PI8705060 ANEL PARA IMPLANTE CORNEANO INTRAMELAR NA CORREÇÃO DE AMETROPIAS
Depósito: 25/08/1987
Destaque: Prêmio FINEP Inventor Inovador 2006 Nacional
Inventor: Paulo Ferrara de Almeida Cunha
Titular: Instituto Brasileiro de Microcirurgia Ocular (BR/MG)
O professor e oftalmologista Paulo Ferrara de Almeida Cunha, de 51 anos, da Universidade Federal de Minas Gerais, desenvolveu uma técnica inovadora para o tratamento do ceratocone. Essa doença, de caráter hereditário e que afeta principalmente indivíduos dos 12 aos 30 anos, causa o afinamento e a deformação progressiva da córnea, podendo resultar em cegueira. Até então, a única solução disponível para esses casos era o transplante de córnea. Com sua invenção, que consiste no implante de dois microanéis de acrílico, o Dr. Ferrara criou uma alternativa que pode evitar o transplante ou, nos quadros mais avançados, adiá-lo por um tempo significativo. O dispositivo, conhecido como Anel de Ferrara, é uma órtese formada por dois segmentos semicirculares de espessuras variadas e 5 mm de dimetro, fabricada em Perspex CQ Acrílico – material biocompatível, já utilizado há mais de duas décadas em lentes intraoculares e com alto grau de tolerância pelo organismo, sem riscos de rejeição.
A ideia de implantes intracorneanos não é recente: remonta aos anos 1950, com Barraquer, com o intuito de contornar problemas de cicatrização e elasticidade da córnea que afetavam a previsibilidade das cirurgias refrativas. O anel corneano intraestromal, uma evolução dessa técnica, foi desenvolvido nos anos 1960 por Blavatskaya, na Rússia, mas só nas décadas seguintes passou a ser aplicado também para corrigir miopia. Diferente de outras abordagens, o Anel de Ferrara preserva a estrutura original da córnea, mantendo intacta sua zona óptica central. Além disso, conserva a asfericidade positiva do olho, o que melhora o desempenho visual, reduzindo halos e reflexos luminosos e melhorando a acuidade visual noturna. As pesquisas para o desenvolvimento do anel começaram em 1986, quando o Dr. Ferrara criou um protótipo em PMMA, de pequeno diâmetro e secção triangular, destinado a ser implantado no terço anterior do estroma corneal. Testes realizados em coelhos demonstraram, após doze meses de observação, excelente tolerância do tecido, sem nenhum caso de extrusão do implante.
O prof Ferrara explica: "Inspirados nos estudos pioneiros de Barraquer e Blavatskaya, iniciamos em 1986, um trabalho de pesquisa de implantes intra-corneanos junto ao Departamento de Oftalmologia da Universidade Federal de Minas Gerais. Esta pesquisa pioneira, realizada em cobaias animais, tinha como objetivo estudar a segurança e eficácia de implantes intra-corneanos para correção de altas miopias e astigmatismos. Inicialmente, estudamos a hipótese de que o polimetilmetacrilato (PMMA), polímero utilizado há décadas na confecção de lentes intra-oculares era bem tolerado no ambiente intra-corneano. A hipótese foi confirmada por estudos histológicos realizados em olhos de coelhos sacrificados após 12 meses do implante de órteses de PMMA no estroma corneano."
O prof Ferrara comenta: "Nossos primeiros pacientes implantados incluíam indivíduos com córneas bastante comprometidas por altos astigmatismos irregulares secundários a ceratoplastias penetrantes e ceratotomias radiais prévias, que eram encaminhados ao Departamento de Oftalmologia da UFMG (Hospital São Geraldo) para receberem transplantes de córneas. Mesmo nesses pacientes cuja regularidade corneana era altamente comprometida, observamos boa tolerância à órtese e um resultado de correção refrativa benéfico e estável. O acompanhamento destes pacientes por um período de 02 anos confirmou definitivamente que o PMMA é bem tolerado no estroma corneano, e que o anel corneano intra-estromal produz além de um aplanamento e conseqüente redução do componente eférico uma importante regularização da morfologia corneana.
Verificamos, contudo, a baixa previsibilidade da correção refrativa planejada, a partir do que desconsideramos a aplicabilidade do implante de anel corneano intra-estromal com objetivo de correção essencialmente refrativa, sobretudo pelo advento da correção visual por excimer laser que oferece melhor previsibilidade refrativa. Contudo, a constatação de que nosso anel era bem tolerado mesmo em córneas comprometidas por cirurgias prévias, bem como a propriedade do implante de regularizar distorções existentes no centro da córnea (eixo visual), sugeria a aplicabilidade do implante em córneas acometidas por ceratocone em pacientes intolerantes às lentes de contato.
Em 1996, implantamos experimentalmente um anel intra-corneano de PMMA para correção do ceratocone em paciente com indicação para transplante de córnea. O resultado cirúrgico foi extremamente favorável, verificando-se uma importante correção ortoceratológica que permitiu uma acentuada melhora da acuidade visual e a correção do erro refracional residual com óculos. Desde então, temos dedicado todo nosso esforço e recursos científicos, profissionais e pessoais ao estudo da segurança e eficácia de implantes corneanos intra-estromais para correção de irregularidades corneanas, sobretudo no ceratocone, culminando no desenvolvimento do implante e técnica que denominamos "Anel de Ferrara"."
Atualmente Paulo Ferrara é também empresário. A Ferrara Ophthalmics é uma das 13 empresas instaladas na incubadora da Fundação Biominas e está produzindo o anel, comercializado no Brasil e no exterior. Há um ano instalada na Biominas, a empresa capacitou 100 médicos no Brasil, Argentina, Portugal e China para a implantação do anel. O anel é produzido de acordo com a demanda, hoje em torno de 50 unidades/mês, ao preço de US$ 500 cada. O médico Paulo Ferrara espera capacitar mais 200 oftalmologistas até o fim do ano e ampliar a produção para 2 mil unidades/ano. Ainda sem data prevista, ele acredita que não deve demorar muito para que sua empresa saia da incubadora e siga seu próprio caminho. O produto da sua empresa é inovador, sem similar no Brasil e no exterior, e tem patente brasileira. Na foto, José Alencar cumprimenta Paulo Ferrara, vencedor do Prêmio FINEP na categoria inventor inovador Finep 2006
A invenção refere-se a um "Anel para Implante Corneano Intramelar na Correção de Ametropias", um artefato óptico destinado principalmente à correção de miopias e outros erros de refração. Seu princípio de funcionamento baseia-se na modificação da curvatura anterior da córnea, alterando seu poder dióptrico. O dispositivo consiste em um anel fabricado de material sólido ou gelatinoso, biocompatível e inerte, como acrílico, silicone ou resinas similares, para garantir a segurança do tecido corneal. As dimensões do anel, especificamente seu diâmetro e espessura, são parâmetros críticos e variáveis, projetados de acordo com a quantidade de correção visual desejada. Anéis mais largos e mais finos produzem uma alteração menor na curvatura, enquanto anéis mais estreitos e mais espessos resultam em uma modificação maior. O invento supera limitações de implantes anteriores, como os de polissulfona fenestrados ou lentes gelatinosas, que frequentemente interferiam no metabolismo corneal e eram expelidos ("extrusados") após algum tempo. Uma vantagem crucial deste anel é a sua capacidade de assegurar o metabolismo normal da córnea, promovendo sua integridade fisiológica. A técnica de implantação descrita envolve a criação de um "saco" dentro das camadas da córnea (estroma), através de uma incisão e uma delicada dissecação, onde o anel é posicionado com precisão no eixo visual. Alternativamente, a invenção prevê a possibilidade de o anel ser injetado na forma de material fundido, líquido ou gel, que subsequentemente solidifica in situ, adquirindo a consistência rígida ou flexível necessária. O formato do implante pode variar, incluindo o de uma calota esférica vazada ou de anéis esféricos concêntricos de diferentes diâmetros interconectados. O objetivo final é proporcionar uma correção visual segura e eficaz para altos graus de miopia, eliminando ou reduzindo a dependência de óculos ou lentes de contato.
Referências:
https://coioftalmologia.com.br/blog/ceratocone-e-crosslinking/anel-de-ferrara-tudo-o-que-voce-precisa-saber/



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