p. 8746/1881 AEROSTATO DIRIGÍVEL
Depósito: 27/04/1929
Destaque: Pioneiro da construção civil
Inventor: Amadeu Oliveira Coimbra, Ernest August Boeckmann, Antônio de Góis Cavalcanti
Titular: A. O. Coimbra & Cia (BR/PE)
O cobogó (muitas vezes escrito popularmente como “combogó”) é um elemento arquitetônico tipicamente brasileiro, criado com a finalidade de permitir a ventilação e a iluminação natural de ambientes internos, ao mesmo tempo em que oferece privacidade e proteção solar. O nome “cobogó” vem da combinação das iniciais dos sobrenomes de seus criadores: o comerciante português Amadeu Oliveira Coimbra, o comerciante alemão Ernest August Boeckmann e o engenheiro brasileiro e ex-prefeito do Recife, Antonio de Góis Cavalcanti que atuavam em Recife (PE) na década de 1920. O cobogó foi inspirado nos muxarabis, biombos geralmente feitos de madeira que os árabes usavam para dividir os espaços internos. Eles desenvolveram o cobogó para atender às necessidades do clima quente e úmido do Nordeste brasileiro, buscando uma solução simples, funcional e esteticamente agradável para a arquitetura local.
O cobogó é um bloco vazado, tradicionalmente feito de cimento, mas que também pode ser produzido em cerâmica, vidro, argila ou até metal. Suas principais funções são: Permitir a ventilação cruzada, ajudando a resfriar os ambientes naturalmente; Filtrar a luz solar, reduzindo o calor e a incidência direta de raios solares; Garantir privacidade, pois o desenho vazado impede a visão direta para o interior; Valor estético, com seus variados formatos geométricos e artísticos, integrando o visual moderno e regional. O cobogó é amplamente utilizado em: Fachadas de prédios e casas; Muros e divisórias internas; Áreas de serviço e varandas; Corredores e pátios. Durante o modernismo brasileiro — especialmente nas décadas de 1940 a 1960 — o cobogó ganhou destaque em projetos de arquitetos como Lúcio Costa, Oscar Niemeyer e Lina Bo Bardi, tornando-se um símbolo da arquitetura tropical moderna. Hoje, o cobogó vive uma redescoberta na arquitetura contemporânea. Ele combina tradição e sustentabilidade, sendo valorizado por promover eficiência energética e conforto térmico de forma natural, sem depender de ar-condicionado. Além disso, versões atuais exploram novos materiais e cores, mantendo a funcionalidade e agregando design moderno e artístico aos projetos.
A patente se refere a um sistema de blocos de concreto perfurados em formato de “T”, denominado “Bloco Perfurado Combocó”, desenvolvido pela empresa A. O. Coimbra & Cia, de Recife-PE. A invenção propõe a substituição do tijolo comum por blocos de concreto com maior resistência, economia e rapidez na construção de paredes e muros. Os blocos são fabricados com uma mistura que inclui resíduo de carvão mineral resultante de combustão, associado a cimento Portland, podendo também utilizar uma combinação de cimento, cal e areia grossa.
Prático e funcional, o cobogó se espalhou rapidamente, especialmente porque foi adotado pelos arquitetos modernistas. A Caixa d’Água de Olinda, em Pernambuco, projetada por Luiz Nunes em 1935, foi a primeira obra moderna no Brasil a empregar esse elemento. O edifício reúne várias características marcantes da arquitetura moderna, como a planta livre e os pilotis defendidos por Le Corbusier, utilizando os cobogós para compor o fechamento da fachada. Nos anos 1950, seu uso se intensificou entre arquitetos, principalmente Lúcio Costa e Oscar Niemeyer, que exploraram o cobogó de maneira criativa em vários projetos, combinando estética moderna e funcionalidade. Entre as obras mais representativas desse período estão o Conjunto Residencial Parque Eduardo Guinle, de Lúcio Costa, e o Conjunto Habitacional Pedregulho, de Affonso Eduardo Reidy, ambos localizados no Rio de Janeiro; a Escola Estadual Professora Júlia Kubitschek, projetada por Niemeyer em São Paulo; e a Biblioteca Nacional de Brasília Leonel de Moura Brizola, também assinada por Niemeyer, na capital federal.
Dois tipos de mistura são descritos: Um com grãos de 1 mm de resíduo de carvão; Outro com grãos de 1 cm, ou ainda a alternativa com 1 volume de cimento, 1 de cal e 5 de areia grossa. As dimensões padrão do bloco são: Comprimento: 0,50 m Altura: 0,50 m Espessura: 0,05 m A “perna” do T mede 0,10 m x 0,05 m x 0,50 m. O sistema permite o emprego dos blocos em duas, quatro ou mais filas, criando espaços vazios que melhoram o isolamento e a leveza da estrutura. As juntas devem ser desencontradas, tanto na horizontal quanto na vertical, para garantir estabilidade. Os testes de laboratório atestaram resistência à compressão de aproximadamente 126,9 kg/cm², igual ou superior à do tijolo comum. A invenção visa principalmente construções econômicas, com vantagens no custo de aquisição por metro cúbico e na velocidade de execução.
Resumo: patente 18431. Os blocos perfurados "Combogos" a que se refere esta relatório, foram inventados para substituir, com vantagem, o tijolo de argila comum não só quanto é resistência como quanto ao preço de aquisição e ao modo especial pelo qual serão dispostos na construção de muros e paredes, permitindo grande segurança, rapidez e economia na sua aplicação.
Referências:
https://pt.wikipedia.org/wiki/Ant%C3%B4nio_de_G%C3%B3is
https://rede98.com.br/98/colunistas/cobogo-o-elemento-brasileiro-que-conquistou-o-mundo/
https://www.archdaily.com.br/br/768101/cobogo
https://strutturare.com.br/cobogo-historia/
https://dnaconstrutora.com.br/postagem/a-historia-do-cobogo
https://pt.wikipedia.org/wiki/Cobog%C3%B3
INPI, Invenções no Brasil imperial e republicano, Rio de Janeiro: INPI, 2025, p. 282-292
Agradeço ao DIRPA/COGIT/DPCIT pela digitalização do documento de patente em outubro de 2025


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