PI9810650 - MÉTODOS PARA EXTRAIR PROTEÍNA RECOMBINANTE E PARA PURIFICAR INSULINA RECOMBINANTE ISOLADA
Depósito: 02/07/1998
Destaque: A empresa conquistou 65% do mercado em 2000
Inventor: Spartaco Astolfi-Filho / Beatriz Dolabela de Lima / Josef Ernst Thiemann / Heloisa Ribeiro Tunes de Sousa / Luciano Vilela
Titular: Universidade de Brasília (BR/DF) / Biomm S.A. (BR/MG)
Um novo método de produção de insulina artificial foi desenvolvido pela UnB em parceria com a Biobrás, utilizando tecnologia de DNA recombinante para modificar geneticamente a bactéria Escherichia coli, permitindo que sintetize insulina em 30 dias, reduzindo em dois terços o tempo do processo tradicional. A técnica, patenteada em 2000 nos EUA (US6068993), consiste em inserir na bactéria o gene da pró-insulina humana, obtendo altos índices de expressão e viabilizando a produção em larga escala. Após fermentação e purificação enzimática e cromatográfica, obtém-se insulina recombinante de pureza superior a 1 ppm, atendendo aos padrões internacionais. Essa inovação reduziu a dependência de pâncreas suínos, cuja obtenção era cara e limitada, além de abrir caminho para a fabricação de outras proteínas terapêuticas, como o hormônio do crescimento. Embora mais cara que a de origem animal, a insulina recombinante consolidou a liderança da Biobrás no mercado nacional, com 65% das vendas em 2000. Fundada em 1971, a empresa nasceu da interação entre universidade e setor privado, liderada por Marcos Luiz dos Mares Guia, pioneiro em bioquímica em Minas Gerais. Inicialmente ligada à Lilly, a Biobrás evoluiu para a produção independente de insulina bovina e suína, até alcançar a recombinante, recebendo prêmios e reconhecimento internacional. Sob comando de Guilherme Emrich, a empresa tornou-se a quarta maior produtora mundial de insulina, atuando em mais de 12 países. No entanto, em 2001, foi vendida por US$ 31 milhões para a dinamarquesa Novo Nordisk, dando origem à Biomm, sucessora focada em P&D e comercialização internacional, mantendo patentes e rede de pesquisa. A insulina recombinante, primeiro produto da biotecnologia moderna a ser comercializado, consolidou-se globalmente, respondendo por quase 100% do mercado em vários países, inclusive no Brasil, onde já representa parcela expressiva das terapias contra diabetes.

O empresário mineiro Guilherme Emerich fala da criação da Biobrás "Fundei a empresa, e durante 20 anos fui seu principal executivo. A Biobras nasceu praticamente incubada na Escola de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais; ela se tornou, depois, a quarta maior produtora de insulina para diabete no mundo. Há dois anos, resolvi, por uma questão estratégica, vender a fábrica da Biobras, em Montes Claros, no Brasil. Tínhamos uma fabrica de matéria prima farmacêutica, de questal de insulina em Minas Gerais, e tínhamos formulação no Brasil, na Coréia e na Índia. Competíamos com os três maiores fabricantes mundiais de insulina; no Brasil, historicamente, nossa participação no mercado privado era da ordem de 80%. Estávamos presentes em 12 paises; a União Soviética, enquanto existiu, foi o maior mercado individual nosso; depois na Rússia, Polônia, Alemanha, Coréia, Índia, Argentina, Uruguai. E competindo com marca própria, o que é uma novidade no caso Brasil. Resolvemos vender a fábrica porque chegamos à conclusão que deveríamos adotar como modelo ser uma Nike das proteínas recombinantes. A competitividade a nível do negócio é mais importante. Ou seja, concentrar desenvolvimento tecnológico de um lado; em comercialização internacional do outro; e licenciar terceiros que quisessem fazer produção. Esses terceiros são países que gostam de produzir; que não têm a opção de se concentrar na área nobre do processo, que é o desenvolvimento tecnológico e a comercialização internacional. Infelizmente, por questões legais no Brasil, o nome Biobras teve que ir junto com a fábrica; antes de vender, fizemos uma cisão: tiramos tudo que Biobras tinha de patentes – a Biobras tinha, e a sucessora dela, a Biomm, deve ter ai mais de uma dúzia de patentes internacionais na área de proteínas recombinantes e principalmente de insulina. Tiramos também toda a parte de pesquisa: dois laboratórios de pesquisa, um no Brasil e outro em Miami, tiramos toda a parte de conexão internacional, e vendemos a fábrica".
O empresário mineiro Guilherme Emerich fala da criação da Biobrás "Fundei a empresa, e durante 20 anos fui seu principal executivo. A Biobras nasceu praticamente incubada na Escola de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais; ela se tornou, depois, a quarta maior produtora de insulina para diabete no mundo. Há dois anos, resolvi, por uma questão estratégica, vender a fábrica da Biobras, em Montes Claros, no Brasil. Tínhamos uma fabrica de matéria prima farmacêutica, de questal de insulina em Minas Gerais, e tínhamos formulação no Brasil, na Coréia e na Índia. Competíamos com os três maiores fabricantes mundiais de insulina; no Brasil, historicamente, nossa participação no mercado privado era da ordem de 80%. Estávamos presentes em 12 paises; a União Soviética, enquanto existiu, foi o maior mercado individual nosso; depois na Rússia, Polônia, Alemanha, Coréia, Índia, Argentina, Uruguai. E competindo com marca própria, o que é uma novidade no caso Brasil. Resolvemos vender a fábrica porque chegamos à conclusão que deveríamos adotar como modelo ser uma Nike das proteínas recombinantes. A competitividade a nível do negócio é mais importante. Ou seja, concentrar desenvolvimento tecnológico de um lado; em comercialização internacional do outro; e licenciar terceiros que quisessem fazer produção. Esses terceiros são países que gostam de produzir; que não têm a opção de se concentrar na área nobre do processo, que é o desenvolvimento tecnológico e a comercialização internacional. Infelizmente, por questões legais no Brasil, o nome Biobras teve que ir junto com a fábrica; antes de vender, fizemos uma cisão: tiramos tudo que Biobras tinha de patentes – a Biobras tinha, e a sucessora dela, a Biomm, deve ter ai mais de uma dúzia de patentes internacionais na área de proteínas recombinantes e principalmente de insulina. Tiramos também toda a parte de pesquisa: dois laboratórios de pesquisa, um no Brasil e outro em Miami, tiramos toda a parte de conexão internacional, e vendemos a fábrica".
"Em 2000, a Biobras recebeu a primeira patente internacional de insulina, uma das quatro que existem no mundo. Você tem patentes de uma empresa americana, uma dinamarquesa, uma alemã e uma empresa no Brasil. Nós nos tornamos um ofertante de tecnologia, para garantir produção em terceiros países. Para a Biobras conseguir esta patente, ela fez um negócio interessante -- usou não só pessoal próprio, mas estabeleceu cooperação muito intensa com a Universidade Federal de Minas Gerais, com a Universidade de Brasília, com a USP de Ribeirão Preto, e com Universidades e centros de pesquisa no exterior. A Universidade de Miami, que tem um grande centro de pesquisa de diabete; Southampton, na Inglaterra, Chemiac, em Moscou, Karolinska na Suécia -- enfim, procuramos levantar onde havia qualificações, para não reinventar a roda, e fazer um processo de desenvolvimento integrado. Temos que pensar mais sobre essa capacidade de desenvolvimento em rede, em termos de Brasil. Com cooperação lá fora você pode alavancar o processo. "
"O processo de levar a Biobras a deixar de ser uma “empresa de fábrica” para ser uma “empresa sem fábrica” demorou um pouco mais do que esperávamos. No Brasil, quando você vende uma planta para um comprador que tem um volume mínimo de vendas, a operação tem que ser aprovada pelo CADE; a aprovação demorou um ano e onze meses. Fomos obrigados a assinar um acordo de reversibilidade: se o CADE não aprovasse a operação, deveríamos poder revertê-la. Ficamos todo esse tempo esperando, sem poder fazer nada que impedisse depois uma reversão. A Biomm é a sucessora da Biobras: tem a mesma estrutura acionária que a Biobras tinha, os mesmos acionistas, é uma empresa de capital aberto, do mesmo jeito que a Biobras era, registrada na Bolsa de São Paulo. Biobras sempre teve mais acionistas, do que funcionários. No auge de nossa operação, tínhamos 500 funcionários e 600 acionistas. Na década de 90, os acionistas tiveram um retorno, na Bolsa de São Paulo, de 4.444% na década. Descontando a inflação, dá uma média de 46% ao ano. A imprensa fala muitas vezes que a Biobras foi vendida. Não, a fábrica da Biobras foi vendida; mas o conceito básico, o grupo pesquisador, todas as patentes, todas as conexões internacionais, todos os acionistas continuam juntos no mesmo processo." Vendida a Biobrás para uma indústria estrangeira, nasceu uma sucessora, a Biomm, e com o dinheiro apurado seus fundadores criaram o fundo FIR Capital. A Biomm é uma empresa especializada em P&D e comercialização internacional, com foco em biotecnologia e tecnologia da informação, áreas em que o FIR tem investido.
É fato notório que a insulina humana recombinante, além de ter sido o primeiro produto da moderna biotecnologia a ser comercializado no mundo, pode ser hoje considerado um produto consolidado no mercado, dado que alcançou níveis de substituição que chegam a 100% em vários países da Europa e cerca de 85% nos Estados Unidos. A tendência à substituição é incontestável mesmo no Brasil, onde as insulinas humanas (recombinante e semi-sintética) já ocupam aproximadamente 40% do mercado. Sob concorrência no mercado nacional, com a empresa dinarmaquesa Nova Nordisks, a Biobrás acabou no final de 2001, sendo adquirida por US$ 31 milhões. A holding controladora Biopart deve reter o laboratório de pesquisa, os 15 pesquisadores de ponta além da patente de processo de uso do DNA recombinante, dedicando-se apenas as atividades de pesquisa.
Resumo:
PI9810650 A presente invenção refere-se a um vetor para expressão de uma proteina heteróloga por uma bactéria Gram negativa, em que o vetor inclui um ácido nucléico tal como ADN que codifica o seguinte: uma origem de região de replicação; opcional e preferivelmente um marcador de seleção;- um promotor; uma região de iniciação; tal como uma região de iniciação de translação e/ou um sítio de ligação de ribossomo, pelo menos um sítio de restrição para inserção de ácido nucléico heterólogo, por exemplo ADN, codificando a proteína heteróloga, e um terminador de transcrição. O vetor inventivo pode conter ADN que codifica a proteina heteróloga, por exemplo, pró-insulina tal como pró-insulina com rótulo His. Ainda a invenção proporciona um método para extração de uma proteina recombinante de dentro de uma bactéria Gram negativa recombinante tendo uma membrana de célula, sendo lisar a bactéria, bem como um método para purificar uma insulina recombinante humana, em que a pró-insulina recombinante isolada é submetida a sulfitólise, cromatografia de quelação com Ni, restauração, proteólise limitada e separação por cromatografia para prover insulina humana recombinante;- isolada, purificada..
Referências:
Cientistas do Brasil, SBPC, 1998, página 575
Patentes onde o Brasil perde, set/93, Sindicato da Indústria de
artefatos de Papel, papelão e cortiça no Esatdo de São Paulo, pg 27.
Livro: 50 anos do CNPq contados pelos seus presidentes, de Shozo Motoyama, Ed. FAPESP, 2002, páginas 450 e 454
ZEVALLOS, Gustavo, 101 inovações brasileiras, São Paulo,: IOB, 2008, p.56
Brasil inovador : o desafio empreendedor : 40 histórias de sucesso de empresas que investem em inovação / Vladimir Brandão, Ada Cristina V. Gonçalves, ...[et al.]; coordenação Carlos Ganem e Eliane
Menezes dos Santos. – [Brasília : IEL – NC, 2006.] p. 24
https://repositorio.mcti.gov.br/handle/mctic/5025