quarta-feira, 29 de outubro de 2025

#234 UNICAMP PI1004278 EQUIPAMENTO DESTRUIDOR DE SOQUEIRAS PARA CULTURAS SEMI-PERENES E ANUAIS

PI1004278 EQUIPAMENTO DESTRUIDOR DE SOQUEIRAS PARA CULTURAS SEMI-PERENES E ANUAIS

Depósito: 20/05/2010

Destaque:  licenciado para JIMA PARTICIPAÇÕES E CONSULTORIA EM GESTÃO EMPRESARIAL LTDA

Inventor:  Daniel Albiero / ANTONIO JOSÉ DA SILVA MACIEL

Titular:  UNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS - UNICAMP (BR/SP)

A Faculdade de Engenharia Agrícola (Feagri) da Unicamp desenvolveu um equipamento destruidor de soqueiras, destinado a eliminar restos culturais agrícolas como raízes e restevas, contribuindo para processos mais eficientes e sustentáveis na agroindústria. A patente foi concedida à Unicamp pelo INPI em 2017 e licenciada em 2021 à empresa Jima Consultoria e Gestão Empresarial, com mediação da Agência de Inovação Inova Unicamp. Os inventores são os professores Daniel Albiero e Antonio José da Silva Maciel (falecido em 2016). A diretora de Parcerias da Inova, Iara Ferreira, destacou o papel técnico de Albiero na negociação do licenciamento, que ocorreu de forma rápida e segura.

O equipamento é acoplado a tratores e atua após a colheita, destruindo raízes e restevas em culturas como cana-de-açúcar e algodão, evitando competição por nutrientes, proliferação de pragas e doenças. O sistema realiza a destruição apenas na superfície, preservando o solo e reduzindo custos, tempo e consumo de energia. Segundo Albiero, o uso da tomada de potência (TDP) do trator garante eficiência energética de até 98%, frente a 50% em sistemas convencionais. Além da versão original, já licenciada, há variações do projeto voltadas a semeadura, plantio de mudas e distribuição de fertilizantes e corretivos. O equipamento também descompacta o solo, melhora a infiltração de água e reduz erosões.

A tecnologia vem sendo objeto de estudos e publicações internacionais — em revistas como Agrociencia (México), African Journal of Agricultural Research e Spanish Journal of Agricultural Research — que avaliam seus impactos e desempenho. A parceria com a Jima resultou ainda em um convênio para desenvolver uma nova versão da máquina, apoiado por R$ 150 mil do Programa Catalisa/Sebrae, com o objetivo de criar uma startup conjunta entre a empresa e os pesquisadores, sob a coordenação do professor Cezário Benedito Galvão da Feagri.

A invenção intitulada “Equipamento destruidor de soqueiras para culturas semi-perenes e anuais”, desenvolvida na Feagri/Unicamp, consiste em uma máquina agrícola acoplável ao trator, projetada para eliminar restos culturais do solo — como raízes e restevas — após a colheita. O sistema é composto por uma barra porta-ferramentas que sustenta unidades destruidoras independentes, cada uma equipada com fresas verticais, discos de corte e lâminas roçadoras, acionadas mecanicamente pela Tomada de Potência (TDP) do trator. Cada unidade possui um chassi pantográfico com sistema de quatro barras, que permite acompanhar o relevo do solo, garantindo destruição uniforme e mínima compactação. O equipamento é ajustável em altura e modo de transporte por sistema hidráulico de rodas, sendo indicado para culturas como cana-de-açúcar e algodão, nas quais a remoção das soqueiras é essencial para evitar competição por nutrientes, proliferação de pragas e redução de produtividade. Seu uso proporciona eficiência energética de até 98%, diminui o número de operações agrícolas, reduz custos, consumo de combustível e erosão, além de melhorar a infiltração de água e preparar uma cama de sementes adequada para o novo plantio. A invenção apresenta ainda versões adaptáveis para semeadura, plantio de mudas e distribuição de fertilizantes e corretivos, representando uma solução sustentável e tecnicamente inovadora para o manejo de solo e replantio em culturas semi-perenes e anuais.



Resumo: PI1004278 Trata-se de um equipamento destruidor de soqueiras para culturas semi-perenes e anuais. Esta invenção é formada por uma barra porta ferramentas (1) que suporta unidades de destruição de soqueiras (8) cada uma constituída principalmente por uma fresa vertical (33) acionada mecanicamente pela Tomada de Potência (TDP) do trator, e por um disco de corte (3) de resíduos e lâminas roçadoras acopladas à unidade (8). Cada unidade (8) é independente entre si, e suportada por um chassi (31), no qual é fixado o conjunto redutor(32)/fresa(33), disco de corte (3) de resíduos superficiais e lâminas roçadoras (34). Este chassi (31) tem ação pantográfica através de um sistema de quatro barras(30) para acompanhamento do perfil do solo. Esta máquina é acoplada ao trator através da barra de tração, a regulagem de altura de trabalho e a configuração de transporte é realizada através de rodas (4 e 6) acionadas hidraulicamente.O destruidor de soqueiras para culturas semi-perenes e anuais tem um peso estimado de 1400 kg e potência estimada para operação de 15 cv por unidade destruidora de soqueiras (8), no exemplo apresentado com 6 unidades, um trator de 100 cv, com controle remoto hidráulico tem total capacidade de operar a invenção.

Referências:

https://www.cimm.com.br/portal/noticia/exibir_noticia/22456-tecnologia-unicamp-destruidora-soqueiras-beneficia-plantio-algodao-cana

#233 ZASSO 112019020016 DISPOSITIVO DE DESATIVAÇÃO DE ERVAS DANINHAS

112019020016 DISPOSITIVO DE DESATIVAÇÃO DE ERVAS DANINHAS

Depósito: 27/11/2017

Destaque:  acordo da Unicamp com a Zasso

Inventor:  SERGIO DE ANDRADE COUTINHO FILHO / JOSE ANTENOR POMILIO / BRUNO VALVERDE / DIEGO TERUO MENDES DE SOUZA

Titular:  ZASSO GROUP AG (CH)

A invenção intitulada “Dispositivo de Desativação de Ervas Daninhas” (BR 112019020016-9), de titularidade da Zasso Group AG, descreve um sistema eletrônico para eliminar ervas daninhas sem o uso de herbicidas químicos, empregando correntes elétricas controladas que provocam a eletrocussão seletiva das plantas indesejadas. O dispositivo utiliza eletrodos alimentados por inversores eletrônicos em ponte-H, que convertem corrente contínua em alternada de onda retangular com frequências acima de 1 kHz, controladas por modulação de largura (PWM) e densidade de pulso (PDM). Essa tecnologia substitui os sistemas elétricos convencionais de baixa frequência (50-65 Hz), reduzindo peso, tamanho e consumo de energia, além de permitir ajuste dinâmico de tensão e corrente conforme a resistência elétrica planta-solo. O sistema incorpora capacitores de amortecimento e unidades de pré-carga que evitam picos de corrente e superaquecimento. Pode ser instalado em veículos móveis ou autônomos, como tratores, drones ou robôs agrícolas, equipados com sensores ópticos, espectroscópicos, térmicos, de radar, ultrassom e GPS, capazes de identificar e mapear as ervas daninhas e distinguir as plantas úteis. A partir dos dados coletados, o sistema de controle integrado calcula e aplica a energia elétrica adequada para cada ponto, realizando a eliminação precisa e sustentável das ervas daninhas, sem afetar o solo ou culturas vizinhas. A invenção propõe, portanto, uma alternativa ecológica, eficiente e automatizada ao uso de herbicidas, combinando eletrônica de potência, inteligência sensorial e georreferenciamento para o manejo seletivo de plantas invasoras.

A Zasso Group AG, empresa suíça com origem no Brasil, desenvolveu uma tecnologia de capina elétrica que elimina ervas daninhas sem o uso de herbicidas, sem causar danos ao solo, à fauna ou à flora. O sistema utiliza corrente elétrica controlada que percorre as plantas invasoras até as raízes, erradicando-as de forma seletiva e sustentável. Segundo o co-CEO Sérgio Coutinho, a empresa realiza estudos ecotoxicológicos voluntários com instituições especializadas para garantir a segurança ambiental do processo. Esses estudos analisam os efeitos da tecnologia Eletroherb sobre organismos não alvos, como minhocas e colêmbolos, indicadores da qualidade e fertilidade do solo. Em testes de campo, amostras coletadas antes e após o uso da capina elétrica mostraram nenhuma alteração significativa na população desses organismos. O resultado se deve ao fato de que o solo, ao atuar como condutor, dissipa a energia elétrica, reduzindo a intensidade da corrente sobre pequenos seres vivos. A empresa possui diversas certificações de sustentabilidade, comprovando que a tecnologia é uma alternativa limpa e eficaz aos herbicidas químicos. Além de proteger a biodiversidade, a técnica preserva a matéria orgânica do solo, essencial para a nutrição vegetal e a produtividade agrícola. Com presença na Suíça, Brasil, Alemanha e França, a Zasso busca promover uma agricultura mais segura, eficiente e livre de químicos, combinando inovação tecnológica e responsabilidade ambiental.



A invenção é o resultado de um projeto colaborativo alinhado com as demandas do mercado, que foi licenciado em 2020, que trata de uma máquina de capina elétrica para o controle de ervas daninhas e outras plantas indesejadas no campo. O equipamento, mais eficiente que a capina manual e com menos impacto ambiental que o uso de herbicidas, foi desenvolvido pela equipe do professor José Antenor Pomilio em parceria com a Zasso Group AG, empresa especializada em soluções não químicas de gerenciamento rural. Jose Antenor Pomilio é Engenheiro eletricista (1983), mestre (1986) e doutor (1991) em Eng. Elétrica pela Universidade Estadual de Campinas. De 1988 a 1991 foi chefe do grupo de eletrônica de potência do Laboratório Nacional de Luz Síncrotron. Realizou estágios de pós-doutoramento junto à Universidade de Pádua (1993/1994 e 2015) e à Terceira Universidade de Roma (2003), ambas na Itália. Foi presidente da Associação Brasileira de Eletrônica de Potência - SOBRAEP e membro de diversas diretorias desta entidade.

Resumo: 112019020016 A presente invenção refere-se a um dispositivo de desativação de ervas daninhas que compreende pelo menos um eletrodo, por meio do qual pelo menos um eletrodo é direcionado às ervas daninhas. O dispositivo de ativação de ervas daninhas permite o controle das ervas daninhas sem a utilização de herbicidas venenosos.

Referências:

https://www.inova.unicamp.br/premioinventores/edicoes/edicao-2021/

https://www.inova.unicamp.br/2021/06/maquina-de-capina-eletrica-para-o-controle-de-ervas-daninhas-e-outras-plantas-indesejadas/

terça-feira, 28 de outubro de 2025

#232 UNICAMP 102016028096 PROCESSO DE EPOXIDAÇÃO EZIMÁTICA DE TERPENOS, COMPOSTOS EPOXIDADOS E USO DO ANTIPROLIFERATIVO

102016028096 PROCESSO DE EPOXIDAÇÃO EZIMÁTICA DE TERPENOS, COMPOSTOS EPOXIDADOS E USO DO ANTIPROLIFERATIVO

Depósito: 28/11/2016

Destaque:  licenciada para  R M T Tagé Biaggio Eireli – Sugarzyme

Inventor:  ROSA MARIA TEIXEIRA TAGE BIAGGIO / PAULO MITSUO IMAMURA / MILTON BELTRAME JUNIOR

Titular:  UNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS - UNICAMP (BR/SP) / FUNDAÇÃO VALEPARAIBANA DE ENSINO E UNIVERSIDADE DO VALE DO PARAÍBA (BR/SP)

Esta patente BR102016028096-6 descreve um processo de epoxidação enzimática de terpenos, como monoterpenos (α e β-pinenos), sesquiterpenos (cariofileno e humuleno) e o diterpeno coronarina D, utilizando lipase imobilizada (Novozyme 435) e peróxido de hidrogênio, preferencialmente sem solvente. O processo opera em condições brandas (40-70°C), é economicamente viável, permite a reutilização da enzima e alcança altas conversões, superiores a 90% em alguns casos. Como resultado, são obtidos compostos epoxidados, incluindo três novos compostos: o humulenoperoxidiol (13), derivado do humuleno; o epóxido 19, derivado da coronarina D; e o diol 22, resultante da epoxidação do cariofileno na presença de 1,3-propanodiol. Estes novos compostos demonstraram atividade antiproliferativa significativa em testes in vitro contra linhagens de células cancerígenas, como câncer de próstata (PC-3), ovário resistente a múltiplos fármacos (NCI-ADR/RES) e câncer de cólon (HT29), com desempenho comparável ou superior ao da doxorrubicina em alguns casos. A invenção oferece uma alternativa eficiente e sustentável para a síntese de epóxidos bioativos com potencial aplicação farmacêutica.

A trajetória da pesquisadora Rosa Biaggio, ex-aluna da Unicamp, é marcada pela busca constante por inovação. Após atuar em empresas de Pesquisa e Desenvolvimento, decidiu retornar à academia para cursar doutorado em Biotecnologia no Instituto de Química da Unicamp, sob orientação do professor Paulo Imamura. Durante o doutorado, desenvolveu moléculas naturais inéditas por meio da biocatálise, o que resultou no depósito de uma patente pela Agência de Inovação Inova Unicamp, em cotitularidade com a Univap. A tecnologia consiste em um processo enzimático de epoxidação de terpenos — como Humuleno, Cariofileno e Coronarina D — utilizando enzimas como catalisadores para gerar compostos inéditos, como o Humulenoperoxidiol, o Cariofilenoperoxidiol e o Epóxido de Coronarina D. Esses compostos apresentam atividade anti-inflamatória e antiproliferativa, o que os torna promissores em tratamentos contra o câncer, permitindo usar menores doses para eliminar células malignas e reduzir efeitos colaterais. O processo sustentável se diferencia da catálise química convencional por ser livre de solventes, gerar menos resíduos, demandar menos energia e ser mais econômico em escala industrial. Os testes in vitro realizados no CPQBA/Unicamp demonstraram eficácia contra cânceres de próstata, colorretal, ovário resistente a fármacos e leucemia, e a próxima etapa envolve testes in vivo e ensaios clínicos. Reconhecendo o potencial de sua pesquisa, Rosa fundou, em 2014, a empresa Sugarzyme, voltada à aplicação e comercialização da tecnologia, unindo ciência, inovação e empreendedorismo.



Rosa Maria Teixeira Tage Biaggio possui graduação em Farmácia e Bioquímica pela Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto, Universidade de São Paulo (1982), mestrado em Fitoquímica/Produtos Naturais e Quimiossistemática pela Universidade Federal de São Carlos (1985) e doutorado em Biotecnologia (Biocatálise), Síntese Orgânica e Produtos Naturais pela Universidade Estadual de Campinas (2015). Possui onze patentes de novos insumos e artigos publicados. Atualmente é Diretora Executiva e Fundadora da empresa SUGARZYME, uma start up de Biotecnologia cujo foco é desenvolver produtos sustentáveis, para as áreas Farmacêutica e Cosmética, a partir de resíduos agroindustriais (Biomassa). 

Resumo: 102016028096 A presente invenção se refere ao processo de epoxidação enzimática de terpenos utilizando lipase e peróxido de hidrogênio, compostos epoxidados e o uso dos compostos como agente antiproliferativo. A epoxidação enzimática foi realizada na presença de uma lipase imobilizada comercial e de peróxido de hidrogênio, sem a utilização de solventes ("solvent free") e a baixas temperaturas. O rendimento da conversão foi acima de 90%. Os compostos obtidos apresentaram atividade antiproliferativa.

Referências:

https://www.inova.unicamp.br/premioinventores/edicoes/edicao-2020/

#231 UNICAMP 102018077171 PROCESSO DE OBTENÇÃO DE FRAÇÕES ENRIQUECIDAS DE ATIVOS A PARTIR DO GÊNERO ARTEMISIA, FRAÇÕES ENRIQUECIDAS E, COMPOSIÇÃO BIOATIVA

102018077171 PROCESSO DE OBTENÇÃO DE FRAÇÕES ENRIQUECIDAS DE ATIVOS A PARTIR DO GÊNERO ARTEMISIA, FRAÇÕES ENRIQUECIDAS E, COMPOSIÇÃO BIOATIVA

Depósito: 26/12/2018

Destaque:  licenciada para  S DISTRIBUIDORA DE COSMÉTICOS

Inventor:  MARIA ANGELA DE ALMEIDA MEIRELES PETENATE / RENATA VARDANEGA / GISLAINE CHRYSTINA NOGUEIRA DE FARIA

Titular:  UNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS - UNICAMP (BR/SP) / S DISTRIBUIDORA DE PRODUTOS COSMETICOS (BR/SP)


Diante do cenário epidemiológico da dengue no Brasil, que registrou mais de 920 mil casos nos primeiros meses do ano, a empresa S Cosméticos do Bem, uma spin-off acadêmica da Unicamp graduada pela incubadora Incamp, está desenvolvendo um repelente inovador que se apresenta como uma medida individual de proteção. O produto, que está em fase final de testes e tem previsão de chegar ao mercado ainda este ano, é formulado com artemisinina, um bioativo extraído da planta Artemisia annua. A tecnologia de extração, sustentável e desenvolvida na Faculdade de Engenharia de Alimentos da Unicamp, emprega apenas água e CO₂ reutilizado, resultando em baixa emissão de poluentes. Diferencialmente, o repelente possui baixa toxicidade – sendo até cinco vezes menos tóxico que os componentes menos tóxicos disponíveis –, o que permite seu uso por gestantes e crianças, e ainda conta com propriedades hidratantes. A empresa, que já possui um sérum facial antienvelhecimento no mercado, aprimorou o repelente com nanotecnologia para aumentar sua durabilidade e eficácia. A trajetória da startup foi impulsionada por programas de fomento como PIPE/FAPESP, Finep e Sebrae, e pelo suporte da Inova Unicamp, visando transformar pesquisa acadêmica em soluções de mercado para o combate a arboviroses como dengue, zika e chikungunya.

A invenção descreve um processo inovador para obtenção de frações enriquecidas de bioativos a partir de plantas do gênero Artemisia, preferencialmente Artemisia annua, utilizando extração sequencial com fluido supercrítico (CO₂). O diferencial do invento reside na associação inédita de etapas sequenciais sob condições específicas de temperatura, pressão e razão solvente/alimentação (S/F), dispensando o uso de co-solventes como etanol ou metanol. O processo compreende três etapas principais: a primeira (57-65°C, 50-150 bar, S/F=4) visa obter uma fração rica em óleo volátil; a segunda (47-55°C, 250-350 bar, S/F=4,3) produz uma fração enriquecida em artemisinina; e a terceira (47-55°C, 250-350 bar, S/F=27, que é 5 a 7 vezes maior que o da etapa b) gera uma fração residual com perfil químico específico. Esta metodologia permite a obtenção seletiva de compostos de interesse, como artemisinina, deoxiartemisinina e dihidroartemisinina, com diferentes composições químicas vantajosas para aplicações industriais, principalmente nas áreas farmacêutica e cosmética. O processo é considerado verde, seguro e eficiente, superando as limitações de técnicas convencionais ao evitar o uso de colunas adsorventes e solventes adicionais, conforme demonstrado nos exemplos de concretização e estudos de escala.


Maria Angela de Almeida Meireles concluiu o doutorado em engenharia química - Iowa State University em 1982. É professora titular aposentada da Universidade Estadual de Campinas onde iniciou sua carreira como Professor Assistente Doutor em 1983. Foi Coordenadora da Área de Alimentos da CAPES (2014-2016). Recebeu 10 prêmios/homenagens, destacando-se os Prêmios CAPES-Elsevier 2014: Mulheres Cientistas, Capes de Tese 2012 e o CAPES de Tese 2011 - Menção Honrosa. Foi sócia da Bioativos Naturais Ltda, 

Resumo: 102018077171 A presente invenção descreve um processo para obtenção de frações enriquecidas de ativos a partir do gênero Artemisia, frações enriquecidas obtidas pelo dito processo e composição bioativa compreendendo fração enriquecida a partir de Artemisia. O processo utiliza extração com fluido supercrítico em que o diferencial consiste da extração de forma sequencial, em associação inédita de condições e etapas específicas com um efeito vantajoso não antes encontrado, obtendo assim frações enriquecidas de ativos com diferentes composições químicas para dada aplicação. As frações enriquecidas de ativos do gênero Artemisia e/ou sua ditas composições bioativas compreendendo fração enriquecida a partir de Artemisia obtidas possuem aplicação principalmente nos campos farmacêutico e cosmético.

Referências:

https://www.inova.unicamp.br/premioinventores/edicoes/edicao-2020/

segunda-feira, 27 de outubro de 2025

#230 PI8106674 GERADOR DE AR QUENTE UTILIZANDO RESÍDUOS ORGÂNICOS.

PI8106674 GERADOR DE AR QUENTE UTILIZANDO RESÍDUOS ORGÂNICOS.

Depósito: 16/10/1981

Destaque:  Prêmio Governador do Estado de São Paulo 1981, 1° lugar

Inventor:  Artur Zakis (BR/SP) / Atuo Sato

Titular:  Artur Zakis (BR/SP) / Atuo Sato



A presente patente de invenção descreve um "Gerador de Ar Quente Utilizando Resíduos Orgânicos", destinado à secagem de grãos por meio de ar de temperatura ajustável, visando atender principalmente pequenos e médios agricultores de zonas rurais sem eletrificação. O sistema é composto por uma unidade geradora de vapor superaquecido (3), localizada no interior de um cilindro interno (8) de uma fornalha, onde ocorre a combustão de resíduos orgânicos como lenha, bagaço de cana ou milho. A água é injetada por uma bomba de alta pressão (22) e convertida em vapor na unidade geradora, acionando um motor a vapor (18) sem caldeira, que por sua vez movimenta um ventilador (15). O ar é aspirado através de um conduto (11) e aquecido ao passar entre dois cilindros concêntricos (8 e 9), dotados de aletas (25) para melhor transferência de calor. Uma janela regulável (23) e uma porta corrediça (29) permitem controlar a mistura de ar ambiente e a temperatura de saída (14). A bomba injetora é acionada por um redutor (26) derivado do motor, com um sistema de retorno de água controlado por uma válvula de pressão (17) que atua como um acelerador, regulando a injeção de água conforme a potência desejada. A partida do sistema é feita manualmente por uma manivela (27), tornando-se automática após o início do funcionamento. A invenção destaca-se pela simplicidade construtiva, robustez e capacidade de utilizar fontes de energia locais e acessíveis, dispensando infraestrutura elétrica e reduzindo custos de investimento.




Resumo: PI8106674 A presente Invenção refere-se a um Gerador de Ar Quente que utiliza resíduos orgânicos, para obtenção de ar de temperatura ajustável para secagem de grãos. Consiste numa unidade geradora de vapor (3) que apresenta-se ou não sob a configuração helicoidal que está localizada no interior do cilindro (8) interno da fornalha, onde ocorre a combustão da fonte de energia qualquer. A água é injetada pela bomba injetora de alta pressão (22), percorrendo a tubulação (6) com entrada (1). Esta quantidade de água injetada continuamente é transformada em vapor superaquecido de alta pressão pela unidade geradora de vapor (3), que saindo por (2), percorre a tubulação (7) indo acionar o motor a vapor (18), que finalmente sai pelo escapamento (28). O eixo (16) acopla o motor a vapor (18) com o ventilador (15) que sucedona o ar através do conduto (11) já aquecido durante a sua passagem entre os dois cilindros concêntricos, um interno (8) e outro externo (9), ambos dotados de aletas em posições respectivamente alternadas (23) ao longo de seus comprimentos para aumentar a eficiência na transferência de calor. O conduto (11) possui uma janela regulável (23) para a dosagem de ar ambiente afim de obter-se uma temperatura desejada do ar pela saída (14) diretamente ligada ao silo. O motor a vapor apresenta uma faixa de rotação compatível com as especificações dos ventiladores ou pode usar redutores se necessário. A bomba injetora é acionada pela derivação do próprio motor (18) através de um redutor de velocidade de rotação (26) para diminuir a frequência de injeção. A bomba injetora possui também um sistema de retorno da água injetada em função da pressão pré-estabelecida pela válvula (17). Portanto, esta válvula de pressão (17) funciona de uma maneira análoga a um acelerador de um motor convencional, de tal forma que permite a injeção d'água proporcional à potência desejada do motor. Para dar início ao funcionamento aquece-se primeiramente a unidade geradora de vapor (3) pela combustão na fornalha (8). Injeta-se em seguida a água através da manivela manual (27) que está diretamente acoplada à bomba injetora (22). Esta água injetada transforma-se imediatamente em vapor, indo acionar o motor, e a partir deste instante, a injeção d'água torna-se automática pelo mecanismo da derivação de rotação do próprio motor. Para o caso da ventilação com o ar ambiente sem nenhum pré-aquecimento, fecha-se completamente a placa de controle (29) e abre-se o controlo manual (12).

Agradeço ao DIRPA/COGIT/DPCIT pela digitalização do documento de patente em outubro de 2025

#229 p. 18431 COBOGÓ

 p. 8746/1881 AEROSTATO DIRIGÍVEL

Depósito: 27/04/1929

Destaque:  Pioneiro da construção civil

Inventor:  Amadeu Oliveira Coimbra, Ernest August Boeckmann, Antônio de Góis Cavalcanti

Titular:  A. O. Coimbra & Cia (BR/PE)




O cobogó (muitas vezes escrito popularmente como “combogó”) é um elemento arquitetônico tipicamente brasileiro, criado com a finalidade de permitir a ventilação e a iluminação natural de ambientes internos, ao mesmo tempo em que oferece privacidade e proteção solar. O nome “cobogó” vem da combinação das iniciais dos sobrenomes de seus criadores: o comerciante português Amadeu Oliveira Coimbra, o comerciante alemão Ernest August Boeckmann e o engenheiro brasileiro e ex-prefeito do Recife, Antonio de Góis Cavalcanti que atuavam em Recife (PE) na década de 1920. O cobogó foi inspirado nos muxarabis, biombos geralmente feitos de madeira que os árabes usavam para dividir os espaços internos. Eles desenvolveram o cobogó para atender às necessidades do clima quente e úmido do Nordeste brasileiro, buscando uma solução simples, funcional e esteticamente agradável para a arquitetura local. 

O cobogó é um bloco vazado, tradicionalmente feito de cimento, mas que também pode ser produzido em cerâmica, vidro, argila ou até metal. Suas principais funções são: Permitir a ventilação cruzada, ajudando a resfriar os ambientes naturalmente; Filtrar a luz solar, reduzindo o calor e a incidência direta de raios solares; Garantir privacidade, pois o desenho vazado impede a visão direta para o interior; Valor estético, com seus variados formatos geométricos e artísticos, integrando o visual moderno e regional. O cobogó é amplamente utilizado em: Fachadas de prédios e casas; Muros e divisórias internas; Áreas de serviço e varandas; Corredores e pátios. Durante o modernismo brasileiro — especialmente nas décadas de 1940 a 1960 — o cobogó ganhou destaque em projetos de arquitetos como Lúcio Costa, Oscar Niemeyer e Lina Bo Bardi, tornando-se um símbolo da arquitetura tropical moderna. Hoje, o cobogó vive uma redescoberta na arquitetura contemporânea. Ele combina tradição e sustentabilidade, sendo valorizado por promover eficiência energética e conforto térmico de forma natural, sem depender de ar-condicionado. Além disso, versões atuais exploram novos materiais e cores, mantendo a funcionalidade e agregando design moderno e artístico aos projetos.

A patente se refere a um sistema de blocos de concreto perfurados em formato de “T”, denominado “Bloco Perfurado Combocó”, desenvolvido pela empresa A. O. Coimbra & Cia, de Recife-PE. A invenção propõe a substituição do tijolo comum por blocos de concreto com maior resistência, economia e rapidez na construção de paredes e muros. Os blocos são fabricados com uma mistura que inclui resíduo de carvão mineral resultante de combustão, associado a cimento Portland, podendo também utilizar uma combinação de cimento, cal e areia grossa.

Prático e funcional, o cobogó se espalhou rapidamente, especialmente porque foi adotado pelos arquitetos modernistas. A Caixa d’Água de Olinda, em Pernambuco, projetada por Luiz Nunes em 1935, foi a primeira obra moderna no Brasil a empregar esse elemento. O edifício reúne várias características marcantes da arquitetura moderna, como a planta livre e os pilotis defendidos por Le Corbusier, utilizando os cobogós para compor o fechamento da fachada. Nos anos 1950, seu uso se intensificou entre arquitetos, principalmente Lúcio Costa e Oscar Niemeyer, que exploraram o cobogó de maneira criativa em vários projetos, combinando estética moderna e funcionalidade. Entre as obras mais representativas desse período estão o Conjunto Residencial Parque Eduardo Guinle, de Lúcio Costa, e o Conjunto Habitacional Pedregulho, de Affonso Eduardo Reidy, ambos localizados no Rio de Janeiro; a Escola Estadual Professora Júlia Kubitschek, projetada por Niemeyer em São Paulo; e a Biblioteca Nacional de Brasília Leonel de Moura Brizola, também assinada por Niemeyer, na capital federal.

Dois tipos de mistura são descritos: Um com grãos de 1 mm de resíduo de carvão; Outro com grãos de 1 cm, ou ainda a alternativa com 1 volume de cimento, 1 de cal e 5 de areia grossa. As dimensões padrão do bloco são: Comprimento: 0,50 m Altura: 0,50 m Espessura: 0,05 m A “perna” do T mede 0,10 m x 0,05 m x 0,50 m. O sistema permite o emprego dos blocos em duas, quatro ou mais filas, criando espaços vazios que melhoram o isolamento e a leveza da estrutura. As juntas devem ser desencontradas, tanto na horizontal quanto na vertical, para garantir estabilidade. Os testes de laboratório atestaram resistência à compressão de aproximadamente 126,9 kg/cm², igual ou superior à do tijolo comum. A invenção visa principalmente construções econômicas, com vantagens no custo de aquisição por metro cúbico e na velocidade de execução.




Resumo: patente 18431. Os blocos perfurados "Combogos" a que se refere esta relatório, foram inventados para substituir, com vantagem, o tijolo de argila comum não só quanto é resistência como quanto ao preço de aquisição e ao modo especial pelo qual serão dispostos na construção de muros e paredes, permitindo grande segurança, rapidez e economia na sua aplicação.

Referências:

https://pt.wikipedia.org/wiki/Ant%C3%B4nio_de_G%C3%B3is

https://rede98.com.br/98/colunistas/cobogo-o-elemento-brasileiro-que-conquistou-o-mundo/

https://www.archdaily.com.br/br/768101/cobogo

https://strutturare.com.br/cobogo-historia/

https://dnaconstrutora.com.br/postagem/a-historia-do-cobogo

https://pt.wikipedia.org/wiki/Cobog%C3%B3

https://www.gov.br/inpi/pt-br/central-de-conteudo/noticias/inpi-lanca-livro-sobre-o-pensamento-inventivo-nas-origens-da-industrializacao-brasileira

https://g1.globo.com/pe/pernambuco/noticia/2025/12/29/cobogo-a-invencao-brasileira-de-100-anos-que-pode-ser-aliada-hoje-contra-o-calor-intenso.ghtml

INPI, Invenções no Brasil imperial e republicano, Rio de Janeiro: INPI, 2025, p. 282-292

Agradeço ao DIRPA/COGIT/DPCIT pela digitalização do documento de patente em outubro de 2025

#228 p. 8746/1881 AEROSTATO DIRIGÍVEL

p. 8746/1881 AEROSTATO DIRIGÍVEL

Depósito: 20/04/1881

Destaque:  Pioneiro da aerostação

Inventor:  Júlio César Ribeiro de Sousa

Titular:  Júlio César Ribeiro de Sousa




Bartolomeu Lourenço de Gusmão desenvolveu em 1709 o aeróstato, marco importantíssimo na história da aeronáutica universal, pois não há notícia de ninguém, antes dele, que houvesse utilizado do ar quente como elemento capaz de fazer ascender um corpo no espaço. Henry Cavendish em 1766 estuda as propriedades do hidrogênio, que de todos os gases é o menos denso e mais leve. Coube ao francês Jacques Alexandre Cesar Charles a sua utilização nos aerostatos, em substituição ao ar quente. Introduzido o hidrogênio nos aerostatos, estes celeremente tomavam o caminho dos céus. Mas os voos limitavam-se a um subir e descer monótono, a esmo, sem direção, já que o balão, como bolhas de ar, ficava à mercê dos ventos. Assistindo a um lançamento de um balão em 1783, Benjamin Franklin declarara que estes se comportavam tal um recém-nascido: esperneavam mas não se movimentavam. Ainda que dotados de motores e lemes verticais, como o balão proposto por Henry Giffard em 1852 ou por Tissandier em 1883, ainda assim não se atingia a dirigibilidade, dado ao formato fusiforme simétrico, que distribuía a pressão do ar em todos os sentidos, cancelando qualquer movimento horizontal. Segundo Fernando Medina do Amaral: "Todos estes construtores colocaram sempre suas esperanças de dar movimento e direção, na potência dos motores e supunham que a forma fusiforme simétrica deveria produzir uma diminuição importante na resistência do ar. No entanto, nenhum deles pensou um momento sequer em tornar o seu balão capaz de ter seu próprio movimento independentemente de motores, portanto todos apresentavam o defeito comum da absoluta inaptidão para o movimento".

Estavam as coisas nesta fase de expectativas quando um outro brasileiro, nascido em 1843 e natural do Pará, Júlio César Ribeiro de Souza, desenvolveu uma teoria de dirigibilidade dos balões. Em 1862, ingressa na Escola Militar no Rio de Janeiro, alistando-se como voluntário para a Guerra do Paraguai entre 1866 a 1869, retornando a Belém em 1870, quando trabalha com jornalismo e chega a escrever poesias. Neste mesmo ano se casa com Victoria do Valle. Júlio era jornalista, tendo trabalhado no O Liberal do Pará, O Diário de Belém e A Província do Pará. Segundo o Barão de Tefé, somente em 1875 é que lhe despertou o interesse pela ciência aeronáutica. Começou domesticando urubus para estudá-los de forma a servir-se deles para construir modelos como aves de madeira (buriti) a qual adicionou asas e cauda feitas de tecido de algodão esticado por varas de bambu. Construiu um aerostato em forma de charuto e aplicando dois planos laterais, formando pequeno ângulo com o eixo longitudinal, isto é, ligeiramente inclinados para baixo no extremo anterior correspondente ao maior bôjo. Com experimentos realizados numa piscina (ou um igarapé), conseguiu dar-lhe o sentido para onde estava aproado. Mergulhando o modelo no fundo de um riacho, verificou que este ao invés de subir verticalmente, como ocorre aos corpos mais leves que o meio líquido, esse modelo deslizava por baixo dágua, seguindo uma direção oblíqua à superfície, emergindo no outro extremo do riacho.




Segundo o médico Fernando Medina do Amaral: "Somente a partir de 1 de agosto de 1880 é que aparece pela primeira vez na literatura mundial (jornal A província do Pará) e a 8 de novembro de 1881 nos céus do mundo (em Paris), o balão fusiforme dissimétrico tendo a proa mais bojuda que a extremidade posterior ou popa, inventado pelo brasileiro paraense Júlio César Ribeiro de Souza, resolvendo em definitivo o problema da dirigibilidade da navegação aérea, por ter descoberto a forma aerodinâmica que deveriam ter todas as aeronaves do futuro, assim como por ter colocado em seu balão planos ou asas móveis, correspondendo essa mobilidade aos profundores dos aviões do futuro, em sentido horizontal na cauda, tal como se vê hodiernamente". A declaração parece exagerada, segundo Rodrigo Visoni "Balões dissimétricos já haviam sido propostos vários, antes do protótipo de Júlio Cézar. E o problema da dirigibilidade aérea não fica resolvido apenas pela forma aerodinâmica, mas também pelo sistema de propulsão. Na época de Júlio Cézar, os motores a vapor e elétricos eram ainda muito pouco eficazes, e qualquer sistema de dirigibilidade que utilizasse tais motores estaria fadado ao fracasso, pois a velocidade de avanço seria muito baixa. Em 1854, dois anos após o voo motorizado de Giffard, Cornu Aîné, de Nuits, Cote D’Or (França), publicou a estampa de um dirigível concebido e patenteado por ele (conforme a estampa abaixo): um balão rebocador, que deveria utilizar vapor comprimido como propulsão para puxar uma série de balões carruagens cheios de passageiros, supostamente capaz de ir de Paris a Londres em três horas. O sistema de reação a vapor empregava um fulcro no formato de sino localizado diante da proa volumosa do dirigível. Ao injetar vapor no sino e desviar o jato para trás, Cornu planejou dirigir a invenção pela movimentação dessa peça para a esquerda ou para a direita. Note que o desenho da aeronave é extremamente parecido com a de Júlio Cézar".

O desenho mostra um balão em forma de charuto com hélices e lemes, suspenso sobre uma gôndola onde há pessoas operando o sistema em formato muito próximo ao proposto por Júlio Cesar Ribeiro. Abaixo, há um cenário costeiro com um farol, navios e falésias, sugerindo o uso do dirigível para transporte ou observação marítima. O texto em francês descreve o sistema de propulsão e equilíbrio do aparelho, idealizado por Cornu Aîné, um inventor francês da região de Nuits (departamento de Côte-d’Or).  O título: Point d’appui aérien significa literalmente ponto de apoio aéreo. A proposta do inventor era criar um sistema de transporte aéreo rebocado ou autônomo, movido por hélices e controlado por uma estrutura rígida. Trata-se de uma fantasia tecnológica típica do século XIX, época em que engenheiros e sonhadores buscavam maneiras de conquistar o ar, muito antes da aviação moderna (que só se concretizaria no início do século XX). Essa e outras estampas semelhantes circularam em feiras industriais e revistas de invenções, combinando imaginação científica, arte e propaganda técnica. Em resumo, a estampa mostra um projeto visionário de dirigível do inventor Cornu Aîné, ilustrando o entusiasmo do século XIX com o voo e a mecanização do transporte aéreo.



O jornal Paraense A Constituição em sua edição de 30 de julho de 1880 publicou uma carta de Júlio César dirigida ao presidente da província do Pará, José Coelho Gama de Abreu onde declara estar convencido de ter descoberto "o ponto de apoio dos móveis mais leves que o ar" e solicita uma oportunidade para provar suas teses perante os homens da ciência. Numa matéria de 24 de outubro de 1880, no jornal A província do Pará, Júlio Cezar explica a população que sua planejada exibição de seu balão não tripulado, capaz de tomar várias direções mesmo contra o vento, não pode ser realizada por falta de material apropriado. Com uma carta de recomendação do senador Cândido Mendes, Júlio viaja em 1881 ao Rio de Janeiro para expor suas ideias ao Instituto Politécnico do Brasil. Com o apoio do Barão de Tefé são realizadas pesquisas que confirmam a novidade da forma dissimétrica do aerostato proposto por Júlio Ribeiro.

Na tese exposta ao Instituto Politécnico Júlio Ribeiro explica sua tese: "a mais atenta observação e uma série de experiências facílimas de me reproduzir me convenceram de que a direção dos voadores, pelo menos dos grandes voadores, é obtida pelo deslocamento do centro de gravidade para o lado onde se quer deslocar" e relata experiências realizadas na França em 1880 por Deluyeux: "com um balão pequenino (3 metros cúbicos) que segundo se noticiou tomou várias direções. Este balão tinha a forma cilindricônica, era movido por uma hélice horizontal e tinha por baixo algumas hélices verticais . . . ouso afirmar que com tais aparelhos não se pode obter a solução do problema . . . uma vez que a composição de forças resultante [das hélices horizontais e verticais] nunca pode bastar para vencer os ventos". Citando os trabalhos de especialistas como Penaud e Tissandier relata que "de há certo tempo para cá, é opinião corrente entre os balonistas que o balão só se pode dirigir quando a sua capacidade seja tal que possa suspender máquinas monstruosas que movam hélices mais monstruosas ainda". Ele mostra o impasse dos baloeiros, para construírem algo exequível, pois que seria necessário grandes balões, o que exigiria grandes investimentos inviabilizando a experiência.

Ele prossegue: "se o peixe se apoia na água mais com a superfície do seu corpo do que com a dos seus remos, o pássaro para apoiar-se no ar, precisa de grandes asas, pois o apoio só pelo corpo é quase nulo. Do mesmo o balão só com a sua superfície não se apoiará tendo força ascencional. Como poderá mover-se e dirigir-se um balão cujo volume é enormíssimo em relação à pequena força ascencional que lhe dão ? É indispensável que o balão tenha força ascencional relativa ao seu volume, se se quiser que ele excute os movimentos do seu modelo". Júlio Ribeiro observa que para obter um movimento na horizontal, não são necessárias grandes hélices: "todo o esforço para o movimento não tem por fim, como se diz, destruir o peso, mas unicamente modificar a direção dele", ademais acima de certas alturas são muito comuns os ventos, a ponto de vários pássaros dispensarem o bater de asas.



"Assim, havendo forte vento, para que o balão desça avançando bastará aumentar um pouco a inclinação ordinária das asas para baixo; para que ele suba avançando bastará diminuir aquela inclinação, inclinando convenientemente o leme. Compreende-se que o leme deve deslocar para diante ou para trás o centro de leveza. Esse leme só poderá ser horizontal e naturalmente deve funcionar na parte posterior do navio aéreo, formando um ângulo obtuso com o plano das asas inferiormente, como o da aves forma superiormente esse ângulo com o plano das suas asas". Consegue-se portanto a mudança de direção com o deslocamento do centro de leveza, o que se consegue pelo direcionamento do leme, uma tese contrária à doutrina corrente. Júlio César já previra a utilização de dirigíveis metálicos: "sendo os balões como são hoje, de pano, não devem servir para a navegação regular e, por muito paradoxal que pareça esta proposição, os balões deverão ser soldados, em metal por exemplo" para poder sustentar motores, hélices, tripulação e carga.

O parecer publicado na revista do Instituto Politécnico de 1881 conclui: "Nos balões alongados (fusiformes simétricos) o equilíbrio se estabelece mais ou menos no centro da figura, ao passo que no aerostato de Júlio César vê-se que a maior capacidade existe num dos extremos horizontais, isto é, na parte anterior, onde se desenvolve portanto a sua maior força ascencional, que convergindo naquele ponto forma aí, o que o autor denominou centro de leveza. Se nos primeiros . . . a ascenção em tempo calmo, só poderá efetuar-se na direção vertical, o mesmo não se dará com o do Sr. Júlio César, cuja forma basta para na ação contínua de sobrepujar as resistências opostas pelo ar aos planos laterais (asas e lemes) ligeiramente inclinadas para a frente, produzirá por si só, em tempo calmo ou com aragem branda, um movimento horizontal". A Comissão do Instituto Politécnico aprovou por unaminidade as teses de Júlio Ribeiro, o que lhe permitiu receber um prêmio de 20 contos de réis, do governo do Pará, possibilitando a construção de um protótipo. O imperador do Brasil, Pedro II, custeou as passagens e um auxílio de 250 francos. Em 1881, Júlio César obteve a patente brasileira pelo decreto 8132.



Em setembro de 1881 viajou para a França onde obteve patente de sua invenção FR145512 (concedida em 25 de outubro de 1881) e construiu o balão Victória com 10m de comprimento e 2m de maior diâmetro (homenagem à sua esposa Victoria do Valle), com a ajuda do maior fabricante de balões Hilaire Lachambre. Em 10 de julho de 1883 viria obter a patente americana US280914. Uma apresentação pública em Paris perante a Societé Française de Navegation Aérienne é realizada em 8 novembro de 1881, perante autoridades com o adido militar à embaixada da Rússia na França, com pleno sucesso, conforme registra a revista Le Ballon de janeiro/março de 1882, e os jornais L'Evenement e Telegraphe de novembro de 1881. Em janeiro de 1882, Júlio publica no jornal parisiense Le Bresil, a matéria Os balões planadores, detalhando seu sistema.




Em carta ao Barão de Tefé, Júlio Ribeiro relata: "reinando durante a ascenção do Vitória uma brisa fresca, essa circunstância não impediu que o aerostato avançasse contra o vento sem auxílio de qualquer propulsor, fato esse extraordinário". O embaixador do Brasil em Paris, Visconde de Itajubá, comunica o fato ao Ministro e Secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros por carta de novembro de 1881 : "todas as vezes que foi solto no ar, avançou segundo a direção que lhe era previamente dada, já diretamente em sentido oposto ao vento, já formando diferente ângulos obtusos e agudos com a direção do vento, sendo o seu movimento obtido sem o menor impulso prévio, nem o auxílio de propulsor algum, mas unicamente produzido pela sua força ascencional combinada com a resistência do ar de cima para baixo sobre planos semelhantes as asas e cauda de um pássaro que voasse com as costas voltadas para o solo, não tendo os ditos planos, movimento algum". O Victória tomava sempre o movimento na direção em que tinha a proa, independentemente do vento.

Mas o parco prêmio de vinte contos de réis concedidos a Júlio César em face das despesas que teve de enfrentar o colocou na contingência de regressar ao Brasil deixando Paris em em 19 de novembro de 1881. Segundo nos conta o Barão de Tefé em suas memórias, publicadas em 1922, Júlio empacou o aerostato, abandonando na usina Vaugirad todos os ingredientes do gás e acessórios, inclusive os planos laterais (asas) e o leme. Retornou portanto ao Brasil, aclamado em Belém, com o Vitória mutilado, sem seus elementos essenciais que eram os planos laterais. Com isso as experiências levadas a efeito com o Vitória em Belém, a 25 de dezembro de 1881 e em 29 de março de 1882, na praia Vermelha, no Rio de Janeiro, na presença do imperador Pedro II, não lograram êxito. No entanto essa versão de Barão de Tefé, não é confirmada pelos jornais locais, respectivamente O Liberal do Pará de 27 de dezembro de 1881 e o Jornal do Commercio de 30 de março de 1882, que atestam o êxito dos experimentos: "Enquanto este acompanhava a corrente do vento, o balão ‘Vitória’ tomava direção diametralmente oposta, andando assim alguns metros contra o vento. Nessa ocasião foi o Sr. Júlio César saudado com palmas . . . as experiências de ontem, ainda que feitas em condições desfavoráveis por causa do tamanho do aerostato, patentearam senão a vantagem absoluta do novo sistema de navegação aérea, pelo menos a conveniência de se fazerem experiências decisivas com outro balão de tamanho conveniente e com o propulsor, o leme e o sistema de asas inventado pelo Sr. Júlio César". O Barão de Tefé, redobrou os estímulos e auxílios que entendia merecer o invento de Júlio Cesar, conseguindo junto ao Congresso uma doação pecuniária de trinta contos de réis.

Um navio aparece rebocando o balão de Júlio César para lhe dar direção. Duras críticas foram lançadas a Júlio César pela imprensa local. Antiocho Faure, em matéria de 5 de abril de 1882 publicada no Jornal do Commercio, comentando a apresentação na Praia Vermelha, critica o experimento por não ser tripulado. O balão fora conduzido do chão por meio de extensas cordas, não ficando assim o Vitória solto no ar para que se pudesse ficar patente sua dirigibilidade. Júlio Cesar respondeu que "os planos laterais que deveriam converter o movimento ascencional em movimento proximamente horizontal não estavam ainda colocados na posição longitudinal conveniente para produzirem aquele resultado, quando uma ruptura inesperada fez o balão perder grande quantidade de gás, isto é, da força que devia movê-lo ... o balão Vitória, enquanto tinha soltas as cordas que o prendiam e enquanto tinha a proa para o vento, lutava com este e avançava contra ele alguns metros". O debate se acirra e o Instituto Politécnico aprova por unanimidade uma moção de apoio em 23 de junho de 1882, manifestando-se novamente pela exequibilidade teórica do sistema Júlio César. assinam a nota os engenheiros Paulo de Frontim e o lente de astronomia Manoel Pereira Reis.



Conseguindo recursos junto ao Parlamento Nacional e a Assembleia Provincial do Pará. Uma vez mais Júlio Cesar tomou a direção de Paris em 1883, para construir o Santa Maria de Belém (de início recebera o mesmo nome do primeiro: Vitória), com 52m de comprimento e 10m de maior diâmetro, e que ficaria pronto em maio de 1883. Construído o balão, logo pensou em fazer experiências em praça pública, mas o Maire da Comuna de Paris não concordou. Fernando Medina do Amaral argumenta que isto ocorrera sob ordens do governo francês, que secretamente construía o balão La France, plagiando o balão de Júlio César. Então com as suas reservas financeiras se esgotando, achou preferível retornar ao Brasil, pelo que mandou encaixotar o aparelho. E quando se esperava viesse diretamente para o Rio de Janeiro, ei-lo desembarcar em Belém do Pará. Aí aguardava-lhe um imprevisto: faltava gás hidrogênio. Não teve dúvidas meteu mãos a obra e passou a fabricar o referido gás por meio de baterias compostas de tonéis. Obtido o hidrogênio, procedeu à experiência diante do público ansioso em 12 de julho de 1884 (foi necessário quase 1 ano para que Júlio César conseguisse o dinheiro para adquirir o hidrogênio necessário para a exibição). Mas a sorte não pendia para o inventor. Quando o balão se preparava para receber o hidrogênio, uma explosão súbita na bateria do centro, interrompeu o enchimento do balão, malogrando novamente a experiência. A fim de que o dirigível não ficasse exposto ao sol inclemente e as chuvas, o bispo do Pará, Don Antonio de Macedo Costa, autorizou que o dirigível fosse guardado, dependurado na nave central da Catedral de Belém, à espera de reparos, transformando-se assim, no primeiro hangar do Brasil.


O Barão de Tefé manifesta o estado em que se encontravam as coisas: A consequência desse segundo fiasco era lógica: a frieza do mundo científico e a falta de confiança do público em geral nas tentativas do mal-aventurado inventor. O próprio Instituto Politécnico, embora não repudiasse o parecer com que aprovara o seu novo sistema, achou contudo "prudente sobrestar em tão dispendiosas experiências". Nesta mesma época, dois militares franceses, Renard e Krebs, que frequentavam as oficinas Lachambre e assistiram à apresentação do Vitória e a construção do Santa Maria de Belém, apresentam em Paris, em 9 de agosto de 1884, o balão La France, de forma fusiforme dissimétrica com asas e cauda, dizendo-se seus inventores, apesar da patente francesa de Júlio César. O La France, de 52m foi o primeiro balão do mundo a sair e retornar a um mesmo ponto, realizando assim a demonstração prática notória e inquestionável da conquista da dirigibilidade aérea. O fato gerou violento protesto por parte de Júlio César, contra o plágio, alegando que seus adversários contavam com recursos da ordem de dois milhões de francos em seus empreendimentos.

Um protesto foi publicado no jornal A Província do Pará de 1 de novembro de 1884 e nos jornais franceses a 7 de dezembro de 1884, forçando o governo francês a retirar o La France de circulação já que provado ficara ser este uma cópia do sistema Júlio César. Júlio escreve no manifesto: "a minha patente francesa caducou, como quase todas as outras, o meu sistema pode hoje ser experimentado e explorado por quem o quiser . . . dar-me-ei por muito feliz se vir que minha invenção é útil à humanidade, mediante a condição única de que se reconheça que o inventor sou eu. O meu principal intuito pedindo tantos privilégios ou patentes, não foi senão o de garantir perante a história, a prioridade do meu invento ... nem o senhor Dupuy de Lome, nem ninguém antes de mim empregaram planos (asas e lemes horizontais) destinados a dirigir horizontalmente os balões". Para pagar a publicação de seu protesto em vários jornais de vários países, Júlio Cezar vendeu móveis de sua casa, sua rica biblioteca e as joias da família.

Em 7 de abril de 1885, o jornal A província do Pará, noticiou a realização em junho de uma exposição internacional de aeronáutica, na Inglaterra, e Júlio viu nesta notícia, a oportunidade para desmascarar seus plagiadores franceses. Uma conferência pública foi realizado por Júlio Ribeiro, em 19 de abril de 1885, no teatro da Paz, seguidas de outras conferências, no intuito de solicitar subsídios para as despesas de viagem. No entanto, Júlio Ribeiro, não tem êxito em conseguir os quatro contos de réis de que necessitava, a tempo de comparecer ao evento na Inglaterra. Mesmo sem a presença de Júlio Ribeiro no evento, as experiências francesas foram suspensas, pela repercussão mundial gerada. O próprio imperador Pedro II, em pessoa, após assistir uma conferência no Instituto Politécnico, em 3 de setembro de 1885, com a presença de Júlio César, interveio lembrando a conveniência do Instituto Politécnico tomar a si a obtenção de meios para que Júlio Cesar pudesse prosseguir nas experiências definitivas do balão, o que logrou a conceder-lhe a importância de 200 contos de réis.

Um manifesto assinado pelo Barão de Tefé, Paulo de Frontim e outros membros do Instituto Politécnico, publicado pelo A província do Pará em 17 de novembro de 1885, estabelece a nomeação de uma comissão com "plenos poderes para promover uma subscrição nacional com o fim de obter a quantia necessária para as experiências em grande escala do invento brasileiro . . . para verificar se é nacional ou estranha a glória de tão brilhante conquista da civilização". Em reunião pública, a comissão do Instituto Politécnico reitera seu apoio a Júlio César Ribeiro, que discursa: "Tenho fé que não serei abandonado, mas, se o for, hei de levar a minha cruz até o calvário. A pedra rejeitada, um dia ocupará o seu lugar de honra no edifício da humanidade", ao terminar Júlio César foi calorosamente aplaudido com uma salva de palmas, segundo noticiário do mesmo jornal de 20 de novembro. Nesse compasso de providências, transcorre o tempo, buscando todos encontrar a solução desejada. Júlio Cesar chega a Belém e sem dificuldades obtém da Assembleia Provincial o auxílio de vinte e cinco contos de réis.

Entretanto, num gesto repentino e inexplicável, gerando dúvidas e desalento, ei-lo que, em lugar de voltar ao Rio de Janeiro, como prometera, novamente retorna a Paris em abril de 1886. Nesse interim, chegou as mãos do Barão de Tefé um jornal de Paris, o Noveau Monde, no qual constava a surpreendente notícia de certa experiência que ali fizera Júlio Cesar em 1886, com um terceiro balão, a qual dera o nome de Cruzeiro. Tal fato, estranho em tudo e por tudo, até porque o Barão de Tefé como os demais membros da Comissão do Instituto ignoravam tais acontecimentos, causou grande repulsa. O Barão de Tefé retirou o apoio ao inventor. Em resposta, Júlio Cesar, através de uma carta (cujo original se perdeu) limitou-se a autorizar fosse vendido o balão Santa Maria de Belém, encaixotado na praia da Saudade, afim de cobrir os débitos existentes. O Barão de Tefé, não escondeu seu desapontamento ao abrir as caixas e encontrar o custoso tecido de seda enrolado (o tecido era impermeabilizado por uma mistura de verniz com borracha), amassado e grudado todo em verniz, enfim todo o material inutilizado. Pouco depois desse incidente, o Barão de Tefé recebeu uma carta do genro de Júlio Cesar, que lhe dizia contristado: ". . . e desde então só teve desgostos e amofinações até a sua morte, que ocorreu em outubro de 1887, na capital do Pará, deixando a viúva e filhos em tal pobreza, que nem meios tinham para o seu enterro, que por isso, foi feito as custas dos cofres da província". Em 1887 (ano de sua morte) Júlio César publicou na imprensa do Pará vários textos sob o sugestivo título FIAT LUZ, cujos originais foram perdidos. Quase dois anos após a morte de Júlio Cesar, o Barão de Tefé chegou a reivindicar os direitos do inventor paraense como primeiro proponente do sistema de navegação aérea usado no dirigível de Renard e Krebs, valando-se de sua participação como delegado do Brasil no Congresso Internacional de Aeronáutica, realizado em Paris, em agosto de 1899.

A influência do balão fusiforme dissimétrica proposta por Júlio César, se fez sentir nos modelos seguintes, do balão La France, de Renard e Krebs (1884), balão Wolff & Wels do alemão Bilfe (1885) e do balão 9, de Santos Dumont. Convém lembrar que, ao contrário dos demais, o balão Vitória não era tripulado, ele era solto do chão seguro por duas cordas, e à medida que subia, avançava contra o vento. O balão Santa Maria de Belém não teve êxito, enquanto do balão Cruzeiro fora lançado em 1886, já em data posterior aos modelos franceses e alemães. Ademais, Renard e Krebs tem como mérito o fato de ter realizado manobras partindo e aterrissando no mesmo ponto, em tempo determinado por antecedência, mostrando maior dirigibilidade que o balão Vitória que limitou-se a efetuar manobras aéreas. Isto contudo não retira o mérito de Júlio César no desenvolvimento de seu sistema. Os balões, usando motores cada vez mais leves e mais potentes, vinham conseguindo desempenhos cada vez melhores, embora mantendo o formato original proposto por Júlio César.




Resumo: BR AN, RIO. PI 8746
Autor(es) SOUSA, Júlio César Ribeiro de (F)
Requerente(s) SOUSA, Júlio César Ribeiro de (F)
Descrição Novo sistema de navegação aérea aplicável à navegação submarina.
Relatório(s) Rio de Janeiro, 20/01/1881
Rio de Janeiro, 20/04/1881
Apresentação Manuscrito em português, com 1 doc(s) e 77 folha(s)
Anexo(s) 1 desenho(s)
Assunto(s) Navegação aérea aplicação à navegação submarina / Navegação submarina navegação aérea
aplicada a

Referências:

https://web.archive.org/web/20070927215914/http://www.revistapesquisa.fapesp.br/?art=1570&bd=1&pg=1&lg=

https://pt.wikipedia.org/wiki/J%C3%BAlio_C%C3%A9sar_Ribeiro_de_Sousa

https://dol.com.br/noticias/para/657775/saiba-quem-foi-julio-cezar-o-pioneiro-na-navegacao-aerea?d=1

https://www.facebook.com/story.php?story_fbid=3043149872681876&id=100064206662259

A inventiva Brasileira, Vol II, Clovis da Costa Rodrigues, Brasilia, 1973, paginas 787 a 838
Julio César, o verdadeiro arquiteto da aeronáutica, Fernando Medina do Amaral, 1989
Júlio Cezar Ribeiro de Souza, Memórias sobre a navegação aérea, de Fernando Medina do Amaral e Luís Crispino, Ed. Universitária UFPA, 2003

Agradeço a Rodrigo Moura Visoni pela revisão do texto em outubro de 2025


#227 UNICAMP / RUBIAN 102018077523 MINIEMULSÕES DE FRAÇÕES BIOATIVAS DE PASSIFLORA E SUAS FORMULAÇÕES

102018077523 MINIEMULSÕES DE FRAÇÕES BIOATIVAS DE PASSIFLORA E SUAS FORMULAÇÕES

Depósito: 28/12/2018

Destaque:  licenciada para  Rubian Xtract Serviços Ltda

Inventor:  PHILIPE DOS SANTOS / JULIANE VIGÁNO / MÁRCIO LOPES / JULIAN MARTINEZ

Titular:  UNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS - UNICAMP (BR/SP) / RUBIAN XTRACT SERVIÇOS LTDA. (BR/SP)

A invenção intitulada “Miniemulsões de Frações Bioativas de Passiflora e suas Formulações” (BR 10 2018 077523-5) desenvolvida pela UNICAMP e pela Rubian Xtract Serviços Ltda. descreve a criação de miniemulsões com compostos bioativos extraídos do maracujá (Passiflora edulis) por técnicas limpas e sustentáveis, como extração supercrítica com CO₂ e extração com líquido pressurizado. Essas frações hidrofílicas e lipofílicas são ricas em tocotrienóis, ácidos graxos, carotenoides e compostos fenólicos (especialmente piceatannol) e exibem alta atividade antioxidante, atuando na prevenção e correção do envelhecimento da pele, estimulando a síntese de colágeno e inibindo enzimas como elastase e colagenase. O diferencial tecnológico está na reconstrução sinérgica das frações do maracujá em um complexo antioxidante estável e biodisponível, incorporável em produtos cosméticos, nutracêuticos, nutracosméticos, fármacos e alimentícios. As miniemulsões são emulsões óleo-em-água com alta estabilidade e gotículas nanométricas, utilizando goma xantana como estabilizante e emulsificantes naturais. Foram formuladas aplicações específicas como loção de limpeza facial, sérum hidratante e hidratante facial com proteção solar, todas testadas quanto à estabilidade, pH e viscosidade. O processo preserva as propriedades naturais dos bioativos, não gera resíduos tóxicos e utiliza apenas solventes GRAS (seguros para consumo). Essa tecnologia verde agrega valor a resíduos agroindustriais do maracujá, oferecendo um insumo multifuncional natural com benefícios comprovados à saúde e estética da pele.



Philipe dos Santos possui graduação em Engenharia de Alimentos pela Universidade do Estado de Mato Grosso (2011), mestrado em Engenharia de Alimentos pela Universidade Estadual de Campinas (2013) e doutorado em Engenharia de Alimentos pela Universidade Estadual de Campinas (2017). Tem experiência na área de Engenharia de Engenharia de Alimentos, com ênfase em Tecnologia de Fluídos Sub e Supercríticos e na obtenção, caracterização e aplicação de extratos bioativos naturais para a indústria de alimentos e cosméticos.

Resumo: 102018077523 A presente invenção se refere a miniemulsões compreendendo uma ou mais frações bioativas de Passiflora (maracujá) selecionadas dentre hidrofílicas, lipofílicas obtidas por extração supercrítica ou frações hidrofílicas concentradas de Passiflora (maracujá) obtidas por extração líquido pressurizado de Passiflora (maracujá) com comprovação dos benefícios das frações bioativas enriquecidas isoladas da presente invenção, das miniemulsões bem como de produtos compreendo tais miniemulsões com propriedade antioxidante que atua na prevenção e correção dos diferentes fatores e mecanismo responsáveis pelo envelhecimento da pele. A miniemulsão da presente invenção pode ser usada em produtos cosméticos, nutracêuticos, nutracosméticos, fármacos e alimentícios. São objetos adicionais da presente invenção formulações cosméticas de loção de limpeza facial, sérum hidratante facial e hidratante facial com proteção solar.

Referências:

https://www.inova.unicamp.br/premioinventores/edicoes/edicao-2020/

#226 UNICAMP 102017012768 PROCESSO DE OBTENÇÃO DE COMPLEXO NANOESTRUTURADO (CFI-1), COMPLEXO NANOESTRUTURADO ASSOCIADO A PROTEÍNA (MRB-CFI-1)

102017012768 PROCESSO DE OBTENÇÃO DE COMPLEXO NANOESTRUTURADO (CFI-1), COMPLEXO NANOESTRUTURADO ASSOCIADO A PROTEÍNA (MRB-CFI-1)

Depósito: 14/06/2017

Destaque:  licenciada para  CDN PHARMA CONSULTORIA E PARTICIPAÇÕES LTDA e NANOIMMUNOTHERAPY PHARMA

Inventor:  WAGNER JOSÉ FÁVARO / NELSON EDUARDO DURAN CABALLERO

Titular:  UNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS - UNICAMP (BR/SP)


A patente BR 10 2017 012768-0, de titularidade da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), descreve um processo de obtenção de um complexo nanoestruturado inorgânico (CFI-1) e de um complexo nanoestruturado associado a proteína (MRB-CFI-1). O objetivo é o tratamento do câncer de bexiga urinária, em animais e humanos, com alta eficiência, baixa toxicidade e custo reduzido, podendo substituir terapias convencionais como o Bacillus Calmette-Guérin (BCG). O processo baseia-se na síntese química de fosfato de amônio dibásico e cloreto de magnésio, homogeneizados sob alta rotação e pressão, seguidos de resfriamento e secagem. O complexo CFI-1 apresenta partículas de cerca de 190 nm, e o MRB-CFI-1, formado pela associação a proteínas hidrolíticas, cerca de 318 nm. Esses nanocompostos atuam como modificadores de resposta biológica, estimulando receptores imunes (TLRs) e promovendo regressão tumoral. Testes em ratos mostraram regressão de 100% dos tumores no grupo tratado com MRB-CFI-1, e ensaios clínicos em cães confirmaram redução progressiva das massas tumorais por até 12 meses. O composto mostrou-se reprodutível, estável e promissor como fármaco antineoplásico para cânceres de bexiga e próstata, podendo representar uma alternativa terapêutica inovadora frente aos tratamentos invasivos atuais.



Wagner José Fávaro é Professor de Anatomia Humana na Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), instituição onde construiu uma trajetória acadêmica de excelência, obtendo os títulos de Mestre, Doutor, Pós-Doutor e, em 2022, de Livre-Docente em Anatomia do Sistema Urogenital. Especialista em Uropatologia, Carcinogênese Urogenital, Nanomedicina e Desenvolvimento de Fármacos, suas contribuições científicas destacam-se tanto em âmbito nacional quanto internacional.É membro de renomadas sociedades científicas internacionais, incluindo a American Society of Clinical Oncology (ASCO), a European Society for Medical Oncology (ESMO) e a Society for ImmunoTherapy of Cancer (SITC). 

Resumo: 102017012768 A presente invenção refere-se a um processo de obtenção de um complexo nanoestruturado inorgânico (CFI-1), complexo nanoestruturado associado a proteína (MRB-CFI-1) e uso antitumoral. A principal aplicação é no tratamento do câncer de bexiga urinária tanto em animais quanto em seres humanos. O complexo apresenta atividade antitumoral, única e potencialmente pode ser substituto de outros fármacos antineoplásicos comerciais.

Referências:

https://www.inova.unicamp.br/premioinventores/edicoes/edicao-2020/

#225 UNICAMP 102016014787 PROCESSO OPERACIONAL PARA APLICAÇÃO DE MÉTODO DE PESQUISA EM MICROSCOPIA ÓPTICA DA AMOSTRA DE MATERIAL BIOLÓGICO, NOTADAMENTE FEZES E AFINS

102016014787 PROCESSO OPERACIONAL PARA APLICAÇÃO DE MÉTODO DE PESQUISA EM MICROSCOPIA ÓPTICA DA AMOSTRA DE MATERIAL BIOLÓGICO, NOTADAMENTE FEZES E AFINS

Depósito: 22/06/2016

Destaque:  licenciada para IMMUNOCAMP CIÊNCIA E TECNOLOGIA S.A.

Inventor:  BIANCA MARTINS DOS SANTOS / JANCARLO FERREIRA GOMES / CELSO TETSUO NAGASE SUZUKI / ALEXANDRE XAVIER FALCÃO

Titular:   UNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS - UNICAMP (BR/SP) / IMMUNOCAMP CIÊNCIA E TECNOLOGIA S.A. (BR/SP)


A invenção BR 10 2016 014787 5 B1, intitulada “Processo Operacional para Aplicação de Método de Pesquisa em Microscopia Óptica da Amostra de Material Biológico, Notadamente Fezes e Afins, com Resultados de Natureza Qualitativa e Quantitativa com Fator de Conversão de Ovos por Grama de Fezes (OPG)”, desenvolvida pela UNICAMP e Immunocamp Ciência e Tecnologia S.A., apresenta um novo método laboratorial para o diagnóstico de parasitos intestinais, especialmente Schistosoma mansoni, causador da esquistossomose. O processo aprimora as técnicas convencionais, como Kato-Katz, Helm-Test e TF-Test, oferecendo resultados quantitativos e qualitativos com maior sensibilidade e precisão. O método propõe a análise de 1 grama exata de fezes por tubo coletor, com processamento padronizado e cálculo baseado em um fator de conversão de 20, que traduz os resultados em ovos por grama de fezes (OPG), permitindo determinar a intensidade da infecção (carga parasitária). O procedimento envolve coleta padronizada, centrifugação, preparo microscópico e leitura óptica, podendo ser aplicado em fezes sólidas, pastosas ou diarreicas, sem causar lise dos ovos, o que viabiliza o controle de cura. Além disso, o método é mais rápido (cerca de 30 minutos), econômico, e possui abrangência diagnóstica superior, detectando helmintos e protozoários diversos. Estudos realizados na UNICAMP e em campo mostraram eficiência diagnóstica de 100% e concordância estatística perfeita (índice Kappa = 1,0) em comparação ao Helm-Test. Assim, o invento representa um avanço relevante em Saúde Pública e parasitologia, fornecendo resultados mais sensíveis, limpos e confiáveis, e aplicáveis a programas de controle de doenças endêmicas.



Jancarlo Ferreira Gomes possui Graduação pela Universidade Estadual Norte do Paraná (UENP), Mestrado em Parasitologia pelo Instituto de Biologia (IB) da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), Doutorado em Parasitologia pelo IB da UNICAMP, e Pós-Doutorado em Saúde Pública com Bolsa Regular no País (FAPESP/UNICAMP). Na FAPESP atuou como Coordenador de quatro Programas de Pesquisa Direcionados à Aplicação (PIPE) e como Pesquisador Principal em um Projeto de Pesquisa Fluxo Contínuo Temático.


Resumo: 102016014787 PROCESSO OPERACIONAL PARA APLICAÇÃO DE MÉTODO DE PESQUISA EM MICROSCOPIA ÓPTICA DA AMOSTRA DE MATERIAL BIOLÓGICO, NOTADAMENTE FEZES E AFINS, COM RESULTADOS DE NATUREZA QUALITATIVA E QUANTITATIVA COM FATOR DE CONVERSÃO DE OVOS POR GRAMA DE FEZES (OPG) representado por uma solução inventiva na área de Saúde Pública, onde a esquistossomiase mansônica é altamente prevalente no mundo, estando entre as maiores causadoras de doenças e óbitos em seres humanos, sendo que é justificável o desenvolvimento desse novo método de pesquisa que contempla a apresentação de dados quantitativos, resultados esses comprovadamente mais sensíveis e práticos para a finalidade diagnóstica, sendo diferenciado de métodos convencionais como Rugai, Mattos & Brisola; KatoKatz (Helm-Test)e TF-Test® (Three Fecal Test) por ser baseado na apresentação de resultados na forma de ovos por grama de fezes [OPGI, onde para tal foi idealizado um fator de conversão, sendo que uma vez implementado confere ganho de sensibilidade diagnóstica, além de maior limpeza do sedimento fecal e alta concentração parasitária.

Referências:

https://www.inova.unicamp.br/premioinventores/edicoes/edicao-2020/

domingo, 26 de outubro de 2025

#224 UNICAMP PI1009965 MÉTODO PARA PRODUÇÃO DE PLANTAS TOLERANTES A ESTRESSES AMBIENTAIS, SEUS USOS E VETOR DE DNA RECOMBINANTE

PI1009965 MÉTODO PARA PRODUÇÃO DE PLANTAS TOLERANTES A ESTRESSES AMBIENTAIS, SEUS USOS E VETOR DE DNA RECOMBINANTE

Depósito: 20/12/2010

Destaque:  licenciada para TecnoNutrição

Inventor:  MARCELO MENOSSI TEIXEIRA / KEVIN BEGCY PADILLA / CAROLINA GIMILIANI LEMBKE / GLÁUCIA MENDES SOUZA / EDUARDO DAL`AVA MARIANO

Titular:   UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO - USP (BR/SP) / UNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS - UNICAMP (BR/SP)


A presente invenção refere-se a um método para produção de plantas geneticamente modificadas com tolerância a estresses ambientais, como seca e salinidade, por meio da introdução de um gene denominado Scdr2 (SEQ ID NO: 1), derivado da cana-de-açúcar. Esse gene, cuja função era previamente desconhecida, codifica uma proteína (SEQ ID NO: 2) que, quando superexpressa, confere às plantas maior resistência a condições adversas. A invenção inclui a construção de um vetor de DNA recombinante contendo a sequência Scdr2, operacionalmente ligada a um promotor funcional em plantas (como o CaMV 35S) e a um terminador (como o NOS), além de um gene marcador de seleção (NptII) e, opcionalmente, um gene repórter. Esse vetor é introduzido em células vegetais por métodos como transformação mediada por Agrobacterium ou bombardeamento de partículas. Plantas transformadas com o gene Scdr2 — incluindo monocotiledôneas e dicotiledôneas como tabaco, cana, soja, milho, arroz e trigo — exibem melhor desempenho sob estresse hídrico e salino, com maior taxa de germinação, manutenção do conteúdo de água, recuperação fotossintética, maior biomassa e sobrevivência em comparação com plantas não modificadas. A invenção também abrange o uso do gene e do vetor para obtenção de cultivares mais resilientes, com aplicações em agricultura e biotecnologia.

Pesquisadores do Instituto de Biologia (IB) da UNICAMP e da Universidade de São Paulo (USP) desenvolveram uma variedade de cana-de-açúcar geneticamente modificada com maior tolerância à seca. O avanço, que pode mitigar perdas na produtividade causadas por estresses hídricos, foi objeto do pedido de patente PI 1009965-4. O gene responsável pela tolerância, batizado de Scdr2 (sugarcane drought-related), foi identificado e isolado a partir de próprias variedades de cana. Quando introduzido e superexpresso em plantas, este gene – cuja função era anteriormente desconhecida – confere não apenas tolerância à falta de água, mas também a estresses salinos.

A tecnologia consiste em um vetor de DNA recombinante que carrega o gene Scdr2. Esse vetor é inserido no genoma da planta por meio de técnicas de transformação genética, como a mediação por Agrobacterium. As plantas modificadas resultantes apresentam um fenótipo mais resiliente, incluindo: Melhor taxa de germinação sob condições de estresse. Maior capacidade de manter o conteúdo de água nas folhas. Recuperação mais rápida dos parâmetros fotossintéticos após um período de seca ou salinidade. Maior acumulação de biomassa (massa seca) em condições adversas.

A grande vantagem da invenção, destacada na matéria e na patente, é o uso de um gene da própria cana-de-açúcar para o melhoramento. Essa abordagem, conhecida como cisgenia, tende a ter maior aceitação por parte dos consumidores e dos órgãos reguladores em comparação com genes provenientes de outros organismos. O desenvolvimento é particularmente significativo para o agronegócio brasileiro, dada a importância econômica da cultura da cana-de-açúcar e a recorrência de veranicos (períodos de seca) em diversas regiões produtoras. A tecnologia está protegida por patente, concedida em dezembro de 2021, e representa uma ferramenta biotecnológica promissora para o desenvolvimento de cultivares mais sustentáveis e produtivas.

Carolina Gimiliani Lembke Horta possui graduação em Ciências Biológicas pelo Instituto de Biociências da USP(2005), graduação em Licenciatura em Ciências Biológicas pela Faculdade de Educação da USP/SP(2005) e doutorado em Bioquímica pelo Instituto de Química, Universidade de São Paulo(2013). Atualmente é Especialista do Instituto de Química, Universidade de São Paulo. Tem experiência na área de Bioquímica, com ênfase em Biologia Molecular. Atuando principalmente nos seguintes temas:cana-de-açúcar, seca, transcriptoma, promotores, transgênicos.



Marcelo Menossi Teixeira possui graduação em Ciências Biológicas pela Universidade Estadual de Campinas (1989) e doutorado em Genética - Universitat de Barcelona (1995). É Professor Titular da Universidade Estadual de Campinas. Tem experiência na área de Genética, com ênfase em Genética Vegetal, atuando principalmente em genômica funcional, bioinformática e biotecnologia aplicadas ao estudo da acumulação de sacarose em cana e tolerância a estresses abióticos em cana e milho. Foi Diretor de Propriedade Intelectual (2007-2010) e Diretor de Desenvolvimento de Parcerias e Projetos Colaborativos (2009-2010) da Inova Unicamp - Agência de Inovação da UNICAMP.


Resumo: PI1009965 As plantas são influenciadas por um grande número de fatores ambientais bióticos e abióticos e recorrentemente estresses abióticos são mais graves, afetando todas as funções da planta, resultando em redução do crescimento e da produtividade. Nesse sentido, a identificação e a compreensão dos mecanismos de tolerância abióticos são fundamentais no desenvolvimento de novas cultivares tolerantes à seca. Dessa forma, a presente invenção proporciona um método de produção de plantas que contém em suas células uma sequência de nucleotídeos de cana-de-açúcar e a superexpressão desse gene leva a planta em questão à maior tolerância a estresses abióticos. De uma forma mais ampla, descreve-se um polinucleotídeo que codifica a proteína de cana-de-açúcar, o qual é expresso por um promotor e um terminador que funcionam em plantas. Verifica-se que este gene confere tolerância a diferentes estresses abióticos.

Referências:

https://www.inova.unicamp.br/premioinventores/edicoes/edicao-2019/

https://www.inova.unicamp.br/premioinventores/edicoes/edicao-2023/