MU7703194 SISTEMA PARA EXTRAÇÃO INSTANTÂNEA DE ÁGUA-DE-COCO.
Depósito: 16/01/1997
Destaque: comercializado pela Coco Express, Prêmio Finep Inventor Inovador 2005, Região Norte para Eduardo Bretas
Inventor: Maria Lelia Lisboa Belo / Eduardo Antonio Verta Bretas
Titular: Maria Lelia Lisboa Belo (BR/PR) / Eduardo Antonio Verta Bretas (BR/PR)
Em 1995, em Manaus, o engenheiro Eduardo Bretas observou um ambulante vender cocos e percebeu que os clientes sempre perguntavam se estavam gelados e com bastante água. A cena inspirou a criação de uma máquina capaz de extrair e engarrafar água de coco, padronizada e gelada. Dois anos depois, o invento já lhe rendia R$ 5 milhões em lucro bruto. A iniciativa transformou um negócio de esquina em empreendimento sofisticado presente em shoppings. Sua empresa, Coco Express, expandiu-se rapidamente e hoje soma 800 pontos de venda no Brasil e no exterior. A trajetória começou em 1991, em Manaus, com a Vertbelo, empresa de Bretas, que em 1997 mudou-se para Curitiba. No mesmo ano, lançou o “Sistema de Extração e Refrigeração Instantânea para Água de Coco”, com patente própria. O modelo inicial era de carrinhos móveis, mas o sucesso levou à criação de quiosques maiores, nos quais licenciados chegam a vender até 500 cocos por dia. A Coco Express não comercializa diretamente o produto, mas vende as máquinas e licencia a marca. O negócio já alcançou cidades como Miami, Caracas e pontos no México, consolidando presença internacional. O foco em inovação mantém-se forte: além das máquinas de coco, Bretas investe em vending machines de alimentos, vendidas a fabricantes de pizza e quibe. A proposta é industrializar petiscos populares, como croquetes, cocadas e até o ovo de botequim. O espírito empreendedor de Bretas revela como a observação de um detalhe cotidiano pode transformar-se em inovação de alcance global.
A invenção refere-se a um sistema móvel para extração e refrigeração instantânea de água-de-coco, projetado para oferecer praticidade, higiene e mobilidade na venda da bebida. O equipamento é composto por uma caixa retangular (em isopor, chapa galvanizada ou fibra de vidro), contendo uma serpentina interna onde a água passa e é resfriada instantaneamente pelo gelo. Na parte externa, há uma pequena torneira para o escoamento da água já refrigerada. A extração ocorre por meio de um funil de inox com dispositivo especial condutor, que sustenta o fruto e permite o escoamento natural da água após a perfuração com um vazador de pequeno diâmetro. Esse dispositivo também possibilita a entrada de ar, dispensando bombeamento ou pressão. A água passa ainda por uma peneira que retém impurezas antes de atingir a serpentina. O sistema garante maior segurança ao evitar o uso de facas para abertura do coco. Além disso, pode ser acoplado a um carrinho com rodas, permitindo transporte de grande quantidade de cocos e acessórios, facilitando a comercialização em pontos de venda variados. As principais vantagens são: refrigeração imediata, baixo custo, fácil instalação, higiene, mobilidade e rapidez no atendimento. Trata-se de uma solução inovadora que substitui métodos convencionais (imersão em gelo ou refrigeração integral do fruto), que exigem muito espaço, tempo e custos elevados. O invento promete atender tanto vendedores quanto consumidores, fornecendo água-de-coco gelada, pronta para consumo, em condições práticas, seguras e acessíveis
A partir da invenção do Coco Express, o comércio da água-de-coco, passou a ser uma atividade comercial devidamente legalizada e dinâmica, tornado-se um segmento empresarial. O COCO EXPRESS, possibilitou a introdução do comercio de água-de-coco, em diversos ninchos do mercado. Quem poderia imaginar algum vendedor de coco, dentro de um Shopping Center, com facão em punho, pronto para abrir o fruto e entrega-lo ao consumidor? Por ser de fácil operação, além de não oferecer risco ao consumidor , o Sistema Coco Express foi e continua sendo um grande sucesso. Desde o lançamento, a Vertbelo colocou no Mercado Brasileiro 2200 unidades/máquinas COCO EXPRESS., perfazendo o total de aproximadamente 800 licenciados.
Quando o casal Maria Lélia Lisboa Belo e Eduardo Bretas decidiu investir no negócio de água de coco, há sete anos, não imaginou os transtornos que o sucesso traria. Ao ser demitido do cargo de superintendente de engenharia da Gillette, em Manaus, Bretas e Maria Lélia mudaram-se para Curitiba com os cinco filhos, dispostos a concretizar o sonho de criar um sistema exclusivo e inovador de extração de água de coco. Bretas trabalhou um ano e meio no projeto da máquina e registrou-a no INPI por intermédio de um escritório de patentes. Em 1997, com o protocolo do registro, que tem a mesma validade do documento definitivo, escolheu a fábrica para fazer o protótipo. Sem estrutura adequada, o fabricante foi orientado por Bretas e, com o dinheiro investido pelo casal, modernizou sua indústria.
"Queríamos terceirizar a fabricação para evitar despesas iniciais. Com o registro da máquina de extração de água de coco no INPI, achávamos que estávamos protegidos contra a pirataria e poderíamos tirar os vendedores de coco do comércio marginal, levando-o a outros espaços, como shoppings", conta Maria Lélia. A fábrica escolhida por Bretas passou quatro anos produzindo o maquinário vendido aos franqueados da rede Coco Express, fundada pelo empresário e sua mulher. Cada máquina custava R$ 2,7 mil para o casal e era revendida ao franqueado por R$ 3,2 mil. A fábrica produzia, em média, de 60 a 90 máquinas por mês. Até que, desrespeitando a exclusividade e a patente do cliente, a indústria começou a comercializar a máquina para outros interessados, por preço inferior. Logo outras fábricas começaram a produzir o equipamento, inclusive com peças de qualidade inferior, que colocam em risco a saúde do consumidor de água de coco. Que garantias, afinal, tem o pequeno empresário que investe no sonho? A proporção, hoje, é de seis cópias para cada equipamento original no mercado. Para não falirmos por causa da pirataria, tivemos que ampliar a empresa, fabricando, nós mesmos, as máquinas de coco, produzindo para pizza e peças em fibra para a construção civil. A pirataria por aqui só é combatida quando prejudica multinacionais. Os verdadeiros empreendedores, brasileiros criativos e com poucos recursos, estão desprotegidos", desabafa a empresária.
Referências:



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