domingo, 31 de agosto de 2025

#66 TUPY PI0105987 - FERRO FUNDIDO VERMICULAR DE ALTA USINABILIDADE

PI0105987 - FERRO FUNDIDO VERMICULAR DE ALTA USINABILIDADE

Depósito: 27/11/2001

Destaque: Prêmio Finep Inventor Inovador 2007 região Sul

Inventor: Wilson Luiz Guesser

Titular: Tupy SA (SP/BR)



O ferro fundido vermicular (ferro CGI) é mais duro e resistente que os ferros convencionais, porém era fabricado apenas em laboratório para uso exclusivo em carros de competição. Com o desenvolvimento do processo industrial para sua utilização em blocos e cabeçotes, a Tupy viabilizou os motores a diesel de alto desempenho e menos prejudiciais ao meio ambiente em larga escala. As inovações fizeram com que sua produção fosse multiplicada por oito, superando a marca de R$ 1 bilhão de faturamento em 2006 e posicionando entre as cinco maiores fundições do mundo. O ferro CGI tem maior resistência do que o ferro fundido cinzento e o alumínio, permitindo maior relação potência/peso e uma combustão mais eficiente, particularmente elevada em motores diesel. 

Wilson Guesser é Professor da UDESC desde 1977 e Engenheiro da Tupy Fundições desde 1977 com trabalhos publicados nas áreas de fundição de ferros fundidos ferro fundido vermicular; areias de moldagem e bentonitas; fragilização por hidrogênio de ferros fundidos e gestão da inovação na indústria. A Família Guesser (originalmente Gesser), originária de Hunsrück, Alemanha migrou para o Brasil em 1828, estabelecendo-se inicialmente em São Pedro de Alcântara. A Família teve seu nome alterado para uma parte de seus descendentes (de Gesser para Guesser), cresceu e se multiplicou, permaneceu principalmente em Santa Catarina.




A Tupy nasceu em 1938, em Joinville, cidade formada por imigrantes europeus, especialmente germânicos. Os fundadores Albano Schmidt, Hermann Metz e Arno Schwarz já trabalhavam com ferro e buscavam produzir ferro fundido maleável, até então apenas importado. Após muitas tentativas, em 1937 chegaram à fórmula correta, e no ano seguinte iniciaram a fabricação das primeiras conexões com a marca Tupy. Em 1941, os produtos já eram reconhecidos oficialmente como equivalentes aos estrangeiros. O sucesso levou Albano a planejar um parque industrial no bairro Boa Vista, cuja implantação começou em 1954 e transformou a Tupy na maior empresa de Santa Catarina. Após a morte de Albano em 1958, seu filho Hans Dieter Schmidt assumiu a presidência. Visionário, criou a Escola Técnica Tupy em 1959, preparando mão de obra para atender à indústria automobilística. Já em 1958 a empresa fornecia tambores de freio para a Volkswagen. Em 1963 inaugurou nova fundição para peças automotivas e, em 1972, criou o Centro de Pesquisa em parceria com a USP. Em 1975 ampliou sua atuação com blocos e cabeçotes de motor, consolidando o setor automotivo como pilar da empresa. Contudo, a morte precoce de Dieter em 1981 e a diversificação excessiva do grupo quase levaram ao fechamento da Tupy. A partir de 1991 iniciou-se uma gestão profissionalizada, e em 1995 o controle acionário passou a fundos de pensão e bancos, garantindo capitalização. A empresa então focou na fundição, ampliou exportações e buscou espaço global. Em 1998 adquiriu a fundição de Mauá (SP), modernizou e expandiu suas unidades, dobrando a capacidade produtiva. Hoje, consolidada no setor, figura entre as cinco maiores fundições do mundo.

Empresa de fundição de peças de ferro fundido, aço e suas ligas, a Tupy Fundições (SC) foi vencedora do prêmio Finep 2004 categoria Processo região Sul com um processo de produção e controle de blocos e cabeçotes em ferro fundido vermicular. Utilizados em motores de automóveis, os blocos e cabeçotes em ferro fundido aumentam o desempenho do motor, tornandoo mais leve, silencioso e menos poluente. O domínio do novo processo, que demandou nove anos de pesquisa, possibilitou à Tupy fechar com a Ford Motor Company o primeiro contrato mundial para fornecimento desses produtos em grande escala. Para atender ao contrato, a Tupy deverá ampliar a sua produção, atualmente em três mil peças/ mês, para 25 mil unidades em 2006. Os blocos serão utilizados no motor a diesel do carro Jagua


Resumo: PI0105987 Isento de microporosidades, abrangendo as classes de 350 a 500 MEGA PASCAL de limite de resistência, apresentando uma usinabilidade superior em no mínimo 40% aos ferros fundidos vermiculares convencionais, usinabilidade esta avaliada pela vida da ferramenta de corte.


Referências:
ZEVALLOS, Gustavo. 101 inovações brasileiras, São Paulo: IOB, 2008, p. 208

#65 PETROBRÁS PI0705179 - ADITIVO PARA MAXIMIZAR OLEFINAS LEVES EM FCC E PROCESSO PARA PREPARAÇÃO DO MESMO

PI0705179 - ADITIVO PARA MAXIMIZAR OLEFINAS LEVES EM FCC E PROCESSO PARA PREPARAÇÃO DO MESMO

Depósito: 10/10/2007

Destaque: Aumento da oferta de matéria prima para a indústria petroquímica

Inventor: Marlon Brando Bezerra da Almeida / Alexandre de Figueiredo Costa / Lam Yiu Lau / Eliane Bernadete Castro Mattos

Titular: Petrobrás Brasileiro SA (RJ/BR)

Nova alternativa para o processamento do petróleo pesado, que antes sofria o craqueamento focado apenas na produção  de combustíveis para o transporte. A técnica envolve a adaptação do processo  de quebra (craqueamento) de moléculas de óleo pesado para a produção de derivados de alto valor, como oleofinas leves (eteno, propeno) e aromáticos (paraxileno e benzeno). O novo processo utiliza frações do óleo bruto Marlim, o mais abundante no Brasil, convertendo-o diretamente em propeno, eteno e aromáticos, dispensando a produção de nafta. A grande vantagem dessa tecnologia é que ela dispensa a etapa intermediária de produção de nafta, tradicionalmente utilizada como insumo na cadeia petroquímica. Isso representa redução de custos, aumento de eficiência e aproveitamento mais inteligente do petróleo pesado, que antes tinha menor valorização no mercado.


Resumo: PI0705179 A presente invenção diz respeito a um processo para produção de aditivos para catalisadores de craqueamento catalitico fluido (FCC) a base de zeólita seletiva a olefinas leves, com a finalidade de aumentar os rendimentos, nas unidades de (FCC), de gás liquefeito de petróleo (GLP) e olefinas leves, de alto valor agregado, entre outros propeno e isobuteno. Essa invenção provê um método de preparação de composições cataliticas, a partir de zeólita modificada com fosfato e metal alcalinoterroso, que resulta na obtenção de um aditivo com melhor desempenho que os aditivos, de composições similares, obtidos por outros métodos do estado-da-técnica. O processo pode ser considerado uma evolução em relação a outros processos, posto que promove a interação entre a zeólita seletiva a olefinas leves e seu ativador, um reagente "X". Para tal, utiliza-se uma etapa isolada durante a sequência de etapas do preparo. Outrossim, a zeólita não sofre tratamentos adicionais como filtração, lavagem ou calcinação após o tratamento com seu ativador. Esse aditivo pode ser obtido a partir de qualquer zeólita comercial seletiva a olefinas leves, como a zeólita do tipo ZSM-5.

Referências:
ZEVALLOS, Gustavo. 101 inovações brasileiras, São Paulo: IOB, 2008, p. 160

#64 PELENOVA PI9604371 BIOMEMBRANA PARA REGENERAÇÃO DE TECIDOS

 PI9604371 - BIOMEMBRANA ADEQUADA PARA USO NA SUBSTITUIÇÃO, RECONSTRUÇÃO, INDUÇÃO DE ANGIOGÊNESE, NEOFORMAÇÃO OU REGENERAÇÃO DE TECIDOS OU ÓRGÃOS HUMANOS E ANIMAIS

Depósito: 09/10/1996

Destaque: Em três anos de mercado mais de 100 mil unidades vendidas, Prêmio Finep 2006

Inventor: Fátima Mrué / Antônio César da Silva Zborowski

Titular: Pele Nova Biotecnologia SA (SP/BR)



A Pele Nova Biotecnologia, empresa paulistana liderada por Ozires Silva, investiu dez anos e R$ 10 milhões no desenvolvimento da biomembrana Biocure, patenteada em 60 países. A médica mestrando Fátima Mrué conheceu um tipo de prótese de esôfago no Japão feita de silicone e teve a ideia de substituir o silicone por látex. descobrindo propriedades cicatrizantes. Com um custo de 50 vezes menor do que as demais opções disponíveis o produto vendeu mais de 100 mil unidades em três anos de mercado proporcionando a cura rápida e indolor a úlceras crônicas para mais de cinco mil pessoas evitando amputações em cerca de 500 pacientes. O produto foi lançado no Brasil e já está em processo de registro no FDA, nos EUA, e no órgão regulador europeu, visando exportação. A biomembrana tem aplicações médicas inovadoras, incluindo restauração de tímpanos, fechamento da parede abdominal após cirurgias, reconstrução de artérias, dentes e tecido conjuntivo-ocular, além de tratamento de ulcerações em pacientes com sondas permanentes. Essas aplicações estão em estudo e podem abrir novos mercados, já que não existe produto similar. A executiva Eleonora Silva Lins destaca que é difícil prever o retorno financeiro, mas em três meses será possível estimar a demanda. O custo-benefício é uma das grandes vantagens do Biocure: o tratamento de feridas crônicas de porte médio, em dois meses, custa R$ 570, contra US$ 30 mil de um material suíço derivado de células vivas. O Biocure, no entanto, não será vendido diretamente ao público; seu uso depende de prescrição médica.

O presidente do Conselho de Administração da empresa Ozires Silva vislumbra um futuro promissor para a companhia, pois dentre os portadores de diabetes há cerca de 24 milhões de pessoas no mundo que sofrem com feridas de difícil cura, que seriam potenciais usuários para o Biocure, um produto muito mais barato que os concorrentes e ainda com a vantagem de ser natural. Cada adesivo Biocure custa cerca de R$ 28,50, o que equivale a 5% do preço do concorrente mais barato – nos Estados Unidos o gasto anual com curativos de cada um dos diabéticos afetados por feridas gira em torno de US$ 40 mil. A base de látex é biocompatível, o que evita que o produto seja rejeitado pelo organismo humano. Além disso, os resultados na recuperação são superiores aos dos similares: um deles é um gel que contém uma proteína humana cultivada em bactérias, e o outro é um transplante de pele humana, ambos patenteados por gigantes multinacionais da área farmacêutica.

Resumo: PI9604371 A presente invenção refere-se a uma biomembrana adequada para utilização na substituição, reconstrução, indução de angiogênese, neoformação ou regeneração de órgãos ou tecidos humanos ou animais, a qual compreende o produto de polimerização de látex natural como seu constituinte principal. A invenção refere-se também a um material substituto para órgãos e tecidos humanos ou animais e a um suporte para o crescimento de microorganismos e células que contêm uma biomembrana como descrita acima.

Referências:
Ciência e Saúde - 15/06/2004 - 11:01:20 Empresa brasileira lança biomembrana inédita - Agência Estado / Viviane Mottin
ZEVALLOS, Gustavo. 101 inovações brasileiras, São Paulo: IOB, 2008, p. 150
https://web.archive.org/web/20070522072728/http://www.finep.gov.br/premio/fotos_premiacao_2006/solenidade_planalto/pages/foto_de_joao_luiz_ribeiro_24_jpg.htm
Brasil inovador : o desafio empreendedor : 40 histórias de sucesso de empresas que investem em inovação / Vladimir Brandão, Ada Cristina V. Gonçalves, ...[et al.]; coordenação Carlos Ganem e Eliane
Menezes dos Santos. – [Brasília : IEL – NC, 2006.] p. 55

sábado, 30 de agosto de 2025

#63 UFSCAR PI0200019 - MOTOR A ÁLCOOL PRÉ VAPORIZADO

PI0200019 - MOTOR A ÁLCOOL PRÉ VAPORIZADO

Depósito: 04/01/2002

Destaque: 

Inventor: Arthur Carlos Zanetti / Marcos Serra Negra Camerini

Titular: Arthur Carlos Zanetti (BR/SP) / Marcos Serra Negra Camerini (BR/SP)

Motor a álcool pré-vaporizado (MAPV) é um tipo de motor a álcool onde o combustível etanol é vaporizado por um dispositivo aquecedor denominado estequiômetro que aproveita o calor gerado pelo escapamento ou pelo sistema de arrefecimento do veículo. O combustível só é injetado nos cilindro do motor e queimado depois de ser totalmente vaporizado. Existem dois sistemas pré-vaporização de  do etanol combustível: PI8402740 Vaporização pelo aproveitamento do calor gerado pelo escapamento do veículo desenvolvido pelo professor, cientista e um dos pioneiros do pró-álcool Romeu Corsini e a PI0200019 Vaporização pelo uso do calor produzido pelo sistema de arrefecimento  desenvolvido pelos engenheiros Arthur Carlos Zanetti e Marcos Serra Negra Camerini. No processo MAPV o combustível líquido proveniente do tanque é aquecido pelo calor liberado pelo sistema de arrefecimento do motor e, com isso, vaporizado. Só depois ele é dosado com o ar formando a mistura combustível gás-gás. Camerini lembra que o projeto se baseou na patente do professor Romeu Corsini, da Universidade de São Carlos, mas que durante o desenvolvimento, que já dura três anos, ele e Zanetti resolveram alterar o conceito original. “A patente do professor Corsini é baseada no aproveitamento do calor dos gases de escapamento, mas nós descobrimos que isto se torna muito difícil de controlar devido as elevadas temperaturas, bem como às variações destas. Resolvemos então aproveitar o calor do líquido de refrigeração do motor, antes deste voltar ao radiador.” 


Romeu Corsini na foto acima (Jardinópolis, 1916 – São Carlos, 25 de março de 2010) foi um engenheiro e pesquisador brasileiro cuja carreira acadêmica foi integralmente dedicada à USP, iniciada em 1936  Formou-se em Engenharia Elétrica pela Escola Politécnica da USP em 1942 e em Engenharia Aeronáutica pelo IPT em 1946. Em 1941, em parceria com Adonis Maitin, Corsini desenvolveu o avião Paulistinha, que se tornou um dos treinadores mais bem-sucedidos da aviação brasileira. Um dos primeiros cientistas brasileiros a apostar no motor movido à álcool, que resultaria no programa oficial Pro-Álcool, entre as inúmeras contribuições que sua atuação trouxe para São Carlos, está a implantação do curso de Engenharia Aeronáutica, o primeiro curso civil da área no país, instalado no Campus 2 da USP e que formou a primeira turma em dezembro de 2006. Corsini foi um dos inventos do motor a álcool pré-vaporizado, que permite um rendimento superior aos carros movidos a gasolina e a álcool convencional. A coordenação da pesquisa foi toda dele, que era superintendente do Centro de Pesquisa da USP São Carlos. A solução trouxe maior independência ao País em relação ao petróleo.

A principal razão na vaporização do combustível é tornar o combustível e o ar uma mistura homogênea, sem pontos de mistura rica ou pobre. Para que o processo de vaporização seja eficiente, é necessário que o combustível utilizado seja de composto único para que, em uma temperatura constante, todo o produto seja vaporizado, sem separação de fases. Etanol e metanol possuem essa característica. Porém, a gasolina é composta de dezenas de hidrocarbonetos, inviabilizando uma vaporização adequada. O etanol pré-vaporizado foi utilizado por Romeu Corsini, que apresentou seu pedido de patente em 1977, e após modificações na patente, esta foi aprovada somente em 1989, com o título “Processo e equipamento para alimentação de motores de combustão interna movidos a álcool". O invento de Corsini era um processo com respectivo equipamento para alimentação de motores de combustão interna, movidos, preferencialmente, a etanol hidratado ou com combustíveis de composto único. Segundo Corsini, o processo convencional da época, o carburador, apresentava alguns inconvenientes, dos quais podem ser citados os seguintes. A vaporização efetuando-se em grande parte na câmara de combustão, retira do sistema a energia correspondente ao calor latente de vaporização, energia essa que poderia aumentar a pressão e consequentemente a força no tempo motor.

Os engenheiros Arthur Zanetti e Marcos Camerini, Engenheiro Mecânico, formado em 1977 pela Escola Politécnica, desenvolveram em conjunto, de Pré-Vaporização de Álcool para Motores, MAPV. Segundo os engenheiros o processo consiste na pré-vaporização do álcool, etanol ou metanol, antes de ser feita a mistura combustível para a queima dentro do cilindro. O resultado, conforme observam os projetistas, se reflete em ganhos de rendimento e desempenho, redução de consumo de combustível e também nos índices de emissões. De acordo com Marcos Camerini, engenheiro que trabalhou na General Motors do Brasil nos anos 70 e 80 e que foi um dos responsáveis pelo desenvolvimento da motorização dos primeiros modelos do Chevrolet Monza, o sistema de pré-vaporização baseia-se no princípio de que uma mistura de gases queima de maneira muito mais eficiente do que uma mistura bi-fase, de líquido-gás convencional. “O sistema convencional não aproveita todo potencial energético da mistura e com isso perde em rendimento e eleva o índice de emissões, já que não queima totalmente o combustível. No sistema pré-vaporizado a mistura em nível molecular possibilita a queima completa do combustível.”

De uma forma simplificada o motor funciona da seguinte forma: o estequiômetro mede a quantidade mínima de combustível que vai precisar para atender as condições que o motorista está exigindo do motor ajustando tal quantidade automática e continuadamente, por meios eletrônicos, de forma a sempre utilizar a mínima quantidade possível de combustível. Usando o calor do cano de escape aquece o álcool e o vaporiza sobre o ar que será usado na mistura, e aí injeta o combustível na câmara de combustão, já em forma de vapor. A queima obtida durante a expansão será quase que integral e a força gerada permanecerá no seu valor máximo por um tempo muito maior que qualquer combustível, resultando em maior potência. Na maior parte dos motores onde é utilizado, o óleo diesel permite um aproveitamento de aproximadamente 20% e, a gasolina de 26%. Vale dizer que de 100 litros de gasolina que você coloca no tanque apenas 26 litros serão transformados em energia utilizada pelo carro, o restante, algo como 74 litros serão desperdiçados pela falta de combustão, pela combustão irregular, por transformação em calor ou evaporados quando da abertura do tanque para os reabastecimentos. 


Resumo: PI0200019 Efetivado quando o combustível líquido proveniente do acumulador (1) passa por um vaporizador (6) composto por câmaras (26 e 27) e tubos, aquecidos pelo líquido original de refrigeração do motor (4), e entrando esse combustível em contato com os tubos aquecidos (25), vaporiza-se e segue, através de câmaras, dutos e eventualmente por reservatórios aquecidos por mufla (12) (que manterá uma temperatura mínima conveniente para evitar sua condensação), para um controlador de pressão (15) e uma válvula dosadora (17), a qual através de sensores de temperatura e pressão (22) é comandada por uma central eletrônica (21), e realiza uma mistura estequiometricamente correta para a mistura combustível, sendo o motor, desta forma, alimentado por uma mistura gás-gás.


#62 PI9601535 - EMBRACO - VCC COMPRESSOR DE CAPACIDADE VARIÁVEL

PI9601535 - SISTEMA E MÉTODO DE CONTROLE DA VELOCIDADE DE OPERAÇÃO DE UM COMPRESSOR HERMÉTICO.

Depósito: 12/04/1996

Destaque: Prêmio FINEP 2001 de Inovação Tecnológica

Inventor: Marcos Romeu Möbius / Marcos Guilherme Schwarz / Paulo Sérgio Dainez

Titular: Embraco (BR/SP), Whirlspool SA. (BR/SP)


O sistema tradicional de refrigeração mantém a temperatura por meio de liga e desliga do compressor, acionado por um termostato quando a temperatura atinge limites pré-definidos. Esse método exige chaves térmicas resistentes a altas correntes e causa maior desgaste. Em 1996, a Embraco desenvolveu o VCC, compressor de capacidade variável com motor de velocidade ajustável, que dispensa o ciclo contínuo de liga e desliga e mantém a refrigeração de forma mais eficiente. O sistema usa uma chave térmica, um contador e comparador de tempo e um controlador de rotação do motor, ajustando a capacidade conforme o tempo de resposta do ambiente. A inovação trouxe impactos econômicos com exportações de alta tecnologia e sociais pela redução no consumo de energia e no efeito estufa. Desde 1998, mais de 1,5 milhão de peças foram vendidas, especialmente nos EUA, Europa e Ásia. O desafio foi conquistar a confiança de grandes clientes internacionais, migrando de fornecedor eletromecânico a eletrônico. O gerente Marcos Guilherme Schwarz destacou que a invenção surgiu da busca de soluções práticas e exigiu tanto visão de mercado quanto aprofundamento técnico, além da proteção por patentes. O VCC recebeu o Prêmio Finep de Inovação Tecnológica em 2001, destacando a redução de até 40% no consumo de energia, maior silêncio e melhor conservação dos alimentos. A Embraco, fundada em 1971 por Consul, Springer e Prosdócimo, iniciou operações em 1974 com tecnologia dinamarquesa e, em 1994, foi eleita Empresa do Ano pela revista Exame. Segundo o superintendente Roberto Bertola, a empresa nasceu para reduzir a dependência de compressores importados e desde o início optou por competir no mercado internacional, enfrentando desafios de qualidade, tecnologia e imagem. Essa decisão estratégica impulsionou a Embraco a investir fortemente em inovação e a tornar-se referência mundial em compressores de alta eficiência.




Ernesto Heinzelmann, natural de Joinville, é engenheiro mecânico graduado pela Universidade Federal de Santa Catarina. Ingressou na Empresa Brasileira de Compressores S.A - Embraco em 1976, tendo sido responsável pela criação da área de Pesquisa & Desenvolvimento, da qual tornou-se diretor em 1989. Desde 1993, é Presidente e CEO da Companhia.Em 10 de março de 1971, três empresas fabricantes de refrigeradores - Consul, Springer e Prosdócimo - fundam a Empresa Brasileira de Compressores S.A. - EMBRACO. Em 1974 A fábrica começa a operar. O primeiro compressor, um PW com tecnologia da empresa dinamarquesa Danfoss, sai da linha de montagem em 6 de setembro. Em 1994 é eleita, no Brasil, a "Empresa do Ano", entre duas mil companhias que tiveram seus balanços analisados pela publicação Melhores e Maiores, da revista Exame. 




O superintendente da Embraco Roberto Bertola explica: "Em 1971, o Brasil produzia perto de 700 mil geladeiras por ano e, acompanhando a euforia econômica do País, o mercado crescia 9% ao ano. Os compressores herméticos eram, em grande parte, importados. A produção local era limitada, e a qualidade não equivalia à internacional. A Embraco nasceu como uma resposta a essa oportunidade mercadológica. Logo no início, o planejamento da fábrica a ser construída ficou condicionado a duas alternativas: projetá-la visando apenas o mercado nacional ou entrar decididamente no mercado internacional com um produto competitivo. O cenário implicava três desafios em relação aos concorrentes já tradicionais: o da qualidade, o tecnológico e o mercadológico. O primeiro, no sentido de atender às rigorosas especificações internacionais de funcionamento e durabilidade. O segundo era desenvolver um projeto inovador, em termos eletromecânicos - alta eficiência, baixo consumo de energia e custo compatível ao nível dos preços internacionais. E o terceiro era romper a resistência de um mercado dominado por marcas tradicionais, oferecendo produtos de um país sem tradição, sem imagem tecnológica e com pequena participação no mercado internacional. Nossa opção foi disputar no exterior. O risco era evidente, mas, a partir dessa decisão, a Embraco começou a fazer investimento que impedia recuos, procurando produzir, a curto prazo, pelo menos 3 milhões de unidades por ano, um nível maior do que o consumo do País, pois, abaixo dessa capacidade de produção, nosso tipo de indústria torna-se inviável"


Resumo: PI9601535 Sistema incluindo motor de velocidade variável, uma unidade de acionamento (6) do motor e uma unidade de controle (7) da velocidade do motor compreendendo: um meio contador de tempo (20), registrando o intervalo de tempo entre cada duas mudanças de estado de uma chave térmica (10) acionável em estados limites de temperatura de um ambiente a ser refrigerado; um meio comparador de tempo (30) comparando cada dito intervalo de tempo com um intervalo de tempo de referência; e um meio de controle (40) da velocidade de rotação do motor instruindo alterações de velocidade de rotação do motor, quando de mudanças de estado da chave térmica (10), ajustando a capacidade de refrigeração do compressor ao padrão pré-estabelecido para o ambiente sob refrigeração. O método de operação deste sistema inclui etapas de: monitorar mudanças de estado da chave térmica (10); registrar cada intervalo de tempo entre mudanças sucessivas de estado da chave térmica (10); comparar cada dito intevalo de tempo com um intervalo de tempo de referência; e instruir alterações de velocidade de rotação do motor, quando de mudanças de estado da chave térmica (10), em função da diferença entre os referidos intervalos de tempo.

Referências:
ZEVALLOS, Gustavo, 101 inovações brasileiras, São Paulo,: IOB, 2008, p.98  
Cronologia do Desenvolvimento Científico e Tecnológico Brasileiro, 1950-200, MDIC, Brasília, 2002, páginas 185, 285, 400
Brasil inovador : o desafio empreendedor : 40 histórias de sucesso de empresas que investem em inovação / Vladimir Brandão, Ada Cristina V. Gonçalves, ...[et al.]; coordenação Carlos Ganem e Eliane
Menezes dos Santos. – [Brasília : IEL – NC, 2006.] p. 33 
 

#61 UNB / BIOMM PI9810650 - INSULINA ARTIFICIAL RECOMBINANTE

PI9810650 - MÉTODOS PARA EXTRAIR PROTEÍNA RECOMBINANTE E PARA PURIFICAR INSULINA RECOMBINANTE ISOLADA

Depósito: 02/07/1998

Destaque: A empresa conquistou 65% do mercado em 2000

Inventor: Spartaco Astolfi-Filho / Beatriz Dolabela de Lima / Josef Ernst Thiemann / Heloisa Ribeiro Tunes de Sousa / Luciano Vilela

Titular: Universidade de Brasília (BR/DF) / Biomm S.A. (BR/MG)


Um novo método de produção de insulina artificial foi desenvolvido pela UnB em parceria com a Biobrás, utilizando tecnologia de DNA recombinante para modificar geneticamente a bactéria Escherichia coli, permitindo que sintetize insulina em 30 dias, reduzindo em dois terços o tempo do processo tradicional. A técnica, patenteada em 2000 nos EUA (US6068993), consiste em inserir na bactéria o gene da pró-insulina humana, obtendo altos índices de expressão e viabilizando a produção em larga escala. Após fermentação e purificação enzimática e cromatográfica, obtém-se insulina recombinante de pureza superior a 1 ppm, atendendo aos padrões internacionais. Essa inovação reduziu a dependência de pâncreas suínos, cuja obtenção era cara e limitada, além de abrir caminho para a fabricação de outras proteínas terapêuticas, como o hormônio do crescimento. Embora mais cara que a de origem animal, a insulina recombinante consolidou a liderança da Biobrás no mercado nacional, com 65% das vendas em 2000. Fundada em 1971, a empresa nasceu da interação entre universidade e setor privado, liderada por Marcos Luiz dos Mares Guia, pioneiro em bioquímica em Minas Gerais. Inicialmente ligada à Lilly, a Biobrás evoluiu para a produção independente de insulina bovina e suína, até alcançar a recombinante, recebendo prêmios e reconhecimento internacional. Sob comando de Guilherme Emrich, a empresa tornou-se a quarta maior produtora mundial de insulina, atuando em mais de 12 países. No entanto, em 2001, foi vendida por US$ 31 milhões para a dinamarquesa Novo Nordisk, dando origem à Biomm, sucessora focada em P&D e comercialização internacional, mantendo patentes e rede de pesquisa. A insulina recombinante, primeiro produto da biotecnologia moderna a ser comercializado, consolidou-se globalmente, respondendo por quase 100% do mercado em vários países, inclusive no Brasil, onde já representa parcela expressiva das terapias contra diabetes.



O empresário mineiro Guilherme Emerich fala da criação da Biobrás "Fundei a empresa, e durante 20 anos fui seu principal executivo. A Biobras nasceu praticamente incubada na Escola de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais; ela se tornou, depois, a quarta maior produtora de insulina para diabete no mundo. Há dois anos, resolvi, por uma questão estratégica, vender a fábrica da Biobras, em Montes Claros, no Brasil. Tínhamos uma fabrica de matéria prima farmacêutica, de questal de insulina em Minas Gerais, e tínhamos formulação no Brasil, na Coréia e na Índia. Competíamos com os três maiores fabricantes mundiais de insulina; no Brasil, historicamente, nossa participação no mercado privado era da ordem de 80%. Estávamos presentes em 12 paises; a União Soviética, enquanto existiu, foi o maior mercado individual nosso; depois na Rússia, Polônia, Alemanha, Coréia, Índia, Argentina, Uruguai. E competindo com marca própria, o que é uma novidade no caso Brasil. Resolvemos vender a fábrica porque chegamos à conclusão que deveríamos adotar como modelo ser uma Nike das proteínas recombinantes. A competitividade a nível do negócio é mais importante. Ou seja, concentrar desenvolvimento tecnológico de um lado; em comercialização internacional do outro; e licenciar terceiros que quisessem fazer produção. Esses terceiros são países que gostam de produzir; que não têm a opção de se concentrar na área nobre do processo, que é o desenvolvimento tecnológico e a comercialização internacional. Infelizmente, por questões legais no Brasil, o nome Biobras teve que ir junto com a fábrica; antes de vender, fizemos uma cisão: tiramos tudo que Biobras tinha de patentes – a Biobras tinha, e a sucessora dela, a Biomm, deve ter ai mais de uma dúzia de patentes internacionais na área de proteínas recombinantes e principalmente de insulina. Tiramos também toda a parte de pesquisa: dois laboratórios de pesquisa, um no Brasil e outro em Miami, tiramos toda a parte de conexão internacional, e vendemos a fábrica". 

O empresário mineiro Guilherme Emerich fala da criação da Biobrás "Fundei a empresa, e durante 20 anos fui seu principal executivo. A Biobras nasceu praticamente incubada na Escola de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais; ela se tornou, depois, a quarta maior produtora de insulina para diabete no mundo. Há dois anos, resolvi, por uma questão estratégica, vender a fábrica da Biobras, em Montes Claros, no Brasil. Tínhamos uma fabrica de matéria prima farmacêutica, de questal de insulina em Minas Gerais, e tínhamos formulação no Brasil, na Coréia e na Índia. Competíamos com os três maiores fabricantes mundiais de insulina; no Brasil, historicamente, nossa participação no mercado privado era da ordem de 80%. Estávamos presentes em 12 paises; a União Soviética, enquanto existiu, foi o maior mercado individual nosso; depois na Rússia, Polônia, Alemanha, Coréia, Índia, Argentina, Uruguai. E competindo com marca própria, o que é uma novidade no caso Brasil. Resolvemos vender a fábrica porque chegamos à conclusão que deveríamos adotar como modelo ser uma Nike das proteínas recombinantes. A competitividade a nível do negócio é mais importante. Ou seja, concentrar desenvolvimento tecnológico de um lado; em comercialização internacional do outro; e licenciar terceiros que quisessem fazer produção. Esses terceiros são países que gostam de produzir; que não têm a opção de se concentrar na área nobre do processo, que é o desenvolvimento tecnológico e a comercialização internacional. Infelizmente, por questões legais no Brasil, o nome Biobras teve que ir junto com a fábrica; antes de vender, fizemos uma cisão: tiramos tudo que Biobras tinha de patentes – a Biobras tinha, e a sucessora dela, a Biomm, deve ter ai mais de uma dúzia de patentes internacionais na área de proteínas recombinantes e principalmente de insulina. Tiramos também toda a parte de pesquisa: dois laboratórios de pesquisa, um no Brasil e outro em Miami, tiramos toda a parte de conexão internacional, e vendemos a fábrica".

"Em 2000, a Biobras recebeu a primeira patente internacional de insulina, uma das quatro que existem no mundo. Você tem patentes de uma empresa americana, uma dinamarquesa, uma alemã e uma empresa no Brasil. Nós nos tornamos um ofertante de tecnologia, para garantir produção em terceiros países. Para a Biobras conseguir esta patente, ela fez um negócio interessante -- usou não só pessoal próprio, mas estabeleceu cooperação muito intensa com a Universidade Federal de Minas Gerais, com a Universidade de Brasília, com a USP de Ribeirão Preto, e com Universidades e centros de pesquisa no exterior. A Universidade de Miami, que tem um grande centro de pesquisa de diabete; Southampton, na Inglaterra, Chemiac, em Moscou, Karolinska na Suécia -- enfim, procuramos levantar onde havia qualificações, para não reinventar a roda, e fazer um processo de desenvolvimento integrado. Temos que pensar mais sobre essa capacidade de desenvolvimento em rede, em termos de Brasil. Com cooperação lá fora você pode alavancar o processo. "

"O processo de levar a Biobras a deixar de ser uma “empresa de fábrica” para ser uma “empresa sem fábrica” demorou um pouco mais do que esperávamos. No Brasil, quando você vende uma planta para um comprador que tem um volume mínimo de vendas, a operação tem que ser aprovada pelo CADE; a aprovação demorou um ano e onze meses. Fomos obrigados a assinar um acordo de reversibilidade: se o CADE não aprovasse a operação, deveríamos poder revertê-la. Ficamos todo esse tempo esperando, sem poder fazer nada que impedisse depois uma reversão. A Biomm é a sucessora da Biobras: tem a mesma estrutura acionária que a Biobras tinha, os mesmos acionistas, é uma empresa de capital aberto, do mesmo jeito que a Biobras era, registrada na Bolsa de São Paulo. Biobras sempre teve mais acionistas, do que funcionários. No auge de nossa operação, tínhamos 500 funcionários e 600 acionistas. Na década de 90, os acionistas tiveram um retorno, na Bolsa de São Paulo, de 4.444% na década. Descontando a inflação, dá uma média de 46% ao ano. A imprensa fala muitas vezes que a Biobras foi vendida. Não, a fábrica da Biobras foi vendida; mas o conceito básico, o grupo pesquisador, todas as patentes, todas as conexões internacionais, todos os acionistas continuam juntos no mesmo processo." Vendida a Biobrás para uma indústria estrangeira, nasceu uma sucessora, a Biomm, e com o dinheiro apurado seus fundadores criaram o fundo FIR Capital. A Biomm é uma empresa especializada em P&D e comercialização internacional, com foco em biotecnologia e tecnologia da informação, áreas em que o FIR tem investido.

É fato notório que a insulina humana recombinante, além de ter sido o primeiro produto da moderna biotecnologia a ser comercializado no mundo, pode ser hoje considerado um produto consolidado no mercado, dado que alcançou níveis de substituição que chegam a 100% em vários países da Europa e cerca de 85% nos Estados Unidos. A tendência à substituição é incontestável mesmo no Brasil, onde as insulinas humanas (recombinante e semi-sintética) já ocupam aproximadamente 40% do mercado. Sob concorrência no mercado nacional, com a empresa dinarmaquesa Nova Nordisks, a Biobrás acabou no final de 2001, sendo adquirida por US$ 31 milhões. A holding controladora Biopart deve reter o laboratório de pesquisa, os 15 pesquisadores de ponta além da patente de processo de uso do DNA recombinante, dedicando-se apenas as atividades de pesquisa.



Resumo: PI9810650 A presente invenção refere-se a um vetor para expressão de uma proteina heteróloga por uma bactéria Gram negativa, em que o vetor inclui um ácido nucléico tal como ADN que codifica o seguinte: uma origem de região de replicação; opcional e preferivelmente um marcador de seleção;- um promotor; uma região de iniciação; tal como uma região de iniciação de translação e/ou um sítio de ligação de ribossomo, pelo menos um sítio de restrição para inserção de ácido nucléico heterólogo, por exemplo ADN, codificando a proteína heteróloga, e um terminador de transcrição. O vetor inventivo pode conter ADN que codifica a proteina heteróloga, por exemplo, pró-insulina tal como pró-insulina com rótulo His. Ainda a invenção proporciona um método para extração de uma proteina recombinante de dentro de uma bactéria Gram negativa recombinante tendo uma membrana de célula, sendo lisar a bactéria, bem como um método para purificar uma insulina recombinante humana, em que a pró-insulina recombinante isolada é submetida a sulfitólise, cromatografia de quelação com Ni, restauração, proteólise limitada e separação por cromatografia para prover insulina humana recombinante;- isolada, purificada..

Referências:
Cientistas do Brasil, SBPC, 1998, página 575
Patentes onde o Brasil perde, set/93, Sindicato da Indústria de artefatos de Papel, papelão e cortiça no Esatdo de São Paulo, pg 27.
Livro: 50 anos do CNPq contados pelos seus presidentes, de Shozo Motoyama, Ed. FAPESP, 2002, páginas 450 e 454
ZEVALLOS, Gustavo, 101 inovações brasileiras, São Paulo,: IOB, 2008, p.56  
Brasil inovador : o desafio empreendedor : 40 histórias de sucesso de empresas que investem em inovação / Vladimir Brandão, Ada Cristina V. Gonçalves, ...[et al.]; coordenação Carlos Ganem e Eliane
Menezes dos Santos. – [Brasília : IEL – NC, 2006.] p. 24 
https://repositorio.mcti.gov.br/handle/mctic/5025   

sexta-feira, 29 de agosto de 2025

#60 USP PI8107560 - APARELHO PARA ESTIMULAÇÃO ULTRA-SÔNICA EM CONSOLIDAÇÃO DE FRATURAS ÓSSEAS.

PI8107560 - APARELHO PARA ESTIMULAÇÃO ULTRA-SÔNICA EM CONSOLIDAÇÃO DE FRATURAS ÓSSEAS

Depósito: 19/11/1981

Destaque: patente vendida no exterior

Inventor: Luiz Romariz Duarte

Titular: Luiz Romariz Duarte (BR/SP)



Em 1983 o brasileiro Luiz Romariz Duarte usou ultrassom de baixa intensidade para estimulação de crescimento de tecidos e assim reverter quadros de não consolidação do osso. Os resultados das pesquisas com o aparelho foram divulgados em 1976 em um congresso da Federação Internacional de Engenharia Médica e Biológica em Otawa, no Canadá. Duarte patenteou o sistema em 1984, nos EUA (US4530360) e no Brasil (PI8107560). Ele vendeu a patente para a empresa Exogen Incorporation, dos EUA. O método se baseia em uma propriedade do colágeno, fibras existentes no tecido ósseo. As fibras colágenas são capazes de transformar vibrações mecânicas em energia elétrica. Os pulsos de ultra-som aplicados provocam uma vibração no osso. A eletricidade gerada faz com que as células ósseas produzam o material de cicatrização mais rápido. 

O Programa de Pós-Graduação Interunidades em Bioengenharia (PPGIB) foi criado em 1977. Dele participam a EESC-USP, a FMRP-USP o IQSC-USP. O PPGIB é o segundo mais antigo programa interunidades de pós-graduação da USP com cursos de mestrado e doutorado nas linhas de pesquisa Biomateriais, Biomecânica e Tecnologia em Saúde. A sua criação foi motivada pela livre-docência do Prof. Dr. Luiz Romariz Duarte, intitulada “Estimulação Ultra-Sônica do Calo Ósseo”, no Departamento de Engenharia de Materiais da EESC na década de 70. O Prof. Duarte foi o mentor da tecnologia para tratamento de fraturas ósseas por ultra-som de baixa intensidade, técnica internacionalmente conhecida como LIPUS (low intensity pulsed ultrasound).

Na década de 80 sob a liderança dos norte-americanos John Peter Ryaby e Roger Talish a patente desta tecnologia foi comprada para se criar a empresa Exogen. Em 1994, após intensas investigações com experimentos animais e clínicos, esta empresa obteve a aprovação do FDA (Food and Drug Administration) para o uso da tecnologia nos EUA. Em 2001, a Smith & Nephew, uma das maiores empresas de ortopedia do mundo adquiriu a Exogen. Neste mesmo ano o uso da tecnologia no Brasil foi aprovado pela ANVISA e a técnica, também denominada de estimulação ultra-sônica da regeneração óssea (EURO), tornou-se disponível para o tratamento de fraturas recentes, ou com retardos de consolidação óssea ou em pseudoartroses (não união óssea).

Essa pesquisa enquadra-se na linha de “Tecnologia em Saúde”, cujo objetivo, entre outros, é a compreensão dos fenômenos básicos relacionados com o aparelho músculo-esquelético e à proposição de soluções para a reabilitação de tecidos biológicos que tenham sua função original perdida.



Resumo: PI8107560 Patente de invenção da estimulação ultrassônica da consolidação de fraturas ósseas, constituída por processo terapêutico não-invasivo pelo qual a energia acústica ultrassônica passa de um transdutor, para a pele do paciente atravessando músculos, até atingir o osso região de uma fratura, como consequência da incidência de ultrassom no osso há um grande aumento da atividade celular das células fibroblastos acelerando-se sua divisão mitótica formando-se, portanto, no final do processo, novo num tempo menor. Esse efeito é obtido em qualquer osso do corpo de qualquer mamífero. A invenção pertence, pois, aos campos da Medicina, da Veterinária e da Odontologia (esta última no que se refere à consolidação óssea). Para se conseguir o efeito desejado, há a necessidade de se selecionar os parâmetros apropriados para a estimulação.


#59 UFPB 102020006631 - VENTILADOR PULMONAR MICRO-CONTROLADO EQUIPADO COM SISTEMA MULTIBIOMÉTRICO

 102020006631 - VENTILADOR PULMONAR MICRO-CONTROLADO EQUIPADO COM SISTEMA MULTIBIOMÉTRICO

Depósito: 02/04/2020

Destaque: Selecionado por meio do Edital Covid-19 cujo recurso total foi da ordem de R$ 2 milhões provenientes do Governo da Paraíba e da Assembleia Legislativa da Paraíba..

Inventor: MARIO CESAR UGULINO DE ARAÚJO / RAILSON DE OLIVEIRA RAMOS / VÁLBER ELIAS DE ALMEIDA / TIAGO MARITAN UGULINO DE ARAUJO / MARCOS HENRIQUE ALVES DA SILVA

Titular: UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAIBA (BR/PB)




Pesquisadores e professores da UFPB (Universidade Federal da Paraíba) criaram um respirador pulmonar de baixo custo e tornaram a licença gratuita para qualquer interessado produzir o equipamento e ajudar unidades de saúde no combate à covid-19. O equipamento conta com os marcadores de parâmetro vitais e ainda tem controle remoto por celular. "A parte básica do equipamento está orçada em torno de R$ 400, e o equipamento como produto final vai chegar em torno de R$ 2.000", conta Petrônio Filgueiras de Athayde Filho, diretor-presidente da Inova (Agência UFPB de Inovação Tecnológica). Com objetivo de atender as unidades de saúde no tratamento da Covid De acordo com o Prof. Dr. Petrônio Filgueiras de Athayde Filho, Diretor Presidente da INOVA-UFPB, a licença da patente do aparelho será gratuita e sem exclusividade, permitindo que outras empresas também fabriquem e vendam o equipamento. 

A distinção deste equipamento para outros que estão em construção no Brasil está nas características do produto. O ventilador pulmonar desenvolvido na Paraíba é microcontrolado, os pesquisadores priorizaram a conectividade do aparelho e a integração com um aplicativo dando a possibilidade de controle por dispositivo móvel. A conexão permite que dados de monitoramento de um ou mais pacientes sejam acessados à distância o que simplifica as rotinas de atendimento hospitalar junto a o paciente: vistorias aos pacientes, monitoramento de múltiplos pacientes de modo simultâneo e em tempo real e monitoramento de pacientes de fora de ambientes insalubres de internação. O projeto intitulado “Ventilador Pulmonar Micro-controlado portátil, equipado com Sistema Multibiométrico, Monitor Touchscreen e Conectividade Wireless” foi selecionado por meio do Edital Covid-19 cujo recurso total foi da ordem de R$ 2 milhões provenientes do Governo da Paraíba e da Assembleia Legislativa da Paraíba.

Coordenado pelo professor Mário César Ugulino de Araújo (na foto), o projeto do ventilador pulmonar foi desenvolvido no Laboratório de Automação e Instrumentação em Química Analítica e Quimiometria (LAQA) em parceria com pesquisadores do Centro de Informática (CI) e ainda conta com suporte do Parque Tecnológico da Paraíba (PaqTcPB) para os testes. Ugulino foi nomeado recentemente Vice-Diretor do Centro de Ciências Exatas e da Natureza da UFPB. 



Resumo: 102020006631 O presente invento descreve um ventilador pulmonar microcontrolado composto de atuador mecânico de ventilação baseado em um sistema pneumático de válvulas solenoides. Este instrumento é equipado ainda com monitor touthscreen, com sensores externos de batimento cardíaco, temperatura e um oxímetro, além de possuir conectividade wireless. No modo operante deste instrumento, os sinais monitorados via monitor touthscreen, também são enviados para uma central de monitoramento virtual, cujos dados podem ser acessados por dispositivos móveis (tabletes, smatphones, notebooks) via aplicativo desenvolvido especificamente para este fim. O sistema de conectividade permite que um ou mais unidades envie dados, possibilitando o monitoramento simultâneo e a distância, resultando na otimização do tempo e redução de esforço e da exposição a ambiente insalubre.

quinta-feira, 28 de agosto de 2025

#58 UFMG /FAPEMIG 102017015955 - CALIXCOCA: VACINA CONTRA COCAÍNA E CRACK

102017015955 - CALIXCOCA: VACINA CONTRA COCAÍNA E CRACK

Depósito: 25/07/2017

Destaque: Prêmio Euro Inovação na Saúde (2023) e o Prêmio Veja Saúde & Oncoclínicas de Inovação Médica (2023).

Inventor: NGELO DE FÁTIMA / FREDERICO DUARTE GARCIA / SIMONE ODÍLIA ANTUNES FERNANDES / VALBERT NASCIMENTO CARDOSO / ADRIANA MARTINS GODIN / ANGÉLICA FALEIROS DA SILVA MAIA / LEONARDO DA SILVA NETO / MAILA DE CASTRO LOURENÇO DAS NEVES / PAULO SÉRGIO DE ALMEIDA AUGUSTO

Titular: UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS (BR/MG) / FUNDAÇÃO DE AMPARO À PESQUISA DO ESTADO DE MINAS GERAIS - FAPEMIG (BR/MG)





O Governo de Minas e a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) anunciaram, nesta quinta-feira (28/8), a concessão da carta patente nacional, pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (Inpi), e internacional, nos Estados Unidos, da vacina Calixcoca, inovação terapêutica contra a dependência de cocaína e crack.

O anúncio foi feito pelo governador de Minas Gerais, Romeu Zema, e pela reitora da UFMG, Sandra Goulart, durante solenidade em comemoração aos 40 anos da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig), cotitular da patente junto à UFMG. 
 
"Quero parabenizar a todos os parceiros que participaram ativamente da questão da Calixcoca, que vai, com toda certeza, trazer um avanço muito grande neste problema social que é a questão dos dependentes químicos. Este é um passo importantíssimo da nossa ciência, contribuindo para um problema que não é só de Minas, não é só do Brasil, mas do mundo todo", destacou Romeu Zema.
 
A partir de agora, uma nova etapa se inicia no desenvolvimento da Calixcoca. Com o aporte de R$ 18,8 milhões feito pelo Governo de Minas, será possível iniciar os testes clínicos em humanos, etapa essencial para transformar a pesquisa em alternativa terapêutica concreta.

Deste total, R$ 10 milhões são oriundos da Secretaria de Estado da Saúde (SES-MG) e R$ 8,8 milhões da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico (Sede-MG), por meio da Fapemig.

Em 2024, foram repassados R$ 14,6 milhões, e mais R$ 1,69 milhão será pago ainda em 2025. O restante do valor — R$ 2,6 milhões — será repassado entre 2026 e 2027.

Além disso, por meio de chamadas públicas da Fapemig, outros R$ 500 mil já foram investidos para o desenvolvimento da pesquisa.
  
"A Calixcoca é a primeira vacina vinculada ao consumo de crack e cocaína. Esse imunizante já demonstrou uma eficiência muito grande nos testes, até então feitos em camundongos, diminuindo a dependência e os efeitos da droga. E esse investimento de quase R$ 20 milhões fará com que essa vacina passe nessa nova fase de testes, para que em alguns anos ela possa ser utilizada na rede pública", pontuou o secretário de Estado de Saúde, Fábio Baccheretti.
 
Diferentemente das vacinas já testadas em outros países, a Calixcoca é não proteica, baseada na molécula sintética V4N2 (calixareno), e induz o organismo a produzir anticorpos que se ligam à cocaína no sangue, o que impede que a droga alcance o cérebro e bloqueia seus efeitos. 

Os resultados pré-clínicos mostraram não apenas a produção de anticorpos, mas também a redução de abortos espontâneos em ratas prenhes expostas à droga. Os filhotes nasceram mais saudáveis e resistentes. 

O projeto já recebeu importantes reconhecimentos, como o Prêmio Euro Inovação na Saúde (2023) e o Prêmio Veja Saúde & Oncoclínicas de Inovação Médica (2023).


Resumo: 102017015955 A presente tecnologia trata de moléculas estimuladoras do sistema imunológico para serem utilizadas no tratamento da dependência e do uso abusivo de drogas e seus processos de síntese. Essas moléculas compreendem uma estrutura química do tipo calixareno, preferencialmente calix[4]areno e/ou calix[8]areno, acoplada a um hapteno análogo da cocaína, preferencialmente GNE e/ou GNC. Descreve-se também uma vacina antidroga, especificamente anti-cocaína, utilizando tais moléculas. A vacina antidrogas pode também ser utilizada na prevenção da exposição fetal às drogas, em mulheres grávidas que façam uso de drogas e que não desejem ou não consigam interromper o uso delas durante a gravidez.

#57 ALPARGATAS 5891 SANDÁLIAS HAVAIANAS

5891 SANDÁLIAS HAVAIANAS

Depósito: 13/08/1964

Destaque: Produto exportado para vários países

Inventor: -

Titular: São Paulo Alpargatas S/A







As sandálias, forma simples de proteger os pés, sempre foram práticas em países de clima quente e incorporadas a culturas como a do Mediterrâneo e do Japão, onde trocar sapatos por sandálias simboliza respeito. Inspiradas na sandália japonesa Zori, que já mostrava uma sandália de dedo, nasceram em 14 de junho de 1962 as Havaianas, feitas de borracha, material nacional, garantindo conforto e durabilidade, associadas ao glamour do Havaí. Dois anos depois, a São Paulo Alpargatas registrou patente de modelo industrial, com palmilha frisada e forquilha ornamentada. O sucesso foi imediato, mas também gerou imitações, combatidas pelo slogan “Legítimas, só as Havaianas”, que destacou sua resistência. O termo “fajuto”, usado contra as cópias, entrou no dicionário como sinônimo de produto ruim. Inicialmente vistas como inovadoras, logo perderam o charme, tornando-se artigo popular e até parte da cesta básica nos anos 70 e 80. Apesar de dominar 90% do mercado, a marca entrou em declínio, sem prestígio e com baixa rentabilidade. A virada ocorreu em 1994, com novos designs e o modelo Havaianas Top, inspirado nos surfistas, que vendeu 300 mil pares no primeiro ano. A diversificação reposicionou o produto, elevando lucros e transformando-o em ícone fashion. Atualmente, três pares são vendidos por segundo no Brasil, totalizando mais de 105 milhões por ano e 2,2 bilhões desde 1962. Reconhecidas por revistas de moda internacionais, as Havaianas conquistaram o mercado externo como artigo de luxo, chegando a custar US$ 20 na Europa, contrastando com os US$ 3 no Brasil. Hoje, a marca é referência global em sandálias, símbolo de inovação, simplicidade e estilo.



Resumo: 5891 Novo modelo de palmilha com forquilha caracterizado por ser a palmilha provida de uma pluralidade de pequenos frisos de forma elétrica, uniformemente distribuídos em toda a superfície da palmilha, sendo a forquilha ornamentada  por duas gregas, de direções paralelas, cada uma formada por pequenos frisos em linha quebrada, entrelaçados.


#56 ELC PI9500348 LACRE DE SEGURANÇA

PI9500348 LACRE DE SEGURANÇA

Depósito: 27/01/1995

Destaque: Produto exportado para cerca de 20 países

Inventor: Eduardo de Lima Castro Netto

Titular: ELC Produtos de Segurança Ind. Com. Ltda (BR/RJ)




Nascido no Recife em 1931, Eduardo de Lima Castro Netto concluiu seus estudos técnicos no Rio de Janeiro, estabelecendo-se como empresário metalúrgico e revelando grande vocação para a engenharia mecânica, iniciando sua carreira com a instalação de relógios em edifícios e igrejas. Amante dos esportes náuticos, inventou uma espingarda de ar comprimido para pesca submarina, mas sua trajetória profissional se consolidaria de forma inesperada, marcada por 33 anos de intensa dedicação. Em 1967, impressionado com a quantidade de selos de chumbo descartados em sucatas e preocupado com a toxicidade do material, concebeu o primeiro selo de segurança em polipropileno, que aliava inviolabilidade e simplicidade, substituindo os antigos lacres metálicos usados desde a Idade Média. Sua invenção antecipava preocupações ambientais, tornando-se referência muito antes de leis restritivas ao chumbo surgirem em países como os EUA. O primeiro modelo de selo plástico, lançado em 1967, com duas peças unidas por barbante, conquistou clientes como a Casa da Moeda, os Correios e o INMETRO. Enfrentou enormes dificuldades para registrar a patente, conseguindo nos EUA apenas no limite do prazo, graças à ajuda de uma aeromoça que levou a documentação. No Brasil, aguardou onze anos até a concessão do registro, em 1978, e lutou contra a pirataria internacional em países como França e Bélgica, sempre criticando a lentidão do INPI. Seu sócio, Jonair Almeida, destacou sua visão empreendedora ao perceber que um lacre de plástico poderia substituir toneladas de chumbo descartadas, abrindo amplo mercado. A ELC evoluiu os selos plásticos com numeração em alto-relevo e depois com o sistema “In Mold Label”, incorporando códigos de barras, logomarcas e dígitos verificadores, eliminando falhas e aumentando a segurança. A empresa cresceu e passou a exportar sua tecnologia para diversos países, sendo escolhida até para lacrar ogivas nucleares norte-americanas. Após a morte de Eduardo, em 2000, três de seus filhos assumiram o comando e expandiram os negócios, aplicando milhões em ferramentaria, empregando mais de 500 pessoas e exportando para cerca de 20 países, consolidando o legado de um invento que ajudou a eliminar o chumbo do mercado mundial.





Resumo: PI9500348 Descreve-se um dispositivo para o fechamento e lacre de envelopes e similares compreendendo primeira e segunda tiras alongadas de material plástico (2, 3), dobráveis, uma sobre a outra, ao longo de uma linha longitudinal de dobradiça de menor espessura (4). A primeira tira (2) apresenta uma série de dentes de travamento (6) de bases enfraquecidas (7) distribuídas ao longo de seu comprimento e a segunda tira (3) apresenta uma série de cavidades (8) adaptadas para receberem os dentes em relação de travamento. Com a finalidade de permitir a fácil abertura do dispositivo quando aplicado à boca de um envelope de plástico (11) com os dentes penetrando orifícios formados ao longo das duas bordas da boca do envelope, pelo menos uma parte do comprimento da linha longitudinal de dobradiça (4), partindo de uma primeira extremidade desta, é enfraquecida (em 9) e cada tira, na sua primeira extremidade, apresenta um apêndice (10) adequado para ser segurado entre os dedos do usuário.

Referências:
Propriedade Industrial, José Tavares, página 74
 

#55 LUNE PI9202624 - BINA

PI9202624 - BINA

Depósito: 07/07/1992

Destaque: Lançado em 1982 na cidade de Brasília, o BINA82 foi o primeiro BINA comercializado para usuários em todo o mundo.

Inventor: Nélio José Nicolai

Titular: Lune Projetos Especiais em Telecom Com. e Ind. Ltda. (BR/DF)






O problema de identificar o assinante chamador era considerado quase insolúvel, já que apenas o terminal de origem controlava a ligação e bastava desligar para desfazer toda a conexão, inviabilizando rastreamentos. Para contornar isso, criou-se o recurso de “chamada maliciosa”, permitindo ao receptor reter a ligação, mas sua operação era inviável em escala nacional, pois exigia equipes permanentes em todas as centrais, elevando custos. Assim, só se autorizava rastreamento mediante ordem judicial, consolidando o entendimento equivocado de que identificar chamadas seria quebra de sigilo telefônico.

Foi nesse contexto que Nélio Nicolai, trabalhando com centrais analógicas Ericsson, concebeu a ideia de modificar a sinalização das centrais, substituindo o sinal A3 pelo A5, permitindo a transmissão do número do chamador em ligações locais. Essa simples mudança possibilitou o desenvolvimento do “terminal inteligente” BINA (B Identifica Número A), cujo ponto crucial era a adaptação das centrais e não apenas o aparelho. Em 1982, com recursos próprios, Nicolai criou a SONINTEL e lançou o primeiro protótipo, o BINA 82, utilizado inicialmente até pelo Corpo de Bombeiros de Brasília. O aparelho mostrava o número do chamador antes do atendimento e armazenava chamadas, permitindo retorno posterior.

Nos anos seguintes, surgiram os modelos BINA 87 e 87S, com maior capacidade de memória e funções adicionais, difundidos também para uso em serviços públicos e PABX. Apesar do pioneirismo, Nicolai enfrentou resistência da Telebrás e falta de apoio governamental. Em 1984, a Bell Canadá tomou conhecimento da invenção, mas, após contatos iniciais, lançou o serviço como se fosse seu, em 1986, no Canadá, sem reconhecer a autoria brasileira. Nicolai denunciou a apropriação indevida, mas não obteve reparação internacional.

No Brasil, registrou patentes que descreviam a tecnologia aplicada tanto a centrais analógicas quanto digitais e até celulares, mas nunca recebeu os royalties devidos. Empresas como Americel e Ericsson usaram a tecnologia sem autorização, resultando em longas batalhas judiciais. Travou uma batalha judicial pelo reconhecimento dos direitos de uso do Bina havia mais de 15 anos, embora tenha conquistado algumas vitórias, como o reconhecimento da violação no TJDF em 2003.

A patente original PI8106464 trata de uma tecnologia própria para centrais analógicas Ericsson ARF-10, não mais utilizadas atualmente. Na patente PI 9202624, já voltada para as modernas centrais digitais CPAs, esta descrito a modificação na central / categoria ou seja que a central do terminal BINA tem que consultar em seu banco de dados se este número tem BINA, caso afirmativo esta central solicita o número do telefone chamador, armazena em sua memória este número e transforma este número em um sinal DTMF (FSK ou qualquer sinal serial) sinal este transmitido para o BINA. 

Fundou a LUNE em 1993, buscando explorar suas patentes, mas enfrentou disputas contratuais com sócios e empresas licenciadas. Apesar de dezenas de registros, Nicolai denunciava a apropriação indevida de suas ideias por multinacionais e a falta de amparo do Estado. Chegou a receber medalha da OMPI, mas seu valor foi contestado judicialmente. Ele ganhou diversas ações, mas a execução das sentenças e o recebimento dos valores foram processos complexos e demorados, que consumiram sua saúde e seus recursos.

Enquanto isso, o identificador de chamadas se consolidava mundialmente como serviço essencial, com milhões de aparelhos vendidos, sobretudo nos EUA. Outras figuras, como a americana Carolyn Doughty e o japonês Kazuo Hashimoto, também são citadas como inventores, mas Nicolai defende que sua solução foi a primeira a viabilizar comercialmente a tecnologia.

Assim, a trajetória do BINA mistura genialidade técnica, pioneirismo e reconhecimento internacional com frustração, disputas judiciais e a luta incessante de Nélio Nicolai por crédito e remuneração por sua invenção, considerada hoje indispensável nas telecomunicações. Nélio Nicolai faleceu em 2017.





Resumo: PI9202624 Equipamento em técnica digital a analógica, composto de três unidades básicas, sendo a primeira a Unidade Central, capacitada a ser interligada rígida e individualmente a cada Registrador de Entrada, CD ou similar das Centrais Telefônicas Públicas e Privadas no estágio/órgão correspondente a cadeia de entrada e nos terminais correspondentes aos pontos que possibilitem a esta Unidade Central, detectar, coletar, analisar e transmitir informações que permitam inserir novos conceitos e facilidades operacionais na rede telefônica, porém sem interferir, alterar ou criar novos valores de frequência e/ou funções dos sinais característicos das práticas TELEBRÁS específicas esta Unidade Central coleta informações sobre os dígitos recebidos e sinais enviados, analisa categoria para tráfego entrante atualizada "ON LINE", verifica se o terminal é PBX, decidindo pela tomada do equipamento PBX, ou chamada direta do SLM, estas Unidades Centrais são interligadas à segunda unidade, chamada de Unidade de Comando e Coleta de Dados, via um barramento dados bifilar em comunicação serial do tipo RS 485, que possibilita a comunicação Bi-dimencional entre "N" Unidades Centrais e a Unidade de Comando e Coleta de Dados, onde no caso de Coleta de Dados teremos a armazenagem, análise e emissão de relatórios com exatidão e em tráfego real, os índices numéricos e percentuais de total de chamadas, total de chamadas completadas, total de linhas ocupadas, total de congestionamento, total de temporizações, terminais ofensores por FDS e outros, na parte de Comando permite introduzir e alterar "ON LINE", a categoria de qualquer assinante em qualquer das Unidades Centrais, entre estas categorias e essencial a que permite o armazenamento e envio do número de identificação do assinante chamador, via enlace normal, fios a e b, de SLD, SLC, SLB E SLA, até o local onde está instalada a terceira unidade, conhecida como Unidade Remota, que o responsável por toda a comunicação final entre o usuário deste terminal telefônico e a máquina, representada neste processo pelo Sistema Telefônico, esta Unidade Remota tem as características físicas de um terminal telefônico, porém acrescida de funções que a transforma em um terminal inteligente, onde temos acoplado um display, por onde o usuário é informado de número do terminal chamador, com data, hora, tempo de conversação, número de assinante chamado, com data, hora, tempo de coversação a tarifa, sob programação prévia o próprio usuário poderá ter uma série de outros recursos que dependem apenas de alteração do software a ser implantado nestas Unidades Remotas.

revista Comércio Exterior, Janeiro/Fevereiro 1987, páginas 12-14
revista Exame, 10.01.1990 página 84
revista Exame: Quanto vale uma idéia, vol.22, n.1, janeiro de 1990 página 92
"TJDF condena Americel a pagar indenização à Lune", Fonte:Gazeta Mercantil 03/09/03
"Pai do identificador de chamadas, brasileiro nunca recebeu royalties", Fonte: Jornal O Estado de São Paulo, 12/09/03 ON-LINE, Renato Cruz
"Patente pode tirar 'bina' de celular" A Gazeta (ES). 29-10-2004
"Arquivada ação da Americel sobre violação de patente" Fonte:JORNAL DO COMÉRCIO 28/10/2004
"Dono da bina fará execução para retirar identificador da Americel", Josette Goulart, de São Paulo Valor Econômico em 27/10/04 
ZEVALLOS, Gustavo, 101 inovações brasileiras, São Paulo,: IOB, 2008, p.136


quarta-feira, 27 de agosto de 2025

#54 CTB N.2967 - ORELHÃO

N.2967 - ORELHÃO

Depósito: 15/05/1972

Destaque: O orelhão tornou-se um marco do design urbano brasileiro

Inventor: Chu Ming Silveira

Titular: Companhia telefônica Brasileira CTB (BR/SP)






Alexander Graham Bell inventou o telefone em 1876, mas foi Thomas Watson quem criou a cabine telefônica. No Brasil, os primeiros telefones públicos (TPs) surgiram em Santos, em 1934, funcionando com moedas de 400 réis. No ano seguinte, o Rio de Janeiro ganhou seu primeiro posto público, na Galeria Cruzeiro. Em 1945, devido à escassez da moeda original, os aparelhos passaram a aceitar duas moedas de 20 centavos. Pouco depois, telefones foram instalados em bares, farmácias e mercearias, mas com dificuldades devido às trocas de moedas. Para resolver isso, companhias criaram fichas, inicialmente exclusivas de cada região.

Em 1964, padronizou-se o uso das fichas na área da CTB, e em 1970 a Telebrás ampliou o sistema a todo o Brasil. Novos postos foram abertos em locais de grande circulação, como aeroportos, Copacabana, Ipanema, Galeão e rodoviária. Em 1971, a CTB testou cabines cilíndricas, mas o público rejeitou o modelo. Até então, os TPs ficavam em ambientes internos. Experiências em São Paulo com cabines circulares de fibra de vidro e acrílico fracassaram por vandalismo.

A solução definitiva veio em 1972, quando a CTB lançou o protetor em formato de concha, em fibra de vidro laranja: o orelhão, logo bem aceito pela população. A inventora foi a arquiteta Chu Ming Silveira, chefe de engenharia da CTB em São Paulo, que patenteou os modelos CHU-1 (interno) e CHU-2 (externo). Seu projeto foi exposto em bienais, publicado em revistas e reconhecido internacionalmente.

O orelhão tornou-se um marco do design urbano brasileiro, pensado para baixo custo, resistência, boa acústica e integração ao espaço público. Variantes como o “orelhinha” (interno), a concha e versões duplas e triplas também foram criadas. Em 1982, os TPs passaram a receber chamadas, e em 1997 os cartões substituíram definitivamente as fichas, ampliando os serviços.

Assim, o orelhão consolidou-se como símbolo do mobiliário urbano e da comunicação popular no Brasil.





Resumo: 2967/72 Trata-se a presente patente de um protetor para telefone público interno, composto essencialmente por um corpo ou cobertura em configuração aproximada de um ovoide levemente achatado lateralmente e com duas seções verticais ortogonais entre si em formatos respectivamente ovalado e composta por dois arcos circulares extremos, superior e inferior, de diâmetros diferentes, interligados por dois trechos laterais arqueados, e em suave concordância com aqueles, dito corpo sendo ainda chanfrado assimetricamente em plano inclinado, compondo uma grande abertura.


Referências:
ARQUITETO nº 9 de Julho de 1973 - DESIGN “Orelhão: quando o design resolve o problema” disponível em http://www.orelhao.arq.br (documento 6)
ZEVALLUS, Gustavo. 101 inovações brasileiras, São Paulo, IOB, 2008, p.74



#53 ROJEK PI9101018 - ABRE FÁCIL: PROCESSO PARA A FORMAÇÃO DE UM FURO DE ALÍVIO EM TAMPAS METÁLICAS

PI9101018 - PROCESSO PARA A FORMAÇÃO DE UM FURO DE ALÍVIO, PORTADOR DE LACRE OBTURADOR DESTACÁVEL, EM TAMPAS METÁLICAS, DESTINADAS AO FECHAMENTO INVIOLÁVEL E A VÁCUO DE COPOS E OUTRAS EMBALAGENS DE VIDRO

Depósito: 14/03/1991

Destaque: A invenção revolucionou o fechamento metálico para alimentos, conquistando 80% do mercado

Inventor: Arnaldo Rojek

Titular: Metalgrafica Rojek Ltda (BR/SP)





A tecnologia Abre-Fácil, desenvolvida pela Metalgráfica Rojek (patente PI9101018-7), revolucionou o fechamento metálico para alimentos, conquistando 80% do mercado. O sistema consiste em um selo de vedação aplicado em um orifício central da tampa, oferecendo praticidade e segurança na abertura. Atualmente, está disponível em dois diâmetros: 67 mm para copos de vidro e 74 mm para latas de aço.

No segmento de copos, onde se acondicionam principalmente lácteos, conservas e geleias, 90% das embalagens utilizam a Abre-Fácil. A tecnologia também vem substituindo as tampas com garras em potes de vidro, destacando-se pela facilidade de uso e eficiência.

A história da inovação está ligada à trajetória de Arnaldo Rojek, fundador da empresa. Nascido em Jundiaí, filho de um mecânico húngaro, começou a trabalhar aos 12 anos na Companhia Paulista de Estradas de Ferro, onde aprendeu desenho mecânico. Aos 24 anos, ingressou na indústria alimentícia, inicialmente na Cica (hoje Unilever), onde acumulou conhecimento sobre produção de latas.

Aos 35 anos, tornou-se sócio da Laticínios Mococa e depois diretor industrial da Etti, acumulando experiência e identificando demandas no setor. Em 1963, decidiu fundar a Metalgráfica Rojek, inicialmente para suprir tampas metálicas à Etti. Suas primeiras patentes marcaram o início da empresa, que hoje emprega cerca de 700 pessoas.

O Abre-Fácil, além da praticidade, é mais barato que sistemas concorrentes, pois utiliza aço em vez de alumínio, garantindo economia sem perder desempenho. Seu uso em latas de atomatados foi pioneiro, com a Gessy Lever adotando a tecnologia na linha de molhos Cica, com exclusividade de cinco anos.

O impacto foi imediato: após a introdução da tecnologia no Pomarola, as vendas aumentaram 20% no primeiro ano, ampliando a participação de mercado para 4,3%. Outras empresas, como Nestlé (Moça Fiesta), Cirio e Bestfoods, também passaram a adotar a tecnologia.

A inovação ultrapassou fronteiras: a norte-americana Silgan Containers licenciou a tecnologia, comercializando-a sob o nome “Dop Top”. Assim, a Metalgráfica Rojek consolidou-se como referência internacional em embalagens metálicas para alimentos.






Resumo: PI9101018 Processo este, pelo qual, uma tampa metálica do tipo convencional, formada normalmente por um painel circular (1), dotado de aba ou saia descendente (2) tendo em sua periferia interna uma canaleta circular (3) portadora de uma gaxeta de vedação (4), sendo praticado nesta tampa metálica e em um ponto preferentemente central de seu painel (1), uma depressão abaciada (5), destinada a receber e ser preenchida com um material resinoso (plastisol ou similar), Formador do lacre destacável (7), senão que, de acordo com o referido processo, propriamente dito, o furo de alívio (9) é praticado pela face inferior ou interna do painel (1) e no centro da depressão abaciada (5), sendo o furo de alívio (9), praticado após a solidificação e aderência deste material resinoso formador do lacre (7), obtidos pelo processo de vulcanização; sendo que, o furo de alívio (9), é praticado pela face inferior do painel da tampa metálica, ou seja, de baixo para cima e mediante o emprego de um punção- ponteagudo (8), sendo ainda que, as bordas ou rebarbes (10) provenientes de praticação do furo de alívio (9) por puncionamento e de baixo para cima, são mantadas de forma entranhada ou embutida no maternal resinoso solidificado, formador do lacre destacável (7).