quarta-feira, 27 de agosto de 2025

#54 CTB N.2967 - ORELHÃO

N.2967 - ORELHÃO

Depósito: 15/05/1972

Destaque: O orelhão tornou-se um marco do design urbano brasileiro

Inventor: Chu Ming Silveira

Titular: Companhia telefônica Brasileira CTB (BR/SP)






Alexander Graham Bell inventou o telefone em 1876, mas foi Thomas Watson quem criou a cabine telefônica. No Brasil, os primeiros telefones públicos (TPs) surgiram em Santos, em 1934, funcionando com moedas de 400 réis. No ano seguinte, o Rio de Janeiro ganhou seu primeiro posto público, na Galeria Cruzeiro. Em 1945, devido à escassez da moeda original, os aparelhos passaram a aceitar duas moedas de 20 centavos. Pouco depois, telefones foram instalados em bares, farmácias e mercearias, mas com dificuldades devido às trocas de moedas. Para resolver isso, companhias criaram fichas, inicialmente exclusivas de cada região.

Em 1964, padronizou-se o uso das fichas na área da CTB, e em 1970 a Telebrás ampliou o sistema a todo o Brasil. Novos postos foram abertos em locais de grande circulação, como aeroportos, Copacabana, Ipanema, Galeão e rodoviária. Em 1971, a CTB testou cabines cilíndricas, mas o público rejeitou o modelo. Até então, os TPs ficavam em ambientes internos. Experiências em São Paulo com cabines circulares de fibra de vidro e acrílico fracassaram por vandalismo.

A solução definitiva veio em 1972, quando a CTB lançou o protetor em formato de concha, em fibra de vidro laranja: o orelhão, logo bem aceito pela população. A inventora foi a arquiteta Chu Ming Silveira, chefe de engenharia da CTB em São Paulo, que patenteou os modelos CHU-1 (interno) e CHU-2 (externo). Seu projeto foi exposto em bienais, publicado em revistas e reconhecido internacionalmente.

O orelhão tornou-se um marco do design urbano brasileiro, pensado para baixo custo, resistência, boa acústica e integração ao espaço público. Variantes como o “orelhinha” (interno), a concha e versões duplas e triplas também foram criadas. Em 1982, os TPs passaram a receber chamadas, e em 1997 os cartões substituíram definitivamente as fichas, ampliando os serviços.

Assim, o orelhão consolidou-se como símbolo do mobiliário urbano e da comunicação popular no Brasil.





Resumo: 2967/72 Trata-se a presente patente de um protetor para telefone público interno, composto essencialmente por um corpo ou cobertura em configuração aproximada de um ovoide levemente achatado lateralmente e com duas seções verticais ortogonais entre si em formatos respectivamente ovalado e composta por dois arcos circulares extremos, superior e inferior, de diâmetros diferentes, interligados por dois trechos laterais arqueados, e em suave concordância com aqueles, dito corpo sendo ainda chanfrado assimetricamente em plano inclinado, compondo uma grande abertura.


Referências:
ARQUITETO nº 9 de Julho de 1973 - DESIGN “Orelhão: quando o design resolve o problema” disponível em http://www.orelhao.arq.br (documento 6)
ZEVALLUS, Gustavo. 101 inovações brasileiras, São Paulo, IOB, 2008, p.74



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