Engelberg. Por esse tempo diversas outras companhias paulistas produziam máquinas de beneficiar, uma delas administrada por Engelberg, mas a máquina fabricada nos Estados Unidos, excelente, vendeu-se muito bem em São paulo, por muitos anos. Aparentemente, nem o espírito inventivo nem os recursos locais foram suficientes para obviar a incursões estrangeiras num mercado que de fato e psicologicamente dependia da Europa e dos Estados Unidos.



Evaristo Conrado Engelberg, filho de imigrantes alemães estabelecidos em São Paulo no final do século XIX, foi um inventor fundamental para a industrialização paulista, especialmente no beneficiamento de arroz e café. Em 1885, observando escravos descascando arroz em pilões, ele teve o insight de que a pressão entre os grãos poderia remover as cascas. Imediatamente, desenvolveu o primeiro descascador de arroz de cilindro horizontal, batizado de "Descascador Engelberg", que logo foi adaptado para o café.

Apesar da resistência inicial de fazendeiros, que preferiam a mão de obra escrava, o invento ganhou aceitação e foi adquirido por figuras ilustres como o Visconde de Arari e o Conselheiro Antônio da Silva Prado. Engelberg formou sociedade com o futuro Conde Siciliano, criando a "Engelberg & Siciliano" em Piracicaba. Patenteou sua invenção no Reino Unido (1885) e nos EUA (1888, US424602), onde fundou a Engelberg Huller Company em Syracuse, NY, em 1888, para produção em larga escala e exportação mundial. Suas máquinas revolucionaram o beneficiamento por descascar e polir grãos sem danificá-los, com manutenção simples e baixo custo. Em 1890, foi nomeado membro da Academia Parisiense de Inventores e recebeu medalha de ouro. A produção no Brasil foi interrompida em 1890, mas as máquinas americanas chegaram ao país a partir de 1922, consolidando seu legado na agricultura industrial.

Evaristo Conrado Engelberg, inventor brasileiro residente em Piracicaba, patenteou inicialmente nos Estados Unidos (US341324) uma máquina para descascar e polir arroz, representando um avanço significativo em relação a suas patentes anteriores. A invenção na patente seguinte US424602 (foto abaixo) combina um cilindro de descascagem com nervuras longitudinais e inclinadas, uma placa de metal rígida ajustável e uma peneira perfurada com ranhuras específicas que permitem a eficiente separação das cascas sem danificar os grãos. A máquina opera com o cilindro girando contra a placa fixa, removendo cascas e impurezas, enquanto a peneira abaixo permite a saída seletiva dos resíduos. Inclui ainda um polidor com correias de couro para acabamento e mecanismos de ajuste e indicadores de calibragem. Engelberg destaca que a máquina também pode ser adaptada para beneficiar café, sendo eficiente, de manutenção simples e capaz de processar grãos de forma contínua e uniforme, representando uma melhoria crucial em relação aos métodos manuais da época.



Resumo: n.3039 


Referências:
A industrialização em São Paulo, Warren Dean, Difusão Européia do Livro, USP, 1971, p.18

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