PI9904493 - COMPOSIÇÃO FARMACÊUTICA COMPREENDENDO MISTURAS NÃO EQUIMOLARES DOS ENANTIÔMEROS DA BUPIVACAÍNA COM ATIVIDADE ANESTÉSICA E ANALGÉSICA
Depósito: 01/07/1999
Destaque: Novabupi comercializado pela Cristália primeiro anestésico desenvolvido no Brasil
Inventor: Maria dos Prazeres Barbalho Simonetti
Empresa: USP / Cristália Produtos Químicos Farmacêuticos (SP/BR)
A simocaína é resultado de uma ideia aparentemente simples, mas que até então ninguém tinha pensado. Batizado inicialmente de simocaína, por causa do sobrenome da pesquisadora, o anestésico (injetável e de uso hospitalar) ganhou o nome de novabupi -a matéria-prima do estudo foi a bupivacaína, um dos anestésicos de uso local mais utilizados no mundo. Os anestésicos são formados por dois tipos de substâncias e ambas têm como função bloquear os impulsos que provocam a sensação de dor. No entanto, uma delas, apesar de muito eficiente, causa efeitos colaterais e por isso é considerada “ruim”. A solução encontrada pela pesquisadora foi colocar 75% da parte boa e 25% da ruim. No final de 2001, a USP e a empresa Cristália fecharam um acordo para a comercialização do produto, lançado com o nome de Novabupi. Novabupi é um anestésico local desenvolvido em parceria com a USP a partir da bupivacaína, que tinha efeito prolongado, porém com possibilidade de efeitos colaterais. A invenção propôs um produto mais seguro, sem perda da sua eficácia, por meio da alteração da proporção dos enantiômeros em relação à bupivacaína racêmica. A tecnologia relacionada ao produto obteve patente nos EUA, Europa e, em 2013, no Brasil.
Segundo Simonetti "O isômero puro, a levobupivacaína, será lançada pela indústria farmacêutica nacional, devido ao menor potencial cardiotóxico. Utilizamos as preparações: nervo ciático de rato "in vivo", para testar sua potência bloqueadora e átrios isolados de rato para avaliação da atividade depressora cardíaca. Recentemente, procedemos modificações na relação enantiométrica da bupivacaína obtendo as misturas: S10R e S25R, e demonstramos serem estes compostos mais eficazes quanto ao bloqueio neuronal em relação a levobupivacaína e significantemente menos cardiotóxica em relação à bupivacaína racêmica, em termos hemodinâmicos e eletrofisiológicos (PA e FC), com o modelo rato "in vivo". "
Alguns anestésicos são formados por isômeros, moléculas que se organizam aos pares, de forma invertida. Para explicar a diferença entre eles, convencionou-se chamá-los de bons e ruins. Ambos têm a função de bloquear os impulsos nervosos da dor, dando aquela sensação de amortecimento. Entretanto, os ruins são os causadores dos efeitos colaterais, que podem ocorrer em caso de erro médico (injeção não intencional do composto no vaso sangüíneo). A combinação entre ambos é a chave para se entender o funcionamento dos anestésicos locais.
A simocaína é resultado de uma idéia aparentemente simples, mas que ninguém tinha pensado ainda. Recombinando isômeros bons e ruins, na proporção de 75% para 25%, respectivamente, Maria Simonetti obteve uma excelente anestesia com analgesia pós-operatória, sem nenhum impacto nocivo. "Os isômeros ruins são necessários para que o remédio seja eficaz", enfatiza a pesquisadora. "A proporção de bons e ruins pode variar de acordo com o tipo de utilização a ser dada para a simocaína."
As primeiras utilizações da simocaína em humanos foram realizadas no Rio Grande do Norte e no Rio de Janeiro, com a técnica epidural e com a técnica raquianestesia (injetada no canal medular), respectivamente. "Os resultados foram excelentes, pois nenhum paciente apresentou complicações neurotóxicas, situação onde podem aparecer efeitos colaterais, como paralisia definitiva", explica Maria Simonetti. "A utilização da simocaína tem se mostrado mais eficaz e com maior número de vantagens com relação aos compostos atualmente utilizados, como a bupivacaína, que é uma mistura de 50% do isômero bom com 50% do isômero ruim, com alto potencial cardiotóxico." Segundo a docente, as pesquisas iniciais em ratos (fase pré-clínica) mostraram que o anestésico raramente induz à convulsão, o que significa maior segurança para o paciente.
Maria Simonetti possui graduação em Medicina pela Faculdade de Medicina da Universidade do Recife(1958), especialização em Especialização Em Anestesia pela Faculdade de Medicina da Universidade do Recife(1958), mestrado em Ciências (Fisiologia Humana) pela Universidade de São Paulo(1973), doutorado em Ciências (Fisiologia Humana) pela Universidade de São Paulo(1985), pós-doutorado pela Harvard University(1989) e aperfeicoamento em Bolsista da Secretaria de Saúde pelo Serviço de Anestesia(1960). Maria Simonetti faleceu em 2017.
Resumo PI9904493 : Trata-se de composições enantioméricas, atividade anestésica e seu uso como anestésico local; de isômeros de S(-) bupivacaína e R(+), bupivacaína, não equimolares, possuidoras de atividade anestésica e seu como agentes para anestesia regional em procedimentos cirúrgicos humano e veterinário e como agente analgésico pós operatório e na analgesia obstétrica.
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