quinta-feira, 23 de outubro de 2025

#212 UNICAMP 102013012895 PROCESSO DE ENRIQUECIMENTO DE FIO DE SUTURA COM CÉLULAS TRONCO E FIOS

102013012895 PROCESSO DE ENRIQUECIMENTO DE FIO DE SUTURA COM CÉLULAS TRONCO E FIOS

Depósito: 24/05/2013

Destaque: Prêmio Inventores Unicamp 2017

Inventor:   JOAQUIM MURRAY BUSTORFF SILVA / BRUNO BOSCH VOLPE / ÂNGELA CRISTINA MALHEIROS LUZO

Titular:   ITHAMAR NOGUEIRA STOCCHERO (BR/SP) / UNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS (BR/SP) / IBB INOVAÇÕES EM BIOTECNOLOGIA E BIOMATERIAIS LTDA (BR/SP)

Pesquisadores da Unicamp desenvolveram um fio de sutura inovador enriquecido com células-tronco mesenquimais, que surpreendeu ao promover o fechamento de 75% de uma fístula intestinal em apenas três dias em testes com animais, uma regeneração drasticamente superior aos tratamentos convencionais. A grande inovação não foi o uso das células-tronco em si, mas a metodologia patenteada de impregná-las vivas em um fio comum com o auxílio de uma cola de fibrina, criando um "remédio" sólido que é absorvido pelo organismo. Nos experimentos, essa técnica resultou em uma cicatrização média de 90% após 21 dias, com alguns animais alcançando a cura completa, um desempenho muito superior à aplicação direta das células na ferida. A tecnologia, que não apresentou sinais de rejeição e dispensa testes de compatibilidade, promete um tratamento mais simples e rápido para um problema complexo, podendo reduzir drasticamente o tempo de recuperação dos pacientes.

A invenção intitulada “Processo de Enriquecimento de Fio de Sutura com Células-Tronco e Fios” refere-se a uma tecnologia voltada à medicina regenerativa e à cicatrização avançada de tecidos, desenvolvida para aumentar a eficácia de suturas utilizadas em procedimentos cirúrgicos, especialmente em casos complexos como fístulas gastrointestinais, queimaduras e feridas de difícil regeneração, como as de pacientes com Doença de Crohn. O processo consiste em enriquecer fios de sutura com células-tronco mesenquimais, obtidas de tecido adiposo, medula óssea ou sangue de cordão umbilical, por meio da adesão celular com o uso de cola de fibrina, que garante a fixação e viabilidade das células. As etapas envolvem o gotejamento sequencial de trombina, cloreto de cálcio, células-tronco e fibrinogênio sobre o fio, seguidas de incubação em meio de cultura com soro fetal bovino por 24 horas em estufa de CO₂. O resultado é um fio de sutura biocompatível com alto potencial de regeneração tecidual, que promove a transferência eficaz das células-tronco para o local lesionado, liberando fatores de imunomodulação e acelerando a cicatrização. Testes in vivo com modelos animais mostraram que a cicatrização obtida com o fio enriquecido foi significativamente superior à de grupos tratados com sutura comum ou com injeção direta de células-tronco, atingindo até 90% de fechamento das lesões em 21 dias. A invenção representa um avanço na integração entre biomateriais e terapia celular, oferecendo um método seguro, eficiente e aplicável a diversas áreas cirúrgicas e clínicas.

Em outras pesquisas realizadas no mundo, segundo o estudo brasileiro, foram testadas a aplicação de células-tronco diretamente na ferida (Espanha), mas sem o mesmo resultado de cicatrização, e a produção de um fio semelhante (Estados Unidos), produzido por meio de outro processo, mas em quantidade limitada – na Unicamp, os pesquisadores conseguiram a adesão de células em um fio longo com trinta centímetros, aplicado após dois dias da preparação, mas há uma expectativa de que ele “sobreviva” por sete dias.

O grupo brasileiro já tinha avaliado a efetividade da capacidade de adesão de células-tronco na cola de fibrina em um projeto de iniciação científica realizado pela aluna Larissa Berbert, sob a orientação do professor Paulo Kharmandayan, do Departamento de Cirurgia da FCM, e da professora Angela Luzo, hematologista. Essa linha de investigação surgiu a partir de uma aula na disciplina de cirurgia plástica, realizada em 2005 pelo cirurgião plástico Ithamar Stocchero, que questionou a possibilidade de células-tronco aderirem ao fio de sutura.



Angela Cristina Malheiros Luzo é pesquisadora Colaboradora Senior do Instituto de Biologia da UNICAMP. Professora Permanente da Disciplina de Pós-Graduação em Ciências da Cirurgia do Departamento de Cirurgia da FCM UNICAMP. Auditora em Terapia Celular pela AABB-ABHH e tem certificação em empreendedorismo pelo Babson College em Boston, MA. Durante o período de 1988 a 2019 foi médica assistente em período integral e Diretora Médica do Serviço de Transfusão e do Laboratório de Processamento Celular (Banco de Sangue de Cordão Umbilical e Laboratório de Criopreservação de Células Tronco Hematopoiéticas) do Hemocentro Campinas/Unicamp, fez parte do grupo de transplante de fígado e implantou o Banco de Sangue de Cordão. Fez graduação em Medicina pela Faculdade de Medicina de Jundiaí, Residência de Clínica Médica nesta instituição e residência de Hematologia. Defendeu mestrado e doutorado na área de biologia e terapia celular de células tronco de sangue de cordão umbilical, pelo departamento de Clínica Médica, FCM/Unicamp. 

Anos mais tarde, o projeto da Unicamp funcionou porque, em laboratório, foi possível cultivar as células-tronco, aplicá-las no fio de sutura e, principalmente, mantê-las vivas, em quantidade suficiente, para que elas entrassem em ação na área do ferimento. Imagens captadas com a ajuda de microscópio mostram as células aplicadas aos filamentos que se entrelaçam no fio de sutura, completamente tomado pela cor verde, que marca cada uma delas, todas vivas, prontas para iniciarem o processo de cicatrização observado.



Resumo: 102013012895 A presente invenção trata-se de um processo de obtenção de fios de sutura enriquecidos com células mesenquimais. É um objeto adicional os fios obtidos e seus usos. Os fios de sutura enriquecidos auxiliam no tratamento, recuperação e cicatrização e podem ser empregados em procedimentos cirúrgicos, como por exemplo, em cirurgias plásticas e em fístulas gastrointestinais, queimaduras, fístulas em pacientes com doença de Crohn, entre outras. O fio pode ser utilizado em diversos tipos de fístulas e ainda pode ser útil em cicatrização de outros tipos de enfermidades, como, queimaduras, feridas de diabéticos, em cirurgias plásticas, entre outras

Referências:

https://www.inova.unicamp.br/premioinventores/edicoes/edicao-2017/

https://www.inova.unicamp.br/premioinventores/edicoes/edicao-2020/

https://www.inova.unicamp.br/wp-content/uploads/2020/11/download.pdf

https://exame.com/tecnologia/pesquisadores-da-unicamp-usam-celulas-tronco-para-acelerar-cicatrizacao/

https://hc.unicamp.br/noticia/2013/09/09/fio-de-sutura-com-celulas-tronco-acelera-a-cicatrizacao

https://g1.globo.com/sp/campinas-regiao/noticia/2013/09/unicamp-desevolve-tecnica-com-celulas-tronco-para-cicatrizar-feridas.html

https://unicamp.br/unicamp/ju/574/fio-de-sutura-com-celulas-tronco-acelera-cicatrizacao-de-feridas 

http://lattes.cnpq.br/7623990846595737


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