102015021435 USO DE PELE DA TILÁPIA NA COBERTURA DE LESÕES CUTÂNEAS
Depósito: 03/09/2015
Destaque: produção pelo Grupo Biotec
Inventor: EDMAR MACIEL LIMA JÚNIOR / MANOEL ODORICO DE MORAES FILHO / MARCELO JOSÉ BORGES DE MIRANDA / CARLOS ROBERTO KOSCKY PAIER / FELIPE AUGUSTO ROCHA RODRIGUES
Titular: COMPANHIA ENERGÉTICA DO CEARÁ (BR/CE) / MARCELO JOSÉ BORGES DE MIRANDA (BR/CE) / UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ (BR/CE) / EDMAR MACIEL LIMA JÚNIOR (BR/CE)
A pele da tilápia conquistou sua primeira patente no Brasil, referente ao método de preparo e conservação no glicerol, que esteriliza o material e o mantém livre de bactérias. Esse avanço é fruto de pesquisas iniciadas em 2015 pela Universidade Federal do Ceará e pelo médico Edmar Maciel Lima Júnior, com apoio do Núcleo de Pesquisas e Desenvolvimento de Medicamentos (NPDM), sob coordenação do professor Odorico de Moraes. A fase pré-clínica durou 18 meses, com 11 etapas, incluindo esterilização, estudos toxicológicos, microbiológicos e testes em animais. Em 2016 começaram os testes em humanos, após a aplicação de irradiação no Instituto de Pesquisas Energéticas Nucleares (IPEN), garantindo segurança adicional. A técnica surgiu inicialmente para tratamento de queimaduras de segundo grau e feridas agudas ou crônicas. No Brasil, não existia até então cobertura cutânea temporária de origem animal para essas lesões. Nos Estados Unidos, a pele de porco já é usada amplamente, mas sua importação não era viável comercialmente para o País. Assim, a pele da tilápia se tornou uma alternativa nacional inovadora e acessível. Ela já vem sendo aplicada em hospitais, ganhando destaque no Brasil e no exterior. Desde 2015, o material atrai crescente interesse científico. Pesquisas também exploram novos usos na veterinária. Outros estudos avaliam sua eficácia em úlceras. Também tem aplicações em cirurgias de reconstrução vaginal. Está sendo utilizada em procedimentos de redesignação sexual. Com a escolha do Grupo Biotec, a produção em larga escala deve viabilizar o produto no mercado e no SUS até 2028.
Os estudos empreendidos por Edmar Maciel – juntamente com a equipe de Histologia da Profª Ana Paula Negreiros, da Faculdade de Farmácia, Odontologia e Enfermagem (FFOE) da UFC – descobriram a existência do colágeno tipo I na pele da tilápia, uma proteína que, ao interagir com feridas ou queimaduras, promove a aceleração dos processos de cicatrização e de reparação da matriz dérmica. A derme do peixe adere ao leito da lesão, evitando a perda de líquidos, promovendo uma barreira à invasão bacteriana e proporcionando o alívio da dor. O invento possui titularidade compartilhada: 32% em nome do médico Edmar Maciel, 25% para a UFC, 25% para a Enel Distribuição Ceará e 18% para o médico Marcelo José Borges de Miranda. Há ainda um trâmite para inclusão de dois outros nomes como inventores do método: Carlos Roberto Koscky Paier, professor do Departamento de Fisiologia e Farmacologia da UFC, e Felipe Augusto Rocha Rodrigues, egresso do Programa de Pós-Graduação em Farmacologia, também da UFC. Os dois pesquisadores desenvolveram o processo de detoxificação para a pele da tilápia no glicerol, que foi feito para garantir a ausência de toxicidade no ser humano. A patente desse produto também foi concedida nos Estados Unidos em 2021.
Resumo: 102015021435 Processo de beneficiamento de pele de Tilápia, caracterizado por compreender as etapas de: - lavar a pele de tilápia em água corrente e/ou soro fisiológico; colocar a pele de tilápia em um soro fisiológico estéril resfriado a 4ºC; remover excessos de músculo e recortar os bordos; lavar a pele de tilápia com soro fisiológico; colocar a pele de tilápia em um recipiente estéril contendo uma solução de gluconato de clorexidina a 2% por 30 minutos; lavar a pele de tilápia com uma solução estéril; colocar a pele de tilápia em um outro recipiente estéril contendo uma solução de gluconato de clorexidina a 2% por 30 minutos; lavar a pele de tilápia com uma solução estéril; e colocar a pele de tilápia em um recipiente contendo uma solução com 50% de glicerol, soro fisiológico e 1% de uma solução contendo penicilina, estreptomicina, debacarbe e carbendazim por um período de 1 a 24h.
Referências:
https://oestadoce.com.br/opiniao/a-pele-da-tilapia-e-o-papel-do-ceara-na-inovacao-que-salva-vidas/

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