quinta-feira, 30 de julho de 2020

#29 KENTARO TAKAOKA 66881 - VÁLVULA REGULADORA DE GASES PARA RESPIRAÇÃO ARTIFICIAL

66881 - VÁLVULA REGULADORA DE GASES PARA RESPIRAÇÃO ARTIFICIAL

Depósito: 13/05/1957

Destaque: Prêmio Finep Inventor Inovador - 2005 - Etapa Nacional

Inventor: Kentaro Takaoka

Empresa: Kentaro Takaoka (SP/BR)


Formado pelo Senai, em 1948, como fresador – enquanto cursava a faculdade –, Kentaro Takaoka montou, em 1951, uma oficina no 9º andar do HC, conhecida como “o divertimento do Takaoka”, onde injetou também recursos próprios para comprar equipamentos. Ali ele fazia as pesquisas nas poucas horas de folga, perseguindo e conseguindo atingir o objetivo de inventar um instrumento eficiente, barato e elaborado com peças pequenas e simples. Um ano depois, em 1952, apresentou o primeiro protótipo do respirador na reunião anual da Sociedade Brasileira de Anestesiologia, realizada em São Paulo. Ele foi testado, por quatro anos, em pequenos animais, até que pudesse ser utilizado em humanos, em 1955. Misto dos dois outros equipamentos existentes à época, a minúscula máquina foi reconhecida mundialmente como importante contribuição para o progresso da anestesiologia e, após dois anos, começou a ser fabricada em maior escala, levando o médico a fundar a indústria que, até hoje, leva seu nome. Além do respirador, ele desenvolveu diversos outros aparelhos hospitalares. 



Em 2005, o presidente Luis Inácio Lula da Silva entregou-lhe o troféu Finep Inventor Inovador. Na ocasião, Takaoka ressaltou o fato de ambos serem torneiros mecânicos. Kentaro Takaoka faleceu em 2010


Até a década de 40 o Brasil importava equipamentos de anestesia, sendo a Kentaro Takaoka e a gaúcha Narcosul, fundada na mesma época por Alffonso Fortis e Flávio Pires, precursoras na fabricação local de equipamentos em anestesia . Em 1948 é fundada no Rio de Janeiro a Sociedade Brasileira de Anestesiologia. Como conseqüência dos êxitos alcançados tanto na pesquisa como no desenvolvimento de novos equipamentos e toda uma geração de anestesiologistas realiza-se em 1954 o primeiro Congresso Brasileiro de Anestesiologia em São Paulo, com o II Congresso Latino Americano de Anestesiologia. Em 1960 o Dr. Zairo Eira Garcia Vieira representante e delegado oficial da Socieddae Brasileira de Anestesiologia no II Congresso Mundial de Anestesiologia foi eleito vice presidente da Federação Mundial de Sociedades de Anestesiologia (1956-1960) e o Brasil escolhido sede do II Congresso Mundial das Sociedades de Anestesiologia

A patente 66881 depositada no DNPI em janeiro de 1957 e concedida em outubro de 1963 é referente a uma nova válvula reguladora de gases para respiração artificial. A patente foi concedida nos Estados Unidos em US2996071 em 1961. Esta válvula permite um perfeito controle das frequências de fase inspiratória e expiratória sem contudo estar sujeita a inconvenientes de ordem mecânica que possam provocar uma diferença de pressão que não aquela prevista para determinado caso. A válvula reguladora de gases tem seu corpo constituído por uma caixa metálica cilíndrica a qual compreende duas meias partes superior e inferior unidas por uma rosca, sendo que suas extremidades contrapostas externas prendem uma membrana circular de borracha o diafragma da válvula. Este diafragma que divide o corpo interno desta em duas câmaras superior e inferior é guarnecida em seu perímetro central por dois discos metálicos, o de baixo provido de uma projeção cilíndrica oca que é passante numa perfuração central do diafragma e projetada verticalmente acima do plano desta e em cuja parte básica tem rosqueado o disco superior. Esta projeção aloja concentricamente em menor diâmetro uma pequena mola helicoidal em cuja extremidade superior tem solidário um pino rebaixado passante e livre através de uma perfuração central da face superior da citada projeção, além da qual tem fixo um cabeçote cilíndrico. Na posição de equilíbrio o disco ou a válvula fecha o orifício do ímã ou anel inferior injetando-se gás comprimido ou ar ou oxigênio pela entrada. A medida em que a pressão na câmara inferior vai aumentando é ela transmitida aos pulmões por meio do cano de saída efetuando-se assim a fase de inspiração. Com o aumento da pressão o diafragma é levado para cima, comprimindo a mola superior e tracionando a mola inferior até um ponto tal que esta tração vence a atração da válvula pelo ímã inferior passando a mencionada válvula a ser atraída pelo ímã superior. Nesse instante o injetor associado ao venturi passa a formar uma pressão negativa pelo orifício de aspiração através do qual passa todo o ar aspirado dos pulmões, assim efetuando a fase expiratória da respiração. A novidade deste respirador está no uso de ímãs de alnico V, desenvolvidos pelo IPT no final dos anos 50.

Referências:





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