sexta-feira, 31 de julho de 2020

#32 BRASILATA PI9408643 - SISTEMA DE FECHAMENTO PLUS

PI9408643 - DISPOSIÇÃO CONSTRUTIVA EM LATAS COM GRANDE ABERTURA EXTREMA DE VAZAMENTO

Depósito: 03/05/1994

Destaque: Produto com selo Brasil Premium exportado pela Brasilata

Inventor: Pedro Bruni Labate, Manoel José Guarda

Empresa: Brasilata (SP/BR)

Em 1995, em conversa com Alexandre Cenacchi, presidente da Sayer Lack, um importante cliente, o diretor superintendente da Brasilata recebeu a solicitação da produção de uma lata redonda para tintas mais barata. A lata de tinta tradicional, fora desenvolvida no início do século passado, e seu sistema de fechamento baseava-se em atrito por múltipla pressão. O que o cliente indagava era se não seria possível a adoção de uma tampa de pressão simples, como as utilizadas para as latas de leite em pó. Foi preciso muita imaginação para transportar a solução da lata quadrada para a lata redonda; muitas tentativas foram feitas, e cerca de três meses depois foram fornecidas ao cliente as primeiras latas redondas com capacidade de 900ml e o novo fechamento por trava mecânica. Para ser diferenciado do sistema da lata quadrada, ele recebeu o nome de Fechamento Plus. Durante esse processo a Brasilata contou com apoio da Finep, que financiou, entre outras atividades, a aquisição de materiais e a realização de testes de mercado. No final de 1995, o sistema foi apresentado em um evento, em que a Brasilata estava recebendo de seu principal cliente, Tintas Coral, o prêmio de Fornecedor do Ano. A solução encantou Júlio Cardoso, então presidente das Tintas Coral, tendo sido firmada uma parceria para desenvolvimento do novo fechamento. Foi então a vez do trabalho árduo: a ideia original teve de ser modificada várias vezes, até mesmo para permitir a conciliação com as linhas de enchimento, que deveriam ser compatíveis com os dois sistemas, o Plus e o convencional. O processo de produção das tampas em alta velocidade teve de ser mudado mais de uma vez. Um equipamento especial teve de ser projetado com a Indústria de Máquinas Moreno, isto é, toda uma nova tecnologia de processo acabou sendo desenvolvida em função dessa nova concepção de fechamento. Ocorreu, portanto, um processo inverso ao que é típico das indústrias dependentes de fornecedores, conforme mencionado antes, ou seja, a Brasilata realizou uma inovação radical de produto que gerou a necessidade de inovações de processo. Após todo esse esforço, a Brasilata passou a contar com um sistema de fechamento exclusivo que possibilita um desempenho superior, conforme análises realizadas pelo Centro de Tecnologia de Embalagem (Cetea) e uma economia de 19 a 25% de material. O sistema Plus é três vezes mais resistente que o fechamento por atrito a pressões internas, choques e tombamento, com economia de 20% do material empregado na fabricação do conjunto anel tampa além de reduzir pela metade o tempo de manuseio com enchimento da tinta. 




O sistema de fechamento plus para vasilhames de aço conquistou o selo Brasil Premium. O produto foi analisado e avaliado por técnicos do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), de São Paulo e outros profissionais, sendo depois julgado por um conselho deliberativo, com apoio da Câmara de Comércio Exterior e da Apex - Agência de Promoção de Exportações. Patenteado nos Estados Unidos e Europa (US5899352 e EP0706486), o produto quebrou um paradigma de mais de 90 anos, ao substituir o fechamento convencional, por atrito, por uma trava mecânica, oferecendo como vantagens, além da resistência três vezes maior à pressão interna (o que é muito útil nos processos críticos de envasamento e evita que as tampas sejam abertas no caso de uma queda), maior performance ante as quedas e facilidade de manuseio nas operações de abertura e fechamento. Além de marcar a primeira abertura no anel da tampa, este sistema abre e fecha mais facilmente várias vezes, evitando o ressecamento dos produtos. Com mais de 180 milhões de latas plus vendidas desde 1994, o produto, na opinião do diretor-superintendente da Brasilata, Antonio Carlos Teixeira, oferece melhor desempenho e produtividade nas linhas de enchimento das indústrias de tintas e produtos químicos. "Com esta inovação, o Brasil pode exportar tecnologia na produção de latas, invertendo a rota usual da globalização

No início da década de 1990, a equipe de vendas da Brasilata começou a receber de seus dois maiores clientes de tintas, donos das marcas mais vendidas no Brasil (Suvinil e Coral), demandas no sentido de produzir embalagens que dificultassem uma prática indesejável que estava se tornando cada vez mais comum: a falsificação de tintas. A prática era a seguinte: alguns indivíduos, e mesmo empresas inescrupulosas, estavam comprando latas vazias de 18 litros, usadas, limpavam-nas com cuidado e, em seguida, adquiriam latas novas de tinta, abriam-nas e, pela adição de água, logravam obter duas ou mais latas que eram então vendidas como novas. Para coibir tal prática, o então gerente de qualidade da Brasilata teve a idéia de alterar o perfil do anel da lata de tinta de 18 litros, introduzindo um relevo que era marcado no ato de abertura da tampa. O relevo não impedia uma eventual violação, porém a evidenciava claramente, dentro do conceito internacionalmente usado para latas de produtos alimentícios (tamper evident). O gerente de vendas achou que a solução atendia totalmente à demanda dos clientes, e foi dele a idéia de "batizar" a nova lata com o nome de First Open, em alusão à indicação da primeira abertura da lata. O sucesso foi grande, e em 1994 a lata de 18 litros com fechamento First Open ganhou o prêmio Embanews na categoria tecnologia.

A concorrência, incomodada com o sucesso da Brasilata, tratou de produzir também a sua lata tamper evident, denominada Latalimpa, que resolvia de quebra um outro problema ocasionado pela existência de cantos vivos de aço nas bordas do anel. Tais cantos, na folha metálica, além de poderem provocar ferimentos na mão do pintor, expunham o aço não-revestido, fato que com o passar do tempo causava oxidação e, algumas vezes, sujava a tinta. O lançamento da nova lata da concorrência caiu como uma bomba na equipe técnica da Brasilata, que se debruçou para achar uma solução que também resolvesse o problema dos cantos vivos na lata First Open. Em apenas 24 horas, um técnico experiente, após várias simulações no sistema de projeto auxiliado por computador (CAD), apresentou uma proposta. A solução previa o enrolamento para fora da extremidade interna do anel da lata, formando um cordão e eliminando o canto vivo e, ao mesmo tempo, um "canal" na borda externa da tampa, permitindo o encaixe da tampa com o anel, conforme o esquema mostrado na figura abaixo.



O esquema proposto resolvia, sem dúvida, o problema do canto vivo do anel, tendo sido esta a razão primeira da sua proposição. Entretanto, ficou claro desde o início que a introdução de uma trava mecânica entre o anel e a tampa melhorava sobremaneira a condição de fechamento da lata e, conseqüentemente, evidenciava ainda mais a primeira abertura. A aprovação da diretoria foi imediata, todos os recursos necessários foram mobilizados e em poucos dias o primeiro protótipo foi produzido pela equipe de ferramentaria. O próprio diretor superintendente batizou a lata com o nome de First Open Plus. Em apenas 90 dias a nova lata estava no mercado. Em 1995, o fechamento First Open Plus ganhava para a Brasilata o segundo prêmio Embanews de tecnologia.

Em 1995, em conversa com Alexandre Cenacchi, presidente da Sayer Lack, um importante cliente, o diretor superintendente recebeu a solicitação da produção de uma lata redonda para tintas mais barata. A lata de tinta tradicional, como vimos, fora desenvolvida no início do século passado, e seu sistema de fechamento baseava-se em atrito por múltipla pressão. O que o cliente indagava era se não seria possível a adoção de uma tampa de pressão simples, como as utilizadas para as latas de leite em pó. O diretor da Brasilata sabia, e concordava, que a deficiência de vedação da pressão simples era inaceitável para a indústria de tintas. A tinta necessita de uma lata com vedação mais robusta do que a de leite em pó, devido as suas características em termos de peso, pressões internas etc. Apesar de ser impossível naquele momento atender à solicitação do cliente, esse assunto despertou o interesse do diretor da Brasilata, pois se o fechamento baseado em atrito por múltipla pressão pudesse ser evitado a economia de matéria-prima seria considerável. Nesse caso seria necessário conseguir uma vedação eficiente, para a qual não existia ainda nenhuma solução conhecida.

Na viagem de Jundiaí (sede do cliente) a São Paulo, o diretor chegou a considerar a solução First Open Plus, porém a descartou por achar que seria muito complicada a transposição da solução da lata quadrada para a redonda. Já em São Paulo, reuniu-se com a equipe técnica a fim de discutir o assunto e, para sua surpresa, viu aparecer a mesma sugestão. Foi formado então um grupo de trabalho para estudar o assunto com os melhores técnicos, que seriam o embrião de uma futura equipe de desenvolvimento de produto, hoje composta por cinco técnicos de excelente capacidade, três dos quais remanescentes daquele grupo de trabalho. Foi preciso muita imaginação para transportar a solução para a lata redonda; muitas tentativas foram feitas, e cerca de três meses depois foram fornecidas ao cliente as primeiras latas redondas com capacidade de 900ml e o novo fechamento por trava mecânica. Para ser diferenciado do sistema da lata quadrada, ele recebeu o nome de Fechamento Plus. Durante esse processo a Brasilata contou com apoio da Finep, que financiou, entre outras atividades, a aquisição de materiais e a realização de testes de mercado.

No final de 1995, o sistema foi apresentado em um evento, em que a Brasilata estava recebendo de seu principal cliente, Tintas Coral, o prêmio de Fornecedor do Ano. A solução encantou Júlio Cardoso, então presidente das Tintas Coral, tendo sido firmada uma parceria para desenvolvimento do novo fechamento. Foi então a vez do trabalho árduo: a idéia original teve de ser modificada várias vezes, até mesmo para permitir a conciliação com as linhas de enchimento, que deveriam ser compatíveis com os dois sistemas, o Plus e o convencional. O processo de produção das tampas em alta velocidade teve de ser mudado mais de uma vez. Um equipamento especial teve de ser projetado com a Indústria de Máquinas Moreno, isto é, toda uma nova tecnologia de processo acabou sendo desenvolvida em função dessa nova concepção de fechamento. Ocorreu, portanto, um processo inverso ao que é típico das indústrias dependentes de fornecedores, conforme mencionado antes, ou seja, a Brasilata realizou uma inovação radical de produto que gerou a necessidade de inovações de processo. Após todo esse esforço, a Brasilata passou a contar com um sistema de fechamento exclusivo que possibilita um desempenho superior, conforme análises realizadas pelo Centro de Tecnologia de Embalagem (Cetea)* e uma economia de 19 a 25% de material.


Resumo PI9408643 (número inicial MU 7400485): Latas apresentando uma parede superior (11) provida com uma abertura central (12) e uma sede de fechamento (12a) de onde projeta-se, para baixo, uma parede tubular (17) apresentando um extremo livre (18); uma tampa (20) apresentando uma borda periférica (21) assentável sobre a sede de fechamento (12a), sendo o extremo livre (18) da parede tubular (17) curvado para dentro da abertura central (12) e para cima até uma posição adjacente à dita parede tubular (17), definindo uma borda inferior de parede tubular na forma de uma nervura contínua (19).

Referências:
JORNAL GAZETA MERCANTIL DATA: 11/05/2005 ON LINE Registro - Lata premiada, Revista Exame 28/9/2006 - As 10 melhores inovações brasileiras, Organizações Inovadoras:estudos e casos brasileiros,José Carlos Barbieri, Rio de Janeiro:FGV, 2003
ZEVALLUS, Gustavo. 101 inovações brasileiras, São Paulo, IOB, 2008, p.62




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