PI0401186 FORMULAÇÃO DE MEDICAMENTO NA FORMA DE COLÍRIO DE INSULINA PARA OLHO SECO
Depósito: 01/04/2004
Destaque: licenciado para Incrementha PD&I
Inventor: Eduardo Melani Rocha / Antonio Carlos Boschero / Daniel Andrade da Cunha / Everardo Magalhães Carneiro / Lício Augusto Velloso / Mário José Abdalla Saad
Titular: Universidade Estadual de Campinas - Unicamp (BR/SP)
Esta patente descreve uma formulação inovadora de colírio contendo insulina para o tratamento da síndrome do olho seco. Desenvolvida pela UNICAMP, a invenção visa suprir a deficiência de fatores tróficos naturalmente presentes na lágrima, que se encontram reduzidos nessa condição. A insulina, um potente hormônio anabólico, atua localmente na superfície ocular promovendo o metabolismo celular, o consumo de glicose, a proliferação celular e a restauração de atividades celulares deprimidas. A formulação é apresentada em quatro versões principais, que incluem insulina combinada com outros componentes como ácido bórico (que atua como conservante suave e tampão), agentes viscosificantes (metilcelulose ou hialuronato de sódio) para aumentar a persistência do produto no olho e, em uma das versões, albumina para potencial estabilização da insulina. Todas as formulações são equilibradas para um pH fisiológico de 7,4 e o produto final deve ser armazenado refrigerado a 4°C, com uma vida útil de 30 dias. A aplicação recomendada é de 3 a 6 vezes ao dia no(s) olho(s) afetado(s). O colírio tem como objetivo melhorar a reepitelização, minimizar metaplasias da conjuntiva, ceratite e defeitos epiteliais da córnea, restaurando assim o equilíbrio metabólico da superfície ocular de forma mais eficaz do que as lágrimas artificiais convencionais, que geralmente não contêm esses fatores ativos.
A UNICAMP assinou um contrato de licenciamento de tecnologia com a empresa farmacêutica Incrementha PD&I, marcando a primeira parceria do gênero sob a nova Lei de Inovação. O acordo, com duração de 20 anos (período de validade da patente), concede à empresa o direito exclusivo de explorar comercialmente um colírio à base de insulina. O medicamento, desenvolvido pelo oftalmologista Eduardo Melani Rocha sob a orientação do professor Lício Velloso, é indicado para o tratamento da síndrome do olho seco e lesões oculares. A patente descreve uma formulação inovadora que, aplicada localmente, distribui-se pelos tecidos oculares, aumentando o metabolismo celular e restaurando a atividade das células, que ficam deprimidas pela redução de fatores tróficos na lágrima.
A expectativa é que o produto chegue ao mercado em até cinco anos, caso as pesquisas finais confirmem sua eficácia. O contrato estabelece o pagamento de royalties de 4% sobre o faturamento anual até R$ 15 milhões, e 2% sobre o excedente. Mário Souto, diretor da Incrementha, destacou o profissionalismo da estrutura de inovação da UNICAMP (INOVA) no processo, embora o cumprimento das exigências do edital – especialmente a comprovação da qualificação econômico-financeira da recém-criada empresa, que depende de suas controladoras Biolab e Eurofarma – tenha sido trabalhoso.
O principal desafio agora é a industrialização do colírio, que envolve superar questões de estabilidade da insulina, desenvolver a embalagem adequada e selecionar conservantes. O diretor técnico Henri Suzuki estima um investimento inicial de cerca de R$ 100 mil para essa fase, seguido por novos testes em animais (com custo similar) e, posteriormente, ensaios clínicos com pacientes, que podem demandar R$ 1,5 milhão e mais um ano e meio de trabalho. O produto interessa à Incrementha para complementar as linhas existentes de suas empresas parceiras, com uma expectativa de faturamento considerada modesta.
Eduardo Melani Rocha é Graduado em Medicina pela Universidade Estadual de Campinas (1991) e doutorado em Clínica Médica pela Universidade Estadual de Campinas (2000). Atualmente é Professor Titular da Universidade de São Paulo (FMRP-USP). Na Medicina, atua em Oftalmologia, e em pesquisas nos temas: glândula lacrimal, superfície ocular, olho seco, insulina, distúrbios hormonais, terapia gênica e síndrome de Sjögren. Entre 1995 e 1997 fez "research fellowship" no Schepens Eye Research Institute/Harvard Medical School. Em 2011 concluiu pós-doutorado no NIH onde estudou a aplicação de terapia gênica para doenças da glândula lacrimal e da superfície ocular. É professor do programa de pós-graduação de Oftalmo, Otorrino, CCP e Fono da FMRP-USP, foi editor chefe dos Arquivos Brasileiros de Oftalmologia (ABO) entre 2017 e 2023 e chefe do Departamento de Oftalmologia, Otorrinolaringologia e Cirurgia de Cabeça e Pescoço da FMRP-USP entre 2016 e 2019.
Resumo: PI0401186 Nova formulação de um medicamento na forma de colírio, para ser aplicado localmente em indivíduos com olho seco, que devido as suas características permite a sua distribuição entre os tecidos da superfície ocular, aumentando o metabolismo celular e a restauração da atividade dessas células, antes deprimida pela carência de fatores inotrópicos que foram cronicamente reduzidos era virtude do menor carreamento, decorrente da diminuição da lágrima.
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