domingo, 26 de outubro de 2025

#222 UNICAMP 102015015356 COMPOSIÇÃO E FORMULAÇÃO FARMACÊUTICA PARA TRATAMENTO OCULAR NÃO INVASIVO

102015015356 COMPOSIÇÃO E FORMULAÇÃO FARMACÊUTICA PARA TRATAMENTO OCULAR NÃO INVASIVO

Depósito: 25/06/2015

Destaque:  licenciada para a M. Lopes de Faria Oftalmologistas Associados LTDA.

Inventor:   JACQUELINE MENDONÇA LOPES DE FARIA / MARIA HELENA ANDRADE SANTANA / MARIANA APARECIDA BRUNINI ROSALES / ALINE BORELLI ALONSO

Titular:   UNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS - UNICAMP (BR/SP)

A presente invenção, registrada sob a patente BR 102015015356-2, trata de uma composição e formulação farmacêutica para prevenção e tratamento ocular não invasivo, sendo aplicada no campo da oftalmologia. O objeto principal é oferecer uma solução para a prevenção e tratamento da retinopatia diabética (RD), substituindo tratamentos atuais invasivos, como fotocoagulação a laser e injeções intravítreas. A invenção propõe um colírio capaz de permear as barreiras oculares e atingir a retina. A composição farmacêutica ocular compreende principalmente Tempol oxidado com concentração de 1 mM, encapsulado em lipossomas convencionais flexíveis, contidos em um veículo de solução salina. Os lipossomas devem ter um diâmetro médio variável entre 50 e 200 nm, preferencialmente entre 50 e 100 nm, e são compostos por fosfatidilcolina de ovo (EPC), preferencialmente com concentração de 2 mM. A formulação preferencial compreende especificamente Tempol oxidado 1 mM em lipossomas flexíveis de 60 nm, utilizando EPC 2 mM e solução salina. O processo de produção dos lipossomas é considerado uma vantagem crucial, pois é simples, controlado e escalonável, permitindo sua implementação no setor industrial, ao contrário de tecnologias prévias. O Tempol encapsulado atua protegendo a retina através da prevenção do estresse oxidativo nas fases precoces da RD. Formulações preferenciais (NT4 e NT5) foram selecionadas com base em sua baixa citotoxicidade (inferior a 10% de morte celular) e sua capacidade de permeação através da monocamada de células do epitélio pigmentado da retina (in vitro). Em ensaios in vivo em ratos diabéticos hipertensos, o tratamento tópico com o colírio NT4 demonstrou ser eficaz ao prevenir a disfunção retiniana, mantendo a amplitude da "onda b" no eletrorretinograma (ERG). Adicionalmente, o NT4 preveniu o aumento de marcadores precoces da RD, como a formação de nitrotirosina e a expressão da proteína GFAP. A invenção oferece, assim, um método tópico, simples e eficaz para prevenir marcadores precoces da RD.


Atualmente, 13 milhões de brasileiros convivem com diabetes, representando 6,9% da população, e uma das complicações mais graves é a retinopatia diabética, que pode levar à perda total da visão devido a alterações neurais e vasculares na retina provocadas pela alta glicemia. Pesquisadoras da Faculdade de Engenharia Química (FEQ) e da Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Unicamp desenvolveram um colírio capaz de tratar e prevenir a doença, com aplicação tópica que permeia barreiras oculares sem oferecer riscos ao paciente, ao contrário de tratamentos invasivos existentes como laser, injeções intravítreas e cirurgias. A tecnologia foi licenciada em caráter não exclusivo para a SIGHT, empresa criada pela pesquisadora Jacqueline Mendonça Lopes de Faria, e já despertou grande interesse da população e de laboratórios farmacêuticos. Apesar de promissora, a formulação ainda é embrionária e requer desenvolvimento tecnológico adicional antes de ser disponibilizada em larga escala. O modelo de negócio adotado é B2B, fornecendo a tecnologia para que empresas farmacêuticas realizem testes clínicos e comercializem o colírio. Os testes iniciais em ratos diabéticos mostraram efeitos neuroprotetores na retina sem efeitos colaterais adversos, demonstrando eficiência na prevenção e tratamento da retinopatia. Pesquisadoras destacam que o colírio também tem potencial para outras doenças oculares e representa um avanço seguro e não invasivo em oftalmologia. O desenvolvimento envolve desafios como produção em escala industrial, uso de matérias-primas de alta pureza, estabilidade do produto e testes em populações maiores de animais e, posteriormente, humanos. 

O projeto contou com apoio da Fapesp e da Capes, envolvendo também a doutora Mariana Aparecida Brunini Rosales e Aline Borelli Alonso na formulação farmacêutica. O colírio deve chegar aos pacientes nos próximos anos, após aprovação regulatória e testes de segurança e eficácia no Brasil e no exterior. A expectativa é que ele seja utilizado tanto na prevenção quanto no tratamento da retinopatia diabética, oferecendo uma alternativa menos invasiva e com menor risco que os procedimentos tradicionais, consolidando-se como uma tecnologia inovadora capaz de gerar benefícios significativos à sociedade. O prêmio Empreenda Saúde e a cobertura midiática refletem o impacto da pesquisa e a relevância do investimento científico na melhoria da qualidade de vida dos pacientes. Jacqueline reforça que ainda há um longo caminho a percorrer, incluindo novos estudos, desenvolvimento tecnológico e preparação do dossiê para órgãos reguladores, mas o potencial do colírio é altamente promissor para a oftalmologia moderna.



Jacqueline Mendonça Lopes de Faria possui graduação em Medicina pela Faculdade de Ciências Médicas/UNICAMP (1990), seguido pelo programa de Residencia Médica na área de Oftalmologoia (1991-1992) e subespecilizacão em Retina e Vítreo (1993-1994). A pesquisadora transferiu-se para Boston MA para realizacão de pos-doutorado em Retina no Schepens Retina Associates, Schepens Eye Reserach Institute, Harvard Medicla School entre 1994-1996. No retorno, defendeu a tese de doutorado no programa de Clínica Médica com o tema "Retinopatia Diabética: fatores e concomitantes" Clínicas Médica pela Faculdade de Ciências Médicas/UNICAMP (2000) e participou como voluntária na orientação de residentes do Departamento de Oftalmologia da FCM, UNICAMP. Atualmente é pesquisadora colaboradora e professora participante da pós graduação da Faculdade de Ciências Médicas/UNICAMP. 



Resumo: 102015015356  A presente invenção refere-se à composição e formulação não invasiva tópica ocular composta de lipossomas de tamanho nanométrico encapsulando tempol para uso nas fases precoces da retinopatia diabética. O uso tópico da formulação de tempol em lipossomas foi capaz de prevenir marcadores precoces de retinopatia diabética (nitrotirosina e GFAP) e conseqüentemente promover efeitos protetores na retina funcional observado pelo eletroretinograma em modelo experimental de retinopatia diabética.

Referências:

https://www.inova.unicamp.br/premioinventores/edicoes/edicao-2019/

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