102016028096 PROCESSO DE EPOXIDAÇÃO EZIMÁTICA DE TERPENOS, COMPOSTOS EPOXIDADOS E USO DO ANTIPROLIFERATIVO
Depósito: 28/11/2016
Destaque: licenciada para R M T Tagé Biaggio Eireli – Sugarzyme
Inventor: ROSA MARIA TEIXEIRA TAGE BIAGGIO / PAULO MITSUO IMAMURA / MILTON BELTRAME JUNIOR
Titular: UNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS - UNICAMP (BR/SP) / FUNDAÇÃO VALEPARAIBANA DE ENSINO E UNIVERSIDADE DO VALE DO PARAÍBA (BR/SP)
Esta patente BR102016028096-6 descreve um processo de epoxidação enzimática de terpenos, como monoterpenos (α e β-pinenos), sesquiterpenos (cariofileno e humuleno) e o diterpeno coronarina D, utilizando lipase imobilizada (Novozyme 435) e peróxido de hidrogênio, preferencialmente sem solvente. O processo opera em condições brandas (40-70°C), é economicamente viável, permite a reutilização da enzima e alcança altas conversões, superiores a 90% em alguns casos. Como resultado, são obtidos compostos epoxidados, incluindo três novos compostos: o humulenoperoxidiol (13), derivado do humuleno; o epóxido 19, derivado da coronarina D; e o diol 22, resultante da epoxidação do cariofileno na presença de 1,3-propanodiol. Estes novos compostos demonstraram atividade antiproliferativa significativa em testes in vitro contra linhagens de células cancerígenas, como câncer de próstata (PC-3), ovário resistente a múltiplos fármacos (NCI-ADR/RES) e câncer de cólon (HT29), com desempenho comparável ou superior ao da doxorrubicina em alguns casos. A invenção oferece uma alternativa eficiente e sustentável para a síntese de epóxidos bioativos com potencial aplicação farmacêutica.
A trajetória da pesquisadora Rosa Biaggio, ex-aluna da Unicamp, é marcada pela busca constante por inovação. Após atuar em empresas de Pesquisa e Desenvolvimento, decidiu retornar à academia para cursar doutorado em Biotecnologia no Instituto de Química da Unicamp, sob orientação do professor Paulo Imamura. Durante o doutorado, desenvolveu moléculas naturais inéditas por meio da biocatálise, o que resultou no depósito de uma patente pela Agência de Inovação Inova Unicamp, em cotitularidade com a Univap. A tecnologia consiste em um processo enzimático de epoxidação de terpenos — como Humuleno, Cariofileno e Coronarina D — utilizando enzimas como catalisadores para gerar compostos inéditos, como o Humulenoperoxidiol, o Cariofilenoperoxidiol e o Epóxido de Coronarina D. Esses compostos apresentam atividade anti-inflamatória e antiproliferativa, o que os torna promissores em tratamentos contra o câncer, permitindo usar menores doses para eliminar células malignas e reduzir efeitos colaterais. O processo sustentável se diferencia da catálise química convencional por ser livre de solventes, gerar menos resíduos, demandar menos energia e ser mais econômico em escala industrial. Os testes in vitro realizados no CPQBA/Unicamp demonstraram eficácia contra cânceres de próstata, colorretal, ovário resistente a fármacos e leucemia, e a próxima etapa envolve testes in vivo e ensaios clínicos. Reconhecendo o potencial de sua pesquisa, Rosa fundou, em 2014, a empresa Sugarzyme, voltada à aplicação e comercialização da tecnologia, unindo ciência, inovação e empreendedorismo.
Rosa Maria Teixeira Tage Biaggio possui graduação em Farmácia e Bioquímica pela Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto, Universidade de São Paulo (1982), mestrado em Fitoquímica/Produtos Naturais e Quimiossistemática pela Universidade Federal de São Carlos (1985) e doutorado em Biotecnologia (Biocatálise), Síntese Orgânica e Produtos Naturais pela Universidade Estadual de Campinas (2015). Possui onze patentes de novos insumos e artigos publicados. Atualmente é Diretora Executiva e Fundadora da empresa SUGARZYME, uma start up de Biotecnologia cujo foco é desenvolver produtos sustentáveis, para as áreas Farmacêutica e Cosmética, a partir de resíduos agroindustriais (Biomassa).
Resumo: 102016028096 A presente invenção se refere ao processo de epoxidação enzimática de terpenos utilizando lipase e peróxido de hidrogênio, compostos epoxidados e o uso dos compostos como agente antiproliferativo. A epoxidação enzimática foi realizada na presença de uma lipase imobilizada comercial e de peróxido de hidrogênio, sem a utilização de solventes ("solvent free") e a baixas temperaturas. O rendimento da conversão foi acima de 90%. Os compostos obtidos apresentaram atividade antiproliferativa.
Referências:
https://www.inova.unicamp.br/premioinventores/edicoes/edicao-2020/
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