segunda-feira, 6 de outubro de 2025

#177 PI0406057 SEQUÊNCIA NUCLEOTÍDICA DE UM INIBIDOR DE PROTEASES DO TIPO KUNITZ OBTIDA A PARTIR CARRAPATOS

PI0406057 SEQUÊNCIA NUCLEOTÍDICA DE UM INIBIDOR DE PROTEASES DO TIPO KUNITZ OBTIDA  A PARTIR CARRAPATOS 

Depósito: 15/09/2004

Destaque: destaque no 22º Congresso Internacional da Sociedade de Trombose e Hemostasia, realizado em Boston (EUA)

Inventor: ANA MARISA CHUDZINSKI TAVASSI / DURVANEI AUGUSTO MARIA / ISABEL DE FÁTIMA CORREIA BATISTA / PAULO LEE HO

Titular: UNIÃO QUÍMICA FARMACÊUTICA NACIONAL S/A (BR/SP) / FUNDAÇÃO DE AMPARO À PESQUISA DO ESTADO DE SÃO PAULO - FAPESP (BR/SP) / ANA MARISA CHUDZINSKI TAVASSI (BR/SP)

Esta patente descreve a invenção de uma proteína recombinante chamada Amblyomin-X, obtida a partir de uma sequência de DNA isolada das glândulas salivares do carrapato Amblyomma cajennense. A proteína atua como um inibidor de proteases do tipo Kunitz, com capacidade de inibir o Fator X ativado, uma enzima crucial no processo de coagulação sanguínea. Além de sua ação anticoagulante, a Amblyomin-X demonstrou efeitos antitumorais significativos: induz apoptose (morte celular programada) em várias linhagens de células cancerosas, incluindo melanomas, leucemias e câncer de pulmão, mama e cólon. Em testes com animais, a proteína reduziu o crescimento de tumores, inibiu a formação de metástases e bloqueou a angiogênese (formação de novos vasos sanguíneos que alimentam o tumor).

A proteína é seletiva – age sobre células tumorais sem afetar células saudáveis – e não apresentou toxicidade em órgãos como fígado, coração e rins. Também estimula a atividade de macrófagos, melhorando a resposta imune. A invenção inclui o processo de produção da proteína em bactérias E. coli, seu uso no desenvolvimento de medicamentos antitrombóticos e anticâncer, e sua aplicação como adjuvante em quimio e radioterapia. A Amblyomin-X representa uma alternativa biológica inovadora, com menos efeitos colaterais em comparação com tratamentos convencionais.

Da saliva do carrapato-estrela, conhecida por transmitir a febre maculosa, pesquisadores do Instituto Butantan isolaram um gene que produz uma proteína com dupla função: anticoagulante e anticâncer. A suspeita inicial era de que o carrapato, sendo hematófago, possuía na saliva algo que impedisse a coagulação do sangue. Ao analisar geneticamente a glândula salivar, identificaram uma proteína similar a anticoagulantes humanos (TFPI). Introduzindo esse gene em bactérias E. coli, produziram em laboratório a proteína recombinante. Durante os testes de toxicidade, descobriram acidentalmente que a substância era letal para células tumorais, mas segura para células saudáveis. Em experimentos com camundongos portadores de melanoma, o tratamento com a proteína por 42 dias resultou na regressão completa dos tumores, além de inibir metástases.

A pesquisa, destacada internacionalmente, já teve a patente depositada e despertou o interesse de um consórcio de laboratórios farmacêuticos. No entanto, a burocracia para validar e comercializar a descoberta ainda é um obstáculo. Apesar do potencial para originar novos medicamentos antitrombóticos e anticâncer, o processo é lento e desestimulante, retardando a transformação dessa promissora pesquisa de base em um produto acessível ao público.




Ana Marisa Chudzinski Tavassi é Graduada em Farmácia e Bioquímica pela Universidade Federal do Paraná, UFPR. Mestrado e Doutorado em Ciências pela Universidade Federal de São Paulo - UNIFESP (programa de Biologia Molecular). Doutorado pelo Instituto Pasteur e INSERM (França). Realizou Pós-doutorado na Academia Nacional de Medicina de Buenos Aires (ANMBs) - Argentina. É pesquisadora científica PqC-VI do Instituto Butantan onde atua como: Diretora do Centro de Desenvolvimento e Inovação do Instituto Butantan, Diretora do CENTD: Centre of Excellence in New Target Discovery - FAPESP/GSK/IBu.


Resumo: PI0406057 Trata-se a presente invenção de um inibidor recombinante do tipo Kunitz que foi obtido a partir de um gene clonado de uma biblioteca de cDNA das glandulas salivares do Amblyomma cajennense, e o inibidor denominado Amblyomin-X apresenta massa molecular da ordem de 13.500 Da. O Amblyomin-X quando testado sobre o FXa utilizando o substrato colorimetrico especifico para o FXa, inibe o FXa e a inibição mostrou-se dependente da presença de fosfolipideos (Fosfatidilserina : Fosfatidilcolina). A atividade inibitória do Amblyomin-X foi verificada também nos testes de coagulação, sendo avaliados o tempo de tromboplastina parcial ativado (TTPA ), o tempo de protrombina (TP) e o teste PCA - pro coagulant activity assay. A presença de 7,5 uM do inibidor prolonga cerca de 3 vezes TTPA; aproximadamente 6 vezes o TP, e também prolonga cerca de 2 vezes o PCA, sendo que este ensaio foi realizado tanto na presença de fosfatidilserina : fosfatidilcolina como na presença de corpos apoptóticos (produzidos a partir de células CHO) como fonte de fosfolipídeos. O tratamento in vitro das linhagens tumorais B16F10, SW12A1, B3, L292, MCF7, HL60, K562, U937 e JURKAT com o Amblyomin-X demonstrou que o inibidor exerce um efeito apoptótico de maneira tempo e dose dependente nestas células. Nenhum efeito foi observado em células normais de fibroblastos humanos, macrófagos, neutrófilos e linfócitos. Camundongos (C57BL/6J) portadores de melanomas dorsais que receberam Amblyomin-X (1mg/kg) durante 12 dias apresentaram redução significativa da massa tumoral e do número de metastases quando comparados a um grupo de animais portadores do tumor e não tratados. Além disso, camundongos (C57BL/6J) portadores de metastases no pulmão, que foram tratados com Amblyomin-X (1mg/kg) durante 12 dias apresentaram redução no número de nódulos tumorais no parênquima pulmonar quando comparados a um grupo com tumor não tratado. O tratamento, por via subcutânea, de camundongos (C57BL /6J) portadores de melanoma, com 42 doses de Amblyomin-X (1mg/kg), mostrou que o inibidor é capaz de fazer a remissão completa do tumor, impedir metastases e não causar alterações hematológicas nos animais, mantendo o hemograma semelhante ao de um grupo de animais sadios. A análise do ciclo celular dos tumores dorsais de animais tratados com Amblyomin-X mostrou uma grande parte das células tumorais em apoptose, quiescentes e com baixa capacidade proliferativa. As células obtidas de metastases pulmonares encontram-se em grande parte na fase G2/M incapazes de se dividir. A atividade funcional de macrófagos obtidos de animais portadores de tumor dorsal e tratados com Amblyomin-X mostrou que a droga aumenta a capacidade fagocitária destes macrófagos mediada por C3B e pelo receptor FC. Assim, o Amblyomin-X além de um inibidor do FXa, também é eficaz no tratamento alvo de neoplasias malignas.

Referências: 

https://web.archive.org/web/20090817002658/http://g1.globo.com/Noticias/Ciencia/0,,MUL1265464-5603,00-PESQUISA+DO+INSTITUTO+BUTANTAN+USA+SALIVA+DE+CARRAPATOESTRELA+CONTRA+CANCER.html

https://www.linkedin.com/in/ana-marisa-chudzinski-tavassi-4246a0107/?originalSubdomain=br

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